Nas Filipinas, aprende-se primeiro com armas e só depois com as mãos vazias. A lógica é simples: o mesmo ângulo de ataque serve para um bastão, uma faca ou um soco. A arte tem três nomes, eskrima, arnis e kali, e muitas escolas.
Uma herança de ilhas
Antes da chegada dos espanhóis, os filipinos eram conhecidos pela habilidade com o punhal e a espada larga, e cada povo tinha o seu nome para a arte: kaliradman para os cebuanos, pagaradman para os ilongos, sinawali («entrelaçar») para os pampangos, calis ou pananandata («uso de armas») para os tagalos. Os nomes «eskrima» e «arnis» vêm do espanhol (esgrima, arnés), sinal de mais de três séculos de domínio colonial.
Em 1521, Fernão de Magalhães morreu na batalha de Mactan, às mãos das forças do chefe Lapu-Lapu. Muitos praticantes contam que Magalhães foi morto num duelo de espada, mas as provas históricas não confirmam essa versão. Os relatos espanhóis, curiosamente, quase não descrevem um sistema de combate nativo. Por isso, a história antiga da arte é difícil de reconstruir, e durante muito tempo ela passou de família em família, nas aldeias.
Armas de treino de eskrima. Autor: ? · Licença: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
Os princípios
A arma é vista como um prolongamento do corpo, e por isso os mesmos ângulos e o mesmo trabalho de pés servem com ou sem arma. É a ideia que muitos chamam «agrupamento de movimentos». O treino começa normalmente com bastões de rattan, uma cana barata do Sudeste Asiático, que substituíram as lâminas. Treina-se com um bastão, com dois (o sinawali, padrões entrelaçados a duas mãos), com espada e punhal (espada y daga) e com faca.
A mão que não segura a arma é a mão viva: controla, prende ou desarma a arma do adversário e ajuda a bloquear e a fazer chaves. A maioria das escolas explica o trabalho de pés com triângulos: os pés ocupam dois cantos e o passo vai para o terceiro, sem nunca cruzar as pernas. A distância divide-se em longa, média e curta, e na curta golpeia-se com a mão viva ou com o cabo do bastão.
Doce Pares e as escolas de Cebu
No século XX surgiram sistemas organizados. Em Cebu foi fundado em 1932 o Doce Pares, cujo nome vem dos Doze Pares de Carlos Magno, uma lenda que os espanhóis levaram às Filipinas através da literatura e do teatro popular. Os doze mestres fundadores incluíam Lorenzo Saavedra, considerado o melhor eskrimador de Cebu, e membros da família Cañete. Teodoro Saavedra, sobrinho de Lorenzo, foi guerrilheiro na Segunda Guerra Mundial e acabou capturado e morto pelas forças japonesas.
Ciriaco «Cacoy» Cañete, que tinha cerca de 12 anos na fundação, sistematizou as técnicas nos anos 1950 com base em combates reais e morreu em 2016. O seu sobrinho Dionisio Cañete criou regras e proteções de competição, que deram origem em 1987 à federação WEKAF. Com a morte de Dionisio, em 2021, ficou um só Grão-Mestre Supremo do Doce Pares, Danny Guba. Do mesmo meio saiu o Balintawak de Venancio Bacon, centrado num só bastão e em contra-ataques curtos.
Combate num torneio de eskrima, com capacete e proteções. Autor: Leticia Barletta · Licença: CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Remy Presas e o Modern Arnis
Remy Presas (1936–2001) nasceu em Hinigaran, na ilha de Negros, e estudou, entre outros, o Balintawak. Começou a ensinar o seu Modern Arnis em 1966. Em 1969 apresentou-o a professores das escolas públicas e privadas, e em 1970 fundou a International Modern Arnis Federation. Em 1974 deixou as Filipinas e levou a arte para os Estados Unidos, onde ficou conhecido simplesmente como «o Professor». Entrou no Hall da Fama da revista Black Belt em 1982 e morreu em Victoria, no Canadá.
Remy Presas, criador do Modern Arnis. Autor: Robert James DeMott · Licença: CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
As artes filipinas hoje
O Pekiti-Tirsia Kali, da família Tortal, foi ensinado por Leo Gaje a forças militares e policiais. Fora das Filipinas, a arte ganhou fama graças a vários filmes de Hollywood e a mestres como Dan Inosanto.
