No aikido não há socos para trocar nem campeonatos para ganhar, pelo menos na maioria das escolas. Há um ataque, um movimento circular e um parceiro que acaba no chão. Esta maneira tão particular de lutar vem de uma escola de samurais de Aizu e de um homem que quis transformá-la num caminho de paz.
Aizu e as técnicas do palácio
A Daitō-ryū Aiki-jūjutsu conta que descende de técnicas guardadas durante séculos pelo clã Takeda, que acabou por se instalar no domínio de Aizu, na atual prefeitura de Fukushima. Em 1644, Hoshina Masayuki tornou-se senhor de Aizu e mandou que os seus sucessores estudassem a espada Ono-ha Ittō-ryū e o oshikiuchi, uma arte criada para os conselheiros e guardas do palácio, pensada para lutar em espaços fechados. Os historiadores lembram que a linhagem completa é difícil de provar. Mesmo assim, ajuda a perceber de onde vêm as imobilizações e projeções que hoje reconhecemos no aikido.
Takeda Sōkaku, o «pequeno tengu de Aizu»
Takeda Sōkaku (1859–1943) cresceu em Aizu durante a Guerra Boshin, quando o domínio combateu o novo governo Meiji. Pequeno e temido, ganhou a alcunha de «pequeno tengu de Aizu». A partir do fim do século XIX percorreu o Japão a ensinar polícias, militares e figuras importantes. O seu segredo era o aiki: harmonizar-se com a força do atacante para o desequilibrar no instante do contacto. Depois da sua morte, o filho Tokimune Takeda (1916–1993) dirigiu a escola e organizou o sistema de ensino. Outros alunos, como Hisa Takuma e Sagawa Yukiyoshi, deixaram as suas próprias linhas.
Em 1915, em Hokkaidō, Morihei Ueshiba (1883–1969) começou a treinar com Takeda. Quando deixou a ilha, em 1919, conheceu Deguchi Onisaburo, líder espiritual do Ōmoto-kyō, um movimento religioso xintoísta, e foi viver para a sede do grupo, em Ayabe, onde abriu o seu primeiro dōjō. Em 1924 acompanhou Deguchi numa expedição à Mongólia que acabou com os dois presos por tropas chinesas e devolvidos ao Japão. Esta ligação religiosa mudou a forma como Ueshiba via a arte: não como meio de destruir o adversário, mas de o neutralizar sem lhe causar dano.
Em 1926 mudou-se para Tóquio, onde montou o dōjō que viria a ser o Aikikai Hombu, a sede mundial. O nome aikidō, «o caminho da harmonia com a energia», fixou-se por volta de 1942. Nesse ano Ueshiba retirou-se para Iwama, no campo, onde treinou e cultivou a terra até meados dos anos 1950.
Ueshiba Morihei em 1939. Autor: Unknown photographer · Licença: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
Técnicas
Os princípios básicos são o irimi (entrar no espaço do atacante), o tenkan (rodar para desviar o ataque), o atemi (golpes que distraem ou abrem caminho) e o controlo da respiração. Os ataques de treino são agarrões ao pulso ou à gola e golpes de mão, como o golpe vertical à cabeça. As respostas são projeções, como o iriminage, e imobilizações que dobram o pulso, o cotovelo ou o ombro. Os pontapés são raros e ficam para variantes avançadas. Quem ataca (uke) aprende a cair e a rolar em segurança, e isso faz parte do treino tanto como a técnica. Muitas escolas treinam também com o sabre de madeira (bokken) e o bastão (jō).
51.ª Demonstração de Aikido de Todo o Japão, 2013. Autor: L'oeil étranger · Licença: CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
Uma arte, muitas escolas
Como Ueshiba mudou a forma de ensinar ao longo da vida, alunos de épocas diferentes guardaram versões diferentes. O primeiro estilo independente foi o Yoseikan, de Minoru Mochizuki, em 1931. Gōzō Shioda fundou o Yoshinkan em 1955, um estilo direto, muito usado na formação da polícia de Tóquio. Kenji Tomiki, também judoca, abriu o Shodokan em 1967, a única grande linha com competição. Em 1974, Kōichi Tōhei, então instrutor-chefe do Hombu, saiu depois de um desacordo com Kisshōmaru Ueshiba, filho do fundador, e criou o Ki-Aikido, centrado no «ki» e na respiração. Em Iwama, Morihiro Saitō preservou o estilo dos últimos anos do fundador, com muito trabalho de armas.
