No sul da Índia, em Querala, ainda se treina num recinto de terra batida, meio enterrado, com um pequeno altar a um canto. Chama-se kalari, e a arte que ali se ensina, o kalaripayattu, é uma das mais antigas artes marciais que ainda se praticam. Junta saltos, posturas de animais, armas e medicina.
Origens
O nome junta kalari, o recinto de treino, e payattu, «exercício» ou «luta». Segundo a lenda, Parashurama, o sexto avatar de Vixnu, aprendeu a arte com Xiva, trouxe Querala do fundo do mar, fundou os primeiros 108 kalari e formou os primeiros 21 mestres. A história é menos poética. O investigador Phillip Zarrilli liga a arte às técnicas de combate dravídicas do período Sangam e à tradição sânscrita do Dhanur Veda, a «ciência do arco». Como sistema, o kalaripayattu terá nascido dos campos de batalha dos séculos XI e XII, quando o reino Chera travou uma guerra de um século contra os Chola.
Em várias comunidades de Querala, como os Nair e os Thiyya, o treino era obrigatório para os jovens. No fim da Idade Média, as disputas que as assembleias locais não resolviam podiam ser decididas num ankam, um combate em que os lutadores tinham até 12 anos para se preparar. Por vezes lutavam mercenários pagos em nome de outros. As baladas Vadakkan Pattukal, dos séculos XVII e XVIII, cantam heróis e heroínas como Aromal Chekavar e Unniyarcha. Segundo elas, a arte devia servir causas justas e não o interesse próprio.
Combate simulado de kalaripayattu em Querala. Autor: Ginu Plathottam · Licença: CC0 · Wikimedia Commons
Olhos portugueses
Em 1498 a frota de Vasco da Gama chegou a Calecute, e os portugueses passaram a conviver com estes guerreiros. Um relato português do início do século XVI, atribuído a Duarte Barbosa, descreve os Nair: aos sete anos iam para escolas onde aprendiam a saltar, a rodar e a torcer-se no chão até ficarem com o corpo «contra a natureza». Depois escolhiam a arma, que podia ser o arco, a lança ou, quase sempre, a espada. E continuavam a ir às lições de esgrima todas as épocas de chuva, por mais velhos que fossem, até morrerem.
Proibição e renascimento
Em 1804, depois da revolta de Pazhassi Raja, os britânicos proibiram o kalaripayattu em Querala. Com a morte do rei, em 1805, fechou a maior parte dos grandes kalari. A arte sobreviveu em poucas famílias e aldeias até ao renascimento do século XX. Kottakkal Kanaran Gurukkal (1850–1935) formou Chambadan Veetil Narayanan Nair (1905–1944), conhecido por «CVN», que abriu vários kalari a partir dos anos 1920. Ainda hoje há escolas com o nome CVN espalhadas por Querala. Em 1937, Sreedharan Nair publicou em malaiala o primeiro livro sobre a arte.
Estilos e técnicas
Há dois estilos principais. O do norte, ou Vadakkan, é praticado sobretudo no Malabar e é tido como o mais antigo: movimentos elásticos, esquivas, saltos e muito trabalho de armas, sob o lema meyy kannavanam, «fazer do corpo um olho». O treino tem quatro etapas: posturas (meipayattu), armas de madeira (kolthari), armas de metal (angathari) e, por fim, mãos nuas (verum kai). O estilo do sul, ou Thekkan, é praticado perto de Kanyakumari e prefere golpes duros, luta corpo a corpo e pontos de pressão. A tradição atribui-o ao sábio Agastya, e é parente das artes tâmeis vizinhas. Há ainda um estilo central, menos praticado. Entre as armas estão maças, lanças, punhais e a urumi, uma espada flexível.
O guru e a medicina
O mestre, o gurukkal, é também curandeiro. Conhece os marmam, os pontos vitais do corpo. Diz-se que um golpe certo num deles podia incapacitar ou matar, embora os críticos lembrem que isso nunca foi demonstrado de forma verificável. O mesmo saber serve para tratar, no marmachikitsa, ligado ao Ayurveda e à medicina Siddha. As massagens com óleos medicinais (uzhichil) tornam os alunos mais flexíveis e tratam lesões. No kalari, os alunos marcam a testa com terra do chão e saúdam o altar, o poothara, de sete degraus. As ordens são dadas em malaiala ou sânscrito.