Em 1972 o governo filipino incluiu as artes marciais filipinas no desporto nacional. O arnis entrou nos Jogos Nacionais (Palarong Pambansa) em 2006 e, em 2009, a lei RA 9850 declarou-o arte marcial e desporto nacional das Filipinas. Hoje compete-se com capacete, luvas e bastões almofadados ou de rattan.
Esquema simplificado: muitos estilos têm mais de uma raiz.
Curiosidades
Nas zonas rurais das Filipinas, andar com uma faca de trabalho como o bolo ou o itak era sinal de que se ganhava a vida no campo, por isso a arma fazia parte do dia a dia. E as escolas mais tradicionais, pensadas para o campo de batalha, usam posições muito baixas, por vezes com um joelho no chão, e passos cruzados para enfrentar vários adversários.
Linha do tempo
1521Lapu-Lapu derrota Fernão de Magalhães em Mactan.
1932Fundado o clube Doce Pares, em Cebu.
1950sVenancio Bacon cria o Balintawak.
1951Cacoy Cañete junta aikido e judo à eskrima: nasce o «Eskrido».
1957Leo Gaje leva o Pekiti-Tirsia para fora da família.
1966Remy Presas começa a ensinar o Modern Arnis.
1987Fundada a federação de competição WEKAF.
2009Arnis declarada arte marcial e desporto nacional.
In the Philippines you learn with weapons first and only later with empty hands. The logic is simple: the same angle of attack works for a stick, a knife or a punch. The art has three names, eskrima, arnis and kali, and many schools.
An island heritage
Before the Spanish arrived, Filipinos were known for their skill with dagger and broadsword, and each people had its own name for the art: kaliradman for the Cebuanos, pagaradman for the Ilonggos, sinawali ("to weave") for the Kapampangans, calis or pananandata ("use of weapons") for the Tagalogs. The names "eskrima" and "arnis" come from Spanish (esgrima, arnés), a sign of more than three centuries of colonial rule.
In 1521 Ferdinand Magellan died at the Battle of Mactan at the hands of the forces of the chief Lapu-Lapu. Many practitioners say Magellan was killed in a sword fight, but historical evidence does not support that version. Curiously, Spanish reports barely describe any native fighting system. The art's early history is therefore hard to reconstruct, and for a long time it passed from family to family in the villages.
Eskrima training weapons. Author: ? · Licence: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
The principles
The weapon is seen as an extension of the body, so the same angles and footwork work with or without a weapon, an idea often called "motion grouping". Training usually starts with rattan sticks, a cheap Southeast Asian cane that replaced blades. People train with one stick, with two (sinawali, woven two-handed patterns), with sword and dagger (espada y daga) and with the knife.
The hand not holding a weapon is the live hand: it controls, traps or disarms the opponent's weapon and helps with blocks and locks. Most schools explain footwork in triangles: the feet occupy two corners and the step goes to the third, without ever crossing the legs. Range is divided into long, medium and short, and at short range you strike with the live hand or the butt of the stick.
Doce Pares and the Cebu schools
Organised systems appeared in the 20th century. In Cebu, Doce Pares was founded in 1932. Its name comes from Charlemagne's Twelve Peers, a legend the Spanish brought to the Philippines through popular literature and theatre. The twelve founding masters included Lorenzo Saavedra, regarded as Cebu's finest eskrimador, and members of the Cañete family. Teodoro Saavedra, Lorenzo's nephew, was a guerrilla fighter in the Second World War and was captured and killed by Japanese forces.
Ciriaco "Cacoy" Cañete, who was about 12 when the club was founded, systematised the techniques in the 1950s based on real fights, and died in 2016. His nephew Dionisio Cañete created competition rules and armour, which led to the WEKAF federation in 1987. With Dionisio's death in 2021, only one Doce Pares Supreme Grandmaster remained, Danny Guba. The same milieu produced Venancio Bacon's Balintawak, focused on a single stick and short counters.
A bout at an eskrima tournament, with helmets and protection. Author: Leticia Barletta · Licence: CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Remy Presas and Modern Arnis
Remy Presas (1936–2001) was born in Hinigaran, on the island of Negros, and studied Balintawak among other styles. He began teaching his Modern Arnis in 1966. In 1969 he introduced it to public and private school teachers, and in 1970 he founded the International Modern Arnis Federation. In 1974 he left the Philippines and took the art to the United States, where he became known simply as "the Professor". He entered the Black Belt magazine Hall of Fame in 1982 and died in Victoria, Canada.