Esquema simplificado: muitos estilos têm mais de uma raiz.
O aikido pelo mundo
Depois da guerra, o aikido saiu do Japão. Mochizuki ensinou em França no início dos anos 1950, e em 1952 chegou Tadashi Abe, representante oficial do Hombu, que ficou sete anos. Em 1953 Tōhei passou um ano no Havai e abriu vários dōjō. Hoje o Aikikai é dirigido por um neto do fundador, Moriteru Ueshiba, e reúne federações de dezenas de países na Federação Internacional de Aikido.
A progressão faz-se por graus kyū e depois dan, com exames formais. Muitas escolas usam só cinto branco e cinto preto. A hakama, as largas calças pregueadas escuras, é em muitos dōjō reservada aos graus dan, mas noutros todos a usam.
Os primos do aikido
O Daitō-ryū continuou a existir em paralelo, dividido em vários ramos. Na linha de Takeda, Okuyama fundou o Hakkō-ryū, e um aluno de Okuyama, So Dōshin, criou depois o Shōrinji Kempō. Na Coreia, Choi Yong-sul dizia ter treinado com Takeda. Contou essa história em duas versões muito diferentes, mas o que ensinou deu origem ao hapkido.
Curiosidades
Por volta de 1875, o jovem Takeda decidiu ir apoiar a rebelião de Saigō Takamori em Satsuma. Chegou a Kyūshū mas não conseguiu ir mais longe, e acabou por passar dez anos em Osaka, como hóspede do dōjō de espada de Momonoi Shunzō. No aikido, muitas vezes ninguém «ganha»: os dois parceiros trocam de papel, e quem projeta numa repetição é projetado na seguinte.
Linha do tempo
1644Hoshina Masayuki, senhor de Aizu, impõe o oshikiuchi.
1859Nasce Takeda Sōkaku em Aizu.
1915Ueshiba conhece Takeda em Hokkaidō.
1919Ueshiba conhece Deguchi Onisaburo e vai para Ayabe.
In aikido there are no punches to trade and no championships to win, at least in most schools. There is an attack, a circular movement and a partner who ends up on the mat. This very particular way of fighting comes from a samurai school in Aizu and from one man who wanted to turn it into a path of peace.
Aizu and the palace techniques
Daitō-ryū Aiki-jūjutsu says it descends from techniques kept for centuries by the Takeda clan, which eventually settled in the Aizu domain, in today's Fukushima Prefecture. In 1644 Hoshina Masayuki became lord of Aizu and ordered his successors to study Ono-ha Ittō-ryū swordsmanship and oshikiuchi, an art made for palace counsellors and retainers, designed for fighting indoors. Historians point out that the full lineage is hard to prove. Even so, it helps explain where the pins and throws we now recognise in aikido come from.
Takeda Sōkaku, the "little tengu of Aizu"
Takeda Sōkaku (1859–1943) grew up in Aizu during the Boshin War, when the domain fought the new Meiji government. Small and feared, he was nicknamed "the little tengu of Aizu". From the late 19th century he travelled across Japan teaching police officers, soldiers and prominent people. His secret was aiki: blending with the attacker's force to unbalance him at the moment of contact. After his death his son Tokimune Takeda (1916–1993) led the school and organised its teaching system. Other students, such as Hisa Takuma and Sagawa Yukiyoshi, left lines of their own.
In 1915, in Hokkaidō, Morihei Ueshiba (1883–1969) began training with Takeda. When he left the island in 1919 he met Deguchi Onisaburo, spiritual leader of Ōmoto-kyō, a Shinto-based religious movement, and moved to the group's headquarters in Ayabe, where he opened his first dōjō. In 1924 he went with Deguchi on an expedition to Mongolia that ended with both men captured by Chinese troops and sent back to Japan. This religious bond changed how Ueshiba saw his art: not as a way to destroy an opponent, but to neutralise him without harm.