Praticantes de kalaripayattu. Autor: KaustubhShrm · Licença: CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Hoje
Em 2017, Meenakshi Amma, uma gurukkal de 73 anos de Vadakara, recebeu do governo indiano o Padma Shri por preservar a arte. Em 2021 o governo de Querala anunciou uma Academia de Kalaripayattu em Thiruvananthapuram.
Esquema simplificado: muitos estilos têm mais de uma raiz.
Curiosidades
A referência mais antiga aos marmam está no Rig Veda: o deus Indra vence o demónio Vritra ao atingi-lo nos pontos vitais com o seu raio. E nas baladas, os heróis pertencem a duas famílias matrilineares, uma nair e outra de origem thiyya.
Linha do tempo
séc. XIIPrimeiras referências aos kalari em Querala.
1498Vasco da Gama chega a Calecute; guerreiros nair a serviço dos reis.
1804Os britânicos proíbem a prática e o porte de armas.
1920sRenascimento com C. V. Narayanan Nair.
1937Sreedharan Nair publica o primeiro livro sobre o kalaripayattu.
In southern India, in Kerala, people still train in a half-sunken arena of beaten earth with a small shrine in one corner. It is called a kalari, and the art taught there, kalaripayattu, is one of the oldest martial arts still practised. It combines leaps, animal postures, weapons and medicine.
Origins
The name joins kalari, the training ground, and payattu, "exercise" or "fight". According to legend, Parashurama, the sixth avatar of Vishnu, learned the art from Shiva, raised Kerala from the sea floor, founded the first 108 kalaris and trained the first 21 masters. History is less poetic. The scholar Phillip Zarrilli links the art to the Dravidian combat techniques of the Sangam period and to the Sanskrit tradition of the Dhanur Veda, the "science of the bow". As a system, kalaripayattu probably grew out of the battlefields of the 11th and 12th centuries, when the Chera kingdom fought a century-long war against the Cholas.
In several Kerala communities, such as the Nairs and the Thiyyas, training was compulsory for young people. In the late Middle Ages, disputes that local assemblies could not settle might be decided by an ankam, a combat for which the fighters had up to 12 years to prepare. Sometimes paid mercenaries fought on behalf of others. The Vadakkan Pattukal ballads of the 17th and 18th centuries sing of heroes and heroines such as Aromal Chekavar and Unniyarcha. According to them, the art had to serve just causes, not self-interest.
In 1498 Vasco da Gama's fleet reached Calicut, and the Portuguese came to know these warriors. A Portuguese account from the early 16th century, attributed to Duarte Barbosa, describes the Nairs: at seven they went to schools where they learned to leap, spin and twist on the ground until their bodies bent "contrary to nature". Then they chose a weapon, which could be the bow, the spear or, most often, the sword. And however old they were, they kept going to fencing lessons every rainy season until they died.
Ban and revival
In 1804, after the revolt of Pazhassi Raja, the British banned kalaripayattu in Kerala. When the king died in 1805, most of the major kalaris closed. The art survived in a few families and villages until the revival of the 20th century. Kottakkal Kanaran Gurukkal (1850–1935) trained Chambadan Veetil Narayanan Nair (1905–1944), known as "CVN", who opened several kalaris from the 1920s. Schools bearing the CVN name are still found across Kerala today. In 1937 Sreedharan Nair published the first book on the art, in Malayalam.
Styles and techniques
There are two main styles. The northern, or Vadakkan, is practised mainly in Malabar and is considered the oldest: supple movements, evasions, leaps and a lot of weapons work, under the motto meyy kannavanam, "make the body an eye". Training has four stages: stances (meipayattu), wooden weapons (kolthari), metal weapons (angathari) and finally bare hands (verum kai). The southern style, or Thekkan, is practised near Kanyakumari and favours hard strikes, hand-to-hand combat and pressure points. Tradition credits it to the sage Agastya, and it is related to the neighbouring Tamil arts. There is also a central style, less practised. The weapons include maces, spears, daggers and the urumi, a flexible sword.