Remy Presas, creator of Modern Arnis. Author: Robert James DeMott · Licence: CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
Filipino arts today
Pekiti-Tirsia Kali, of the Tortal family, was taught by Leo Gaje to military and police forces. Outside the Philippines the art became famous thanks to several Hollywood films and to masters such as Dan Inosanto.
In 1972 the Philippine government included Filipino martial arts in national sports. Arnis entered the National Games (Palarong Pambansa) in 2006 and, in 2009, law RA 9850 declared it the national martial art and sport of the Philippines. Today competitors use head and hand protection with rattan or padded sticks.
Simplified chart: many styles have more than one root.
Curiosities
In rural areas of the Philippines, carrying a work knife such as the bolo or itak was a sign that you made your living on the land, so the weapon was part of daily life. And the most traditional schools, designed for the battlefield, use very low stances, sometimes with one knee on the ground, and cross-steps to face several opponents.
Timeline
1521Lapu-Lapu defeats Magellan at Mactan.
1932Doce Pares club founded in Cebu.
1950sVenancio Bacon creates Balintawak.
1951Cacoy Cañete adds aikido and judo to eskrima: «Eskrido» is born.
1957Leo Gaje takes Pekiti-Tirsia beyond the family.
1966Remy Presas begins teaching Modern Arnis.
1987The WEKAF competition federation is founded.
2009Arnis declared national martial art and sport.
En Filipinas se aprende primero con armas y solo después con las manos vacías. La lógica es sencilla: el mismo ángulo de ataque sirve para un bastón, un cuchillo o un puñetazo. El arte tiene tres nombres, eskrima, arnis y kali, y muchas escuelas.
Una herencia de islas
Antes de la llegada de los españoles, los filipinos eran conocidos por su habilidad con la daga y la espada ancha, y cada pueblo tenía su nombre para el arte: kaliradman para los cebuanos, pagaradman para los ilongos, sinawali («entrelazar») para los pampangos, calis o pananandata («uso de armas») para los tagalos. Los nombres «eskrima» y «arnis» vienen del español (esgrima, arnés), señal de más de tres siglos de dominio colonial.
En 1521 Fernando de Magallanes murió en la batalla de Mactán a manos de las fuerzas del jefe Lapu-Lapu. Muchos practicantes cuentan que Magallanes murió en un duelo a espada, pero las pruebas históricas no respaldan esa versión. Curiosamente, los informes españoles apenas describen un sistema de combate nativo. Por eso la historia antigua del arte es difícil de reconstruir, y durante mucho tiempo pasó de familia en familia, en las aldeas.
Armas de entrenamiento de eskrima. Autor: ? · Licencia: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
Los principios
El arma se ve como una prolongación del cuerpo, por lo que los mismos ángulos y el mismo juego de pies sirven con o sin arma, una idea que a menudo se llama «agrupación de movimientos». El entrenamiento suele empezar con bastones de ratán, una caña barata del Sudeste Asiático que sustituyó a las hojas. Se entrena con un bastón, con dos (el sinawali, patrones entrelazados a dos manos), con espada y daga y con cuchillo.
La mano que no sostiene el arma es la mano viva: controla, atrapa o desarma el arma del adversario y ayuda a bloquear y a hacer llaves. La mayoría de las escuelas explica el juego de pies con triángulos: los pies ocupan dos vértices y el paso va al tercero, sin cruzar nunca las piernas. La distancia se divide en larga, media y corta, y en la corta se golpea con la mano viva o con el pomo del bastón.
Doce Pares y las escuelas de Cebú
En el siglo XX surgieron sistemas organizados. En Cebú se fundó en 1932 el Doce Pares, cuyo nombre viene de los Doce Pares de Carlomagno, una leyenda que los españoles llevaron a Filipinas a través de la literatura y el teatro popular. Los doce maestros fundadores incluían a Lorenzo Saavedra, considerado el mejor eskrimador de Cebú, y a miembros de la familia Cañete. Teodoro Saavedra, sobrino de Lorenzo, fue guerrillero en la Segunda Guerra Mundial y acabó capturado y asesinado por las fuerzas japonesas.