In 1926 he moved to Tokyo and set up the dōjō that would become the Aikikai Hombu, the world headquarters. The name aikidō, "the way of harmony with energy", was settled around 1942. That same year Ueshiba withdrew to rural Iwama, where he trained and farmed until the mid-1950s.
Ueshiba Morihei in 1939. Author: Unknown photographer · Licence: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
Techniques
The basic principles are irimi (entering the attacker's space), tenkan (turning to redirect the attack), atemi (strikes that distract or open the way) and breath control. Training attacks are grabs to the wrist or collar and hand strikes, such as the vertical strike to the head. The answers are throws, such as iriminage, and pins that bend the wrist, elbow or shoulder. Kicks are rare and kept for advanced variations. The attacker (uke) learns to fall and roll safely, and this is as much part of training as the technique itself. Many schools also train with the wooden sword (bokken) and the staff (jō).
51st All Japan Aikido Demonstration, 2013. Author: L'oeil étranger · Licence: CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
One art, many schools
Because Ueshiba changed his teaching over his life, students from different periods kept different versions. The first independent style was Yoseikan, by Minoru Mochizuki, in 1931. Gōzō Shioda founded Yoshinkan in 1955, a direct style widely used to train the Tokyo police. Kenji Tomiki, also a judoka, opened the Shodokan in 1967, the only major line with competition. In 1974 Kōichi Tōhei, then chief instructor at the Hombu, left after a disagreement with Kisshōmaru Ueshiba, the founder's son, and created Ki-Aikido, centred on "ki" and breathing. In Iwama, Morihiro Saitō preserved the style of the founder's later years, with a lot of weapons work.
Simplified chart: many styles have more than one root.
Aikido around the world
After the war aikido left Japan. Mochizuki taught in France in the early 1950s, and in 1952 Tadashi Abe arrived as the Hombu's official representative and stayed seven years. In 1953 Tōhei spent a year in Hawaii and opened several dōjō. Today the Aikikai is led by the founder's grandson, Moriteru Ueshiba, and brings together federations from dozens of countries in the International Aikido Federation.
Students progress through kyū grades and then dan degrees, with formal tests. Many schools use only white and black belts. The hakama, the wide, dark pleated trousers, is reserved for dan grades in many dōjō, while in others everyone wears it.
Aikido's cousins
Daitō-ryū carried on alongside, split into several branches. In Takeda's line, Okuyama founded Hakkō-ryū, and one of Okuyama's students, So Dōshin, later created Shōrinji Kempō. In Korea, Choi Yong-sul said he had trained with Takeda. He told that story in two very different versions, but what he taught became hapkido.
Curiosities
Around 1875 the young Takeda set off to support Saigō Takamori's rebellion in Satsuma. He got as far as Kyūshū but could go no further, and ended up spending ten years in Osaka as a guest at the sword dōjō of Momonoi Shunzō. In aikido, often nobody "wins": partners swap roles, and whoever throws in one repetition is thrown in the next.
Timeline
1644Hoshina Masayuki, lord of Aizu, mandates oshikiuchi.
1859Takeda Sōkaku born in Aizu.
1915Ueshiba meets Takeda in Hokkaidō.
1919Ueshiba meets Deguchi Onisaburo and moves to Ayabe.
En el aikido no hay golpes que intercambiar ni campeonatos que ganar, al menos en la mayoría de las escuelas. Hay un ataque, un movimiento circular y un compañero que acaba en el suelo. Esta forma tan particular de luchar viene de una escuela de samuráis de Aizu y de un hombre que quiso convertirla en un camino de paz.