The guru and medicine
The master, the gurukkal, is also a healer. He knows the marmam, the vital points of the body. It is said that a precise strike on one could disable or kill, though critics note this has never been shown in a verifiable way. The same knowledge is used for healing, in marmachikitsa, linked to Ayurveda and Siddha medicine. Massages with medicinal oils (uzhichil) make students more flexible and treat injuries. In the kalari, students mark their foreheads with soil from the floor and salute the seven-step shrine, the poothara. Commands are given in Malayalam or Sanskrit.
In 2017 Meenakshi Amma, a 73-year-old gurukkal from Vadakara, received the Padma Shri from the Indian government for preserving the art. In 2021 the Kerala government announced a Kalaripayattu Academy in Thiruvananthapuram.
Simplified chart: many styles have more than one root.
Curiosities
The oldest reference to marmam is in the Rig Veda: the god Indra defeats the demon Vritra by striking his vital points with his thunderbolt. And in the ballads, the heroes belong to two matrilineal families, one Nair and one of Thiyya origin.
Timeline
12th c.Earliest references to kalari in Kerala.
1498Vasco da Gama reaches Calicut; Nair warriors serve the kings.
1804The British ban practice and carrying arms.
1920sRevival led by C. V. Narayanan Nair.
1937Sreedharan Nair publishes the first book on kalaripayattu.
En el sur de la India, en Kerala, aún se entrena en un recinto de tierra batida medio hundido, con un pequeño altar en una esquina. Se llama kalari, y el arte que allí se enseña, el kalaripayattu, es una de las artes marciales más antiguas que siguen practicándose. Reúne saltos, posturas de animales, armas y medicina.
Orígenes
El nombre une kalari, el recinto de entrenamiento, y payattu, «ejercicio» o «lucha». Según la leyenda, Parashurama, sexto avatar de Visnú, aprendió el arte de Shiva, sacó Kerala del fondo del mar, fundó los primeros 108 kalari y formó a los primeros 21 maestros. La historia es menos poética. El investigador Phillip Zarrilli vincula el arte a las técnicas de combate drávidas del periodo Sangam y a la tradición sánscrita del Dhanur Veda, la «ciencia del arco». Como sistema, el kalaripayattu habría nacido en los campos de batalla de los siglos XI y XII, cuando el reino Chera libró una guerra de un siglo contra los Chola.
En varias comunidades de Kerala, como los Nair y los Thiyya, el entrenamiento era obligatorio para los jóvenes. A finales de la Edad Media, las disputas que las asambleas locales no resolvían podían decidirse en un ankam, un combate para el que los luchadores tenían hasta 12 años de preparación. A veces peleaban mercenarios pagados en nombre de otros. Las baladas Vadakkan Pattukal, de los siglos XVII y XVIII, cantan a héroes y heroínas como Aromal Chekavar y Unniyarcha. Según ellas, el arte debía servir a causas justas y no al interés propio.
Combate simulado de kalaripayattu en Kerala. Autor: Ginu Plathottam · Licencia: CC0 · Wikimedia Commons
Con ojos portugueses
En 1498 la flota de Vasco da Gama llegó a Calicut, y los portugueses conocieron a estos guerreros. Un relato portugués de principios del siglo XVI, atribuido a Duarte Barbosa, describe a los Nair: a los siete años iban a escuelas donde aprendían a saltar, girar y retorcerse en el suelo hasta doblar el cuerpo «contra natura». Después elegían arma, que podía ser el arco, la lanza o, casi siempre, la espada. Y por viejos que fueran, seguían yendo a clases de esgrima cada estación de lluvias hasta morir.
Prohibición y renacimiento
En 1804, tras la revuelta de Pazhassi Raja, los británicos prohibieron el kalaripayattu en Kerala. Con la muerte del rey, en 1805, cerraron la mayoría de los grandes kalari. El arte sobrevivió en pocas familias y aldeas hasta el renacimiento del siglo XX. Kottakkal Kanaran Gurukkal (1850–1935) formó a Chambadan Veetil Narayanan Nair (1905–1944), conocido como «CVN», que abrió varios kalari desde los años 1920. Todavía hoy hay escuelas con el nombre CVN por todo Kerala. En 1937 Sreedharan Nair publicó en malayalam el primer libro sobre el arte.