Ciriaco «Cacoy» Cañete, que tenía unos 12 años en la fundación, sistematizó las técnicas en los años 1950 a partir de combates reales y murió en 2016. Su sobrino Dionisio Cañete creó reglas y protecciones de competición, que dieron origen en 1987 a la federación WEKAF. Con la muerte de Dionisio en 2021 quedó un solo Gran Maestro Supremo del Doce Pares, Danny Guba. Del mismo ambiente salió el Balintawak de Venancio Bacon, centrado en un solo bastón y en contraataques cortos.
Combate en un torneo de eskrima, con casco y protecciones. Autor: Leticia Barletta · Licencia: CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Remy Presas y el Modern Arnis
Remy Presas (1936–2001) nació en Hinigaran, en la isla de Negros, y estudió, entre otros, el Balintawak. Empezó a enseñar su Modern Arnis en 1966. En 1969 lo presentó a profesores de escuelas públicas y privadas, y en 1970 fundó la International Modern Arnis Federation. En 1974 dejó Filipinas y llevó el arte a Estados Unidos, donde se le conoció simplemente como «el Profesor». Entró en el Salón de la Fama de la revista Black Belt en 1982 y murió en Victoria, Canadá.
Remy Presas, creador del Modern Arnis. Autor: Robert James DeMott · Licencia: CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
Las artes filipinas hoy
El Pekiti-Tirsia Kali, de la familia Tortal, fue enseñado por Leo Gaje a fuerzas militares y policiales. Fuera de Filipinas, el arte se hizo famoso gracias a varias películas de Hollywood y a maestros como Dan Inosanto.
En 1972 el gobierno filipino incluyó las artes marciales filipinas en el deporte nacional. El arnis entró en los Juegos Nacionales (Palarong Pambansa) en 2006 y, en 2009, la ley RA 9850 lo declaró arte marcial y deporte nacional de Filipinas. Hoy se compite con casco, guantes y bastones de ratán o acolchados.
Esquema simplificado: muchos estilos tienen más de una raíz.
Curiosidades
En las zonas rurales de Filipinas, llevar un cuchillo de trabajo como el bolo o el itak era señal de que uno se ganaba la vida en el campo, así que el arma formaba parte de la vida diaria. Y las escuelas más tradicionales, pensadas para el campo de batalla, usan posiciones muy bajas, a veces con una rodilla en el suelo, y pasos cruzados para enfrentarse a varios adversarios.
Cronología
1521Lapu-Lapu derrota a Magallanes en Mactan.
1932Se funda el club Doce Pares en Cebú.
1950sVenancio Bacon crea el Balintawak.
1951Cacoy Cañete suma aikido y judo a la eskrima: nace el «Eskrido».
1957Leo Gaje saca el Pekiti-Tirsia de la familia.
1966Remy Presas empieza a enseñar el Modern Arnis.
1987Se funda la federación de competición WEKAF.
2009El arnis, declarado arte marcial y deporte nacional.
Aux Philippines, on apprend d'abord avec des armes et seulement ensuite à mains nues. La logique est simple : le même angle d'attaque vaut pour un bâton, un couteau ou un coup de poing. L'art porte trois noms, eskrima, arnis et kali, et compte de nombreuses écoles.
Un héritage insulaire
Avant l'arrivée des Espagnols, les Philippins étaient réputés pour leur habileté à la dague et à l'épée large, et chaque peuple avait son nom pour cet art : kaliradman chez les Cebuanos, pagaradman chez les Ilonggos, sinawali (« tisser ») chez les Kapampangans, calis ou pananandata (« usage des armes ») chez les Tagalogs. Les noms « eskrima » et « arnis » viennent de l'espagnol (esgrima, arnés), signe de plus de trois siècles de domination coloniale.
En 1521, Fernand de Magellan mourut à la bataille de Mactan, tué par les forces du chef Lapu-Lapu. Beaucoup de pratiquants racontent que Magellan périt dans un duel à l'épée, mais les preuves historiques ne confirment pas cette version. Curieusement, les rapports espagnols ne décrivent presque aucun système de combat indigène. L'histoire ancienne de l'art est donc difficile à reconstituer, et pendant longtemps il s'est transmis de famille en famille, dans les villages.