Aizu y las técnicas de palacio
La Daitō-ryū Aiki-jūjutsu afirma descender de técnicas guardadas durante siglos por el clan Takeda, que acabó instalándose en el dominio de Aizu, en la actual prefectura de Fukushima. En 1644 Hoshina Masayuki se convirtió en señor de Aizu y ordenó a sus sucesores estudiar la espada Ono-ha Ittō-ryū y el oshikiuchi, un arte creado para los consejeros y guardias del palacio, pensado para luchar en espacios cerrados. Los historiadores recuerdan que el linaje completo es difícil de probar. Aun así, ayuda a entender de dónde vienen las inmovilizaciones y proyecciones que hoy reconocemos en el aikido.
Takeda Sōkaku, el «pequeño tengu de Aizu»
Takeda Sōkaku (1859–1943) creció en Aizu durante la Guerra Boshin, cuando el dominio combatió al nuevo gobierno Meiji. Pequeño y temido, recibió el apodo de «pequeño tengu de Aizu». Desde finales del siglo XIX recorrió Japón enseñando a policías, militares y personajes importantes. Su secreto era el aiki: armonizarse con la fuerza del atacante para desequilibrarlo en el instante del contacto. Tras su muerte, su hijo Tokimune Takeda (1916–1993) dirigió la escuela y organizó su sistema de enseñanza. Otros alumnos, como Hisa Takuma y Sagawa Yukiyoshi, dejaron sus propias líneas.
En 1915, en Hokkaidō, Morihei Ueshiba (1883–1969) empezó a entrenar con Takeda. Al dejar la isla, en 1919, conoció a Deguchi Onisaburo, líder espiritual del Ōmoto-kyō, un movimiento religioso sintoísta, y se fue a vivir a la sede del grupo en Ayabe, donde abrió su primer dōjō. En 1924 acompañó a Deguchi en una expedición a Mongolia que terminó con ambos detenidos por tropas chinas y devueltos a Japón. Este vínculo religioso cambió la forma en que Ueshiba veía su arte: no como medio para destruir al adversario, sino para neutralizarlo sin hacerle daño.
En 1926 se trasladó a Tokio, donde montó el dōjō que se convertiría en el Aikikai Hombu, la sede mundial. El nombre aikidō, «el camino de la armonía con la energía», se fijó hacia 1942. Ese mismo año Ueshiba se retiró a Iwama, en el campo, donde entrenó y cultivó la tierra hasta mediados de los años 1950.
Ueshiba Morihei en 1939. Autor: Unknown photographer · Licencia: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
Técnicas
Los principios básicos son el irimi (entrar en el espacio del atacante), el tenkan (girar para desviar el ataque), el atemi (golpes que distraen o abren camino) y el control de la respiración. Los ataques de entrenamiento son agarres a la muñeca o la solapa y golpes de mano, como el golpe vertical a la cabeza. Las respuestas son proyecciones, como el iriminage, e inmovilizaciones que doblan la muñeca, el codo o el hombro. Las patadas son raras y quedan para variantes avanzadas. Quien ataca (uke) aprende a caer y rodar con seguridad, algo tan importante en el entrenamiento como la propia técnica. Muchas escuelas entrenan también con el sable de madera (bokken) y el bastón (jō).
51.ª Demostración de Aikido de todo Japón, 2013. Autor: L'oeil étranger · Licencia: CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
Un arte, muchas escuelas
Como Ueshiba cambió su forma de enseñar a lo largo de su vida, alumnos de épocas distintas conservaron versiones distintas. El primer estilo independiente fue el Yoseikan, de Minoru Mochizuki, en 1931. Gōzō Shioda fundó el Yoshinkan en 1955, un estilo directo, muy usado en la formación de la policía de Tokio. Kenji Tomiki, también judoka, abrió el Shodokan en 1967, la única gran línea con competición. En 1974 Kōichi Tōhei, entonces instructor jefe del Hombu, se marchó tras un desacuerdo con Kisshōmaru Ueshiba, hijo del fundador, y creó el Ki-Aikido, centrado en el «ki» y la respiración. En Iwama, Morihiro Saitō conservó el estilo de los últimos años del fundador, con mucho trabajo de armas.
Esquema simplificado: muchos estilos tienen más de una raíz.
