Koryū (古流) quer dizer «escola antiga». Aplica-se às tradições marciais japonesas fundadas antes da Restauração Meiji de 1868, e entre elas as de espada, o kenjutsu, são as mais famosas. Ali não há competições nem campeonatos. Treinam-se kata a dois, transmitidas de mestre para discípulo há quinhentos anos.
Uma arte nascida da guerra
A espada curva japonesa, a futura katana, apareceu no período Heian. Mas as escolas mais antigas que ainda existem nasceram no período Muromachi (1336–1573), um tempo de guerras quase constantes entre senhores feudais. O treino incluía técnicas de campo de batalha a solo e kata a dois, com espadas de madeira maciça (bokutō) ou mesmo lâminas verdadeiras. No período Edo (1603–1868), em paz, as escolas multiplicaram-se, e há registo de mais de 500 estilos.
Katori e Kashima
A mais antiga é a Tenshin Shōden Katori Shintō-ryū. Foi fundada por Iizasa Ienao, um lanceiro e espadachim respeitado que vivia junto ao santuário de Katori, na atual prefeitura de Chiba. Segundo a tradição a fundação foi em 1447, mas alguns estudiosos preferem cerca de 1480. O deus do santuário, Futsunushi, é venerado como espírito da espada. A escola ensina espada, lança, alabarda e muitas outras armas. Antigamente, quem queria entrar assinava com o próprio sangue um juramento de lealdade, o keppan. A 6 de março de 1960 tornou-se a primeira arte marcial a receber do governo japonês a designação de «bem cultural imaterial», com Ōtake Risuke entre os seus guardiões.
Tsukahara Bokuden (1489–1571) aprendeu a Katori Shintō-ryū com o pai adotivo e depois percorreu o Japão em musha shugyō, a peregrinação ascética do guerreiro. Segundo o escritor e praticante Tokitsu Kenji, travou o primeiro duelo de morte aos 17 anos e depois mais 19 duelos e 37 batalhas. Morreu de causas naturais. A ele se atribui a Kashima Shintō-ryū, fundada por volta de 1530 e ligada ao santuário de Kashima, vizinho do de Katori.
Portão rōmon do santuário de Kashima. Autor: Kiku-zou · Licença: CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
Kamiizumi e os Yagyū
Kamiizumi Nobutsuna (c. 1508 – data de morte incerta, entre 1572 e 1582) criou a Shinkage-ryū. Era samurai e defendeu castelos na guerra contra Takeda Shingen. Atribui-se-lhe a invenção do fukuro shinai, uma espada de tiras de bambu metidas numa bainha de couro, que deixava treinar com mais liberdade sem partir ossos. O seu estilo era mais livre, mais sóbrio e mais adaptado ao duelo do que às grandes batalhas. Em 1563, a caminho de Quioto, conheceu Yagyū Munetoshi (Sekishūsai) e ficou meio ano na aldeia de Yagyū. Em 1565 entregou-lhe a escola, que passou a chamar-se Yagyū Shinkage-ryū.
O filho de Munetoshi, Yagyū Munenori, aperfeiçoou o mutō, a arte de enfrentar uma espada de mãos nuas, e foi instrutor dos xóguns Tokugawa. Quando Munetoshi morreu, em 1606, a escola dividiu-se em dois ramos: o de Owari, com o neto Toshiyoshi, e o de Edo, com Munenori. O filho de Munenori, Jūbei Mitsuyoshi, tornou-se uma figura lendária.
Ittō-ryū e Musashi
A Ittō-ryū («escola de uma só espada») foi criada por Itō Ittōsai Kagehisa. Segundo a tradição oral, Ittōsai pôs dois alunos a lutar a sério para escolher o sucessor, e ganhou Ono Tadaaki (1565–1628). Daí nasceu a Ono-ha Ittō-ryū, a mais antiga das suas linhas. Tadaaki ensinou o segundo e o terceiro xóguns, ao lado de Munenori. Dizia-se que era melhor espadachim do que ele, mas que o seu feitio duro o tornava menos estimado. A Ono-ha, com o ramo Hokushin, teve grande influência nos kata e na estética do kendo moderno.