Estilos y técnicas
Hay dos estilos principales. El del norte, o Vadakkan, se practica sobre todo en Malabar y se considera el más antiguo: movimientos elásticos, esquivas, saltos y mucho trabajo de armas, bajo el lema meyy kannavanam, «hacer del cuerpo un ojo». El entrenamiento tiene cuatro etapas: posturas (meipayattu), armas de madera (kolthari), armas de metal (angathari) y, al final, manos desnudas (verum kai). El estilo del sur, o Thekkan, se practica cerca de Kanyakumari y prefiere golpes duros, lucha cuerpo a cuerpo y puntos de presión. La tradición lo atribuye al sabio Agastya, y está emparentado con las artes tamiles vecinas. Existe además un estilo central, menos practicado. Entre las armas hay mazas, lanzas, puñales y la urumi, una espada flexible.
El gurú y la medicina
El maestro, el gurukkal, también es sanador. Conoce los marmam, los puntos vitales del cuerpo. Se dice que un golpe preciso en uno de ellos podía incapacitar o matar, aunque los críticos recuerdan que nunca se ha demostrado de forma verificable. El mismo saber sirve para curar, en el marmachikitsa, ligado al ayurveda y a la medicina siddha. Los masajes con aceites medicinales (uzhichil) dan flexibilidad y tratan lesiones. En el kalari, los alumnos se marcan la frente con tierra del suelo y saludan al altar de siete escalones, el poothara. Las órdenes se dan en malayalam o sánscrito.
Practicantes de kalaripayattu. Autor: KaustubhShrm · Licencia: CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Hoy
En 2017 Meenakshi Amma, una gurukkal de 73 años de Vadakara, recibió del gobierno indio el Padma Shri por preservar el arte. En 2021 el gobierno de Kerala anunció una Academia de Kalaripayattu en Thiruvananthapuram.
Esquema simplificado: muchos estilos tienen más de una raíz.
Curiosidades
La referencia más antigua a los marmam está en el Rig Veda: el dios Indra vence al demonio Vritra golpeando sus puntos vitales con su rayo. Y en las baladas, los héroes pertenecen a dos familias matrilineales, una nair y otra de origen thiyya.
Cronología
s. XIIPrimeras referencias a los kalari en Kerala.
1498Vasco da Gama llega a Calicut; guerreros nair al servicio de los reyes.
1804Los británicos prohíben la práctica y llevar armas.
1920sRenacimiento con C. V. Narayanan Nair.
1937Sreedharan Nair publica el primer libro sobre el kalaripayattu.
Dans le sud de l'Inde, au Kerala, on s'entraîne encore dans une arène de terre battue à demi enterrée, avec un petit autel dans un coin. On l'appelle kalari, et l'art qu'on y enseigne, le kalaripayattu, est l'un des plus anciens arts martiaux encore pratiqués. Il réunit sauts, postures animales, armes et médecine.
Origines
Le nom associe kalari, le lieu d'entraînement, et payattu, « exercice » ou « combat ». Selon la légende, Parashurama, sixième avatar de Vishnou, apprit l'art de Shiva, fit surgir le Kerala du fond de la mer, fonda les 108 premiers kalari et forma les 21 premiers maîtres. L'histoire est moins poétique. Le chercheur Phillip Zarrilli rattache l'art aux techniques de combat dravidiennes de la période Sangam et à la tradition sanskrite du Dhanur Veda, la « science de l'arc ». En tant que système, le kalaripayattu serait né sur les champs de bataille des XIe et XIIe siècles, quand le royaume Chera mena une guerre d'un siècle contre les Chola.
Dans plusieurs communautés du Kerala, comme les Nair et les Thiyya, l'entraînement était obligatoire pour les jeunes. À la fin du Moyen Âge, les différends que les assemblées locales ne réglaient pas pouvaient être tranchés par un ankam, un combat auquel les combattants avaient jusqu'à 12 ans pour se préparer. Parfois, des mercenaires payés se battaient pour le compte d'autrui. Les ballades Vadakkan Pattukal, des XVIIe et XVIIIe siècles, chantent des héros et des héroïnes comme Aromal Chekavar et Unniyarcha. Selon elles, l'art devait servir des causes justes et non l'intérêt personnel.