El aikido en el mundo
Después de la guerra el aikido salió de Japón. Mochizuki enseñó en Francia a comienzos de los años 1950, y en 1952 llegó Tadashi Abe, representante oficial del Hombu, que se quedó siete años. En 1953 Tōhei pasó un año en Hawái y abrió varios dōjō. Hoy el Aikikai lo dirige un nieto del fundador, Moriteru Ueshiba, y reúne federaciones de decenas de países en la Federación Internacional de Aikido.
La progresión se hace por grados kyū y después dan, con exámenes formales. Muchas escuelas solo usan cinturón blanco y negro. La hakama, el amplio pantalón plisado oscuro, está reservada en muchos dōjō a los grados dan, mientras que en otros la llevan todos.
Los primos del aikido
El Daitō-ryū siguió existiendo en paralelo, dividido en varias ramas. En la línea de Takeda, Okuyama fundó el Hakkō-ryū, y un alumno de Okuyama, So Dōshin, creó más tarde el Shōrinji Kempō. En Corea, Choi Yong-sul decía haber entrenado con Takeda. Contó esa historia en dos versiones muy distintas, pero lo que enseñó dio origen al hapkido.
Curiosidades
Hacia 1875, el joven Takeda decidió ir a apoyar la rebelión de Saigō Takamori en Satsuma. Llegó a Kyūshū pero no pudo seguir, y acabó pasando diez años en Osaka como huésped del dōjō de espada de Momonoi Shunzō. En el aikido, a menudo nadie «gana»: los compañeros intercambian papeles, y quien proyecta en una repetición es proyectado en la siguiente.
Cronología
1644Hoshina Masayuki, señor de Aizu, impone el oshikiuchi.
1859Nace Takeda Sōkaku en Aizu.
1915Ueshiba conoce a Takeda en Hokkaidō.
1919Ueshiba conoce a Deguchi Onisaburo y se instala en Ayabe.
En aïkido, il n'y a ni coups à échanger ni championnats à gagner, du moins dans la plupart des écoles. Il y a une attaque, un mouvement circulaire et un partenaire qui finit au sol. Cette façon si particulière de combattre vient d'une école de samouraïs d'Aizu et d'un homme qui voulut en faire une voie de paix.
Aizu et les techniques du palais
Le Daitō-ryū Aiki-jūjutsu dit descendre de techniques gardées pendant des siècles par le clan Takeda, qui finit par s'installer dans le domaine d'Aizu, dans l'actuelle préfecture de Fukushima. En 1644, Hoshina Masayuki devint seigneur d'Aizu et ordonna à ses successeurs d'étudier le sabre Ono-ha Ittō-ryū et l'oshikiuchi, un art créé pour les conseillers et gardes du palais, pensé pour combattre en espace clos. Les historiens rappellent que la lignée complète est difficile à prouver. Elle aide pourtant à comprendre d'où viennent les immobilisations et projections que l'on reconnaît aujourd'hui en aïkido.
Takeda Sōkaku, le « petit tengu d'Aizu »
Takeda Sōkaku (1859–1943) grandit à Aizu pendant la guerre de Boshin, lorsque le domaine combattit le nouveau gouvernement Meiji. Petit et redouté, il fut surnommé le « petit tengu d'Aizu ». À partir de la fin du XIXe siècle, il parcourut le Japon pour enseigner à des policiers, des militaires et des notables. Son secret était l'aiki : s'harmoniser avec la force de l'attaquant pour le déséquilibrer à l'instant du contact. Après sa mort, son fils Tokimune Takeda (1916–1993) dirigea l'école et organisa son système d'enseignement. D'autres élèves, comme Hisa Takuma et Sagawa Yukiyoshi, fondèrent leurs propres lignées.
En 1915, à Hokkaidō, Morihei Ueshiba (1883–1969) commença à s'entraîner avec Takeda. En quittant l'île en 1919, il rencontra Deguchi Onisaburo, guide spirituel de l'Ōmoto-kyō, un mouvement religieux shintoïste, et s'installa au siège du groupe à Ayabe, où il ouvrit son premier dōjō. En 1924, il accompagna Deguchi dans une expédition en Mongolie qui se termina par leur capture par des troupes chinoises et leur renvoi au Japon. Ce lien religieux changea sa vision de l'art : non plus détruire l'adversaire, mais le neutraliser sans lui faire de mal.