L'arme est vue comme un prolongement du corps : les mêmes angles et le même jeu de jambes servent avec ou sans arme, une idée souvent appelée « regroupement des mouvements ». L'entraînement commence d'ordinaire avec des bâtons en rotin, une canne bon marché d'Asie du Sud-Est qui a remplacé les lames. On s'entraîne avec un bâton, avec deux (le sinawali, des enchaînements entrelacés à deux mains), avec épée et dague (espada y daga) et avec le couteau.
La main qui ne tient pas d'arme est la main vivante : elle contrôle, piège ou désarme l'arme de l'adversaire et aide aux blocages et aux clés. La plupart des écoles expliquent le jeu de jambes par des triangles : les pieds occupent deux coins et le pas va vers le troisième, sans jamais croiser les jambes. La distance se divise en longue, moyenne et courte ; à courte distance, on frappe avec la main vivante ou avec le pommeau du bâton.
Doce Pares et les écoles de Cebu
Des systèmes organisés apparurent au XXe siècle. À Cebu fut fondé en 1932 le Doce Pares, dont le nom vient des Douze Pairs de Charlemagne, une légende que les Espagnols apportèrent aux Philippines par la littérature et le théâtre populaires. Les douze maîtres fondateurs comprenaient Lorenzo Saavedra, considéré comme le meilleur eskrimador de Cebu, et des membres de la famille Cañete. Teodoro Saavedra, neveu de Lorenzo, fut guérillero pendant la Seconde Guerre mondiale et fut capturé et tué par les forces japonaises.
Ciriaco « Cacoy » Cañete, qui avait environ 12 ans à la fondation, systématisa les techniques dans les années 1950 à partir de combats réels, et mourut en 2016. Son neveu Dionisio Cañete créa des règles et des protections de compétition, qui donnèrent naissance en 1987 à la fédération WEKAF. À la mort de Dionisio, en 2021, il ne resta qu'un seul Grand Maître Suprême du Doce Pares, Danny Guba. Du même milieu est issu le Balintawak de Venancio Bacon, centré sur un seul bâton et des contres courts.
Combat lors d'un tournoi d'eskrima, avec casque et protections. Auteur: Leticia Barletta · Licence: CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Remy Presas et le Modern Arnis
Remy Presas (1936–2001) naquit à Hinigaran, sur l'île de Negros, et étudia notamment le Balintawak. Il commença à enseigner son Modern Arnis en 1966. En 1969, il le présenta à des enseignants des écoles publiques et privées, et en 1970 il fonda l'International Modern Arnis Federation. En 1974, il quitta les Philippines et emmena l'art aux États-Unis, où on l'appelait simplement « le Professeur ». Il entra au Hall of Fame du magazine Black Belt en 1982 et mourut à Victoria, au Canada.
Remy Presas, créateur du Modern Arnis. Auteur: Robert James DeMott · Licence: CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
Les arts philippins aujourd'hui
Le Pekiti-Tirsia Kali, de la famille Tortal, fut enseigné par Leo Gaje à des forces militaires et policières. Hors des Philippines, l'art est devenu célèbre grâce à plusieurs films d'Hollywood et à des maîtres comme Dan Inosanto.
En 1972, le gouvernement philippin intégra les arts martiaux philippins au sport national. L'arnis entra aux Jeux nationaux (Palarong Pambansa) en 2006 et, en 2009, la loi RA 9850 le déclara art martial et sport national des Philippines. Aujourd'hui, on combat avec casque, gants et bâtons en rotin ou rembourrés.
Schéma simplifié : beaucoup de styles ont plusieurs racines.
Curiosités
Dans les campagnes philippines, porter un couteau de travail comme le bolo ou l'itak montrait qu'on gagnait sa vie aux champs : l'arme faisait partie du quotidien. Et les écoles les plus traditionnelles, conçues pour le champ de bataille, utilisent des postures très basses, parfois un genou au sol, et des pas croisés pour affronter plusieurs adversaires.
Chronologie
1521Lapu-Lapu bat Magellan à Mactan.
1932Fondation du club Doce Pares à Cebu.
1950sVenancio Bacon crée le Balintawak.
1951Cacoy Cañete ajoute aïkido et judo à l'eskrima : naissance de l'« Eskrido ».
1957Leo Gaje ouvre le Pekiti-Tirsia hors de la famille.
1966Remy Presas commence à enseigner le Modern Arnis.
1987Fondation de la fédération de compétition WEKAF.
2009L'arnis déclaré art martial et sport national.