Combat simulé de kalaripayattu au Kerala. Auteur: Ginu Plathottam · Licence: CC0 · Wikimedia Commons
Vu par les Portugais
En 1498, la flotte de Vasco de Gama atteignit Calicut, et les Portugais découvrirent ces guerriers. Un récit portugais du début du XVIe siècle, attribué à Duarte Barbosa, décrit les Nair : à sept ans, ils allaient dans des écoles où ils apprenaient à sauter, tourner et se contorsionner au sol jusqu'à plier le corps « contre nature ». Ils choisissaient ensuite une arme, l'arc, la lance ou, le plus souvent, l'épée. Et quel que soit leur âge, ils retournaient aux leçons d'escrime à chaque saison des pluies jusqu'à leur mort.
Interdiction et renouveau
En 1804, après la révolte de Pazhassi Raja, les Britanniques interdirent le kalaripayattu au Kerala. À la mort du roi, en 1805, la plupart des grands kalari fermèrent. L'art survécut dans quelques familles et villages jusqu'au renouveau du XXe siècle. Kottakkal Kanaran Gurukkal (1850–1935) forma Chambadan Veetil Narayanan Nair (1905–1944), dit « CVN », qui ouvrit plusieurs kalari à partir des années 1920. Des écoles portant le nom CVN existent encore dans tout le Kerala. En 1937, Sreedharan Nair publia en malayalam le premier livre sur cet art.
Styles et techniques
Il existe deux styles principaux. Celui du nord, ou Vadakkan, se pratique surtout dans le Malabar et passe pour le plus ancien : mouvements souples, esquives, sauts et beaucoup de travail aux armes, selon la devise meyy kannavanam, « faire du corps un œil ». L'entraînement compte quatre étapes : postures (meipayattu), armes en bois (kolthari), armes en métal (angathari) et enfin mains nues (verum kai). Le style du sud, ou Thekkan, se pratique près de Kanyakumari et privilégie les frappes dures, le corps-à-corps et les points de pression. La tradition l'attribue au sage Agastya, et il est apparenté aux arts tamouls voisins. Il existe aussi un style central, moins répandu. Parmi les armes figurent masses, lances, poignards et l'urumi, une épée souple.
Le guru et la médecine
Le maître, le gurukkal, est aussi guérisseur. Il connaît les marmam, les points vitaux du corps. On dit qu'un coup précis sur l'un d'eux pouvait neutraliser ou tuer, même si les critiques rappellent que cela n'a jamais été démontré de façon vérifiable. Le même savoir sert à soigner, dans le marmachikitsa, lié à l'ayurveda et à la médecine siddha. Les massages aux huiles médicinales (uzhichil) assouplissent les élèves et soignent les blessures. Dans le kalari, les élèves se marquent le front avec la terre du sol et saluent l'autel à sept marches, le poothara. Les ordres sont donnés en malayalam ou en sanskrit.
Pratiquants de kalaripayattu. Auteur: KaustubhShrm · Licence: CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Aujourd'hui
En 2017, Meenakshi Amma, gurukkal de 73 ans originaire de Vadakara, reçut du gouvernement indien la Padma Shri pour avoir préservé l'art. En 2021, le gouvernement du Kerala annonça une Académie de kalaripayattu à Thiruvananthapuram.
Schéma simplifié : beaucoup de styles ont plusieurs racines.
Curiosités
La plus ancienne mention des marmam se trouve dans le Rig-Veda : le dieu Indra vainc le démon Vritra en frappant ses points vitaux de sa foudre. Et dans les ballades, les héros appartiennent à deux familles matrilinéaires, l'une nair, l'autre d'origine thiyya.
Chronologie
XIIe s.Premières mentions des kalari au Kerala.
1498Vasco de Gama arrive à Calicut ; guerriers nair au service des rois.
1804Les Britanniques interdisent la pratique et le port d'armes.
1920sRenaissance avec C. V. Narayanan Nair.
1937Sreedharan Nair publie le premier livre sur le kalaripayattu.