En 1926, il s'installa à Tokyo et y fonda le dōjō qui deviendrait l'Aikikai Hombu, le siège mondial. Le nom aïkidō, « la voie de l'harmonie avec l'énergie », s'imposa vers 1942. La même année, Ueshiba se retira à Iwama, à la campagne, où il s'entraîna et cultiva la terre jusqu'au milieu des années 1950.
Ueshiba Morihei en 1939. Auteur: Unknown photographer · Licence: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
Techniques
Les principes de base sont l'irimi (entrer dans l'espace de l'attaquant), le tenkan (pivoter pour dévier l'attaque), l'atemi (des frappes qui distraient ou ouvrent le passage) et le contrôle de la respiration. Les attaques d'entraînement sont des saisies au poignet ou au col et des frappes de la main, comme la frappe verticale à la tête. Les réponses sont des projections, comme l'iriminage, et des immobilisations qui plient le poignet, le coude ou l'épaule. Les coups de pied sont rares et réservés aux variantes avancées. Celui qui attaque (uke) apprend à chuter et à rouler sans danger, ce qui compte autant que la technique elle-même. Beaucoup d'écoles travaillent aussi avec le sabre de bois (bokken) et le bâton (jō).
51e Démonstration d'aïkido de tout le Japon, 2013. Auteur: L'oeil étranger · Licence: CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
Un art, de nombreuses écoles
Comme Ueshiba a changé sa façon d'enseigner au cours de sa vie, des élèves de différentes époques ont gardé des versions différentes. Le premier style indépendant fut le Yoseikan de Minoru Mochizuki, en 1931. Gōzō Shioda fonda le Yoshinkan en 1955, un style direct très utilisé pour former la police de Tokyo. Kenji Tomiki, également judoka, ouvrit le Shodokan en 1967, la seule grande lignée avec compétition. En 1974, Kōichi Tōhei, alors instructeur en chef du Hombu, partit après un désaccord avec Kisshōmaru Ueshiba, fils du fondateur, et créa le Ki-Aikido, centré sur le « ki » et la respiration. À Iwama, Morihiro Saitō conserva le style des dernières années du fondateur, avec beaucoup de travail aux armes.
Schéma simplifié : beaucoup de styles ont plusieurs racines.
L'aïkido dans le monde
Après la guerre, l'aïkido quitta le Japon. Mochizuki enseigna en France au début des années 1950, puis en 1952 arriva Tadashi Abe, représentant officiel du Hombu, qui resta sept ans. En 1953, Tōhei passa un an à Hawaï et y ouvrit plusieurs dōjō. Aujourd'hui l'Aikikai est dirigé par un petit-fils du fondateur, Moriteru Ueshiba, et la Fédération internationale d'aïkido réunit des fédérations de dizaines de pays.
La progression se fait par grades kyū puis dan, avec des examens formels. Beaucoup d'écoles n'utilisent que la ceinture blanche et la noire. Le hakama, large pantalon plissé sombre, est réservé aux gradés dan dans de nombreux dōjō, alors que dans d'autres tout le monde le porte.
Les cousins de l'aïkido
Le Daitō-ryū a continué en parallèle, divisé en plusieurs branches. Dans la lignée de Takeda, Okuyama fonda le Hakkō-ryū, et l'un de ses élèves, So Dōshin, créa ensuite le Shōrinji Kempō. En Corée, Choi Yong-sul affirmait s'être entraîné avec Takeda. Il raconta cette histoire en deux versions très différentes, mais ce qu'il enseigna donna naissance au hapkido.
Curiosités
Vers 1875, le jeune Takeda décida d'aller soutenir la rébellion de Saigō Takamori à Satsuma. Il atteignit Kyūshū sans pouvoir aller plus loin, puis passa dix ans à Osaka, hébergé au dōjō de sabre de Momonoi Shunzō. En aïkido, souvent personne ne « gagne » : les partenaires échangent les rôles, et celui qui projette à une répétition est projeté à la suivante.