Mais independente foi Miyamoto Musashi (c. 1584–1645), que dizia nunca ter perdido nenhum dos seus mais de 60 duelos e fundou a Niten Ichi-ryū, de duas espadas. Há uma história de um duelo entre o jovem Musashi e Bokuden durante uma refeição, mas é um mito: Bokuden morreu 13 anos antes de Musashi nascer.
Do sabre ao kendo
A Restauração Meiji, em 1868, acabou com a classe samurai. Em 1886 a polícia japonesa juntou kata de várias escolas num conjunto padrão de treino, e em 1895 nasceu a Dai Nippon Butoku Kai. Em 1912 esta publicou dez kata comuns para unificar o ensino, a base dos kata do kendo. As koryū continuaram, mais pequenas, como tradições de família ou de dojo.
Demonstração de Katori Shintō-ryū em Trieste. Autor: antonio · Licença: CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
Esquema simplificado: muitos estilos têm mais de uma raiz.
Curiosidades
Bokuden chamou por pouco tempo à sua escola Mutekatsu-ryū, «vencer sem mãos». Conta-se que, num barco no lago Biwa, um rufia o desafiou. Bokuden propôs irem lutar para uma ilha, e quando o homem saltou para terra, empurrou o barco para longe e deixou-o lá. Bruce Lee gostava tanto da história que a repetiu em «O Dragão Ataca» (1973), como «lutar sem lutar».
Linha do tempo
séc. XVIizasa Ienao funda a Katori Shintō-ryū (tradição).
séc. XVITsukahara Bokuden e a linha de Kashima; Kamiizumi cria a Shinkage-ryū.
1565Kamiizumi entrega a Shinkage-ryū a Yagyū Munetoshi.
séc. XVIIYagyū e Ittō-ryū tornam-se escolas oficiais dos xóguns Tokugawa.
1868Restauração Meiji: fim da classe samurai.
1895Fundada a Dai Nippon Butoku Kai.
1912A Butoku Kai publica dez kata comuns, base do kendo.
1960Katori Shintō-ryū é a primeira arte marcial classificada como bem cultural imaterial em Chiba.
Koryū (古流) means "old school". It refers to the Japanese martial traditions founded before the Meiji Restoration of 1868, and among them the sword schools, kenjutsu, are the most famous. There are no competitions or championships. Students train paired kata, handed down from master to disciple for five hundred years.
An art born of war
The curved Japanese sword, the future katana, appeared in the Heian period. But the oldest schools still in existence were born in the Muromachi period (1336–1573), a time of almost constant war between feudal lords. Training included solo battlefield techniques and paired kata, with solid wooden swords (bokutō) or even live blades. In the peaceful Edo period (1603–1868) the schools multiplied, and more than 500 styles are on record.
Katori and Kashima
The oldest is Tenshin Shōden Katori Shintō-ryū. It was founded by Iizasa Ienao, a respected spearman and swordsman who lived near Katori Shrine, in today's Chiba Prefecture. Tradition dates the founding to 1447, though some scholars prefer around 1480. The shrine's god, Futsunushi, is revered as a spirit of the sword. The school teaches sword, spear, glaive and many other weapons. In the past, anyone wishing to join signed an oath of loyalty in his own blood, the keppan. On 6 March 1960 it became the first martial art to receive the Japanese government's designation as an "intangible cultural asset", with Ōtake Risuke among its guardians.
Tsukahara Bokuden (1489–1571) learned Katori Shintō-ryū from his adoptive father and then travelled Japan on musha shugyō, the warrior's ascetic pilgrimage. According to the writer and practitioner Tokitsu Kenji, he fought his first duel to the death at 17, and then 19 more duels and 37 battles. He died of natural causes. Kashima Shintō-ryū, founded around 1530 and linked to Kashima Shrine, neighbour of Katori, is attributed to him.
Rōmon gate of Kashima Shrine. Author: Kiku-zou · Licence: CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
Kamiizumi and the Yagyū
Kamiizumi Nobutsuna (c. 1508 – death uncertain, between 1572 and 1582) created Shinkage-ryū. He was a samurai who defended castles in the war against Takeda Shingen. He is credited with inventing the fukuro shinai, a sword of bamboo strips inside a leather sleeve, which allowed freer training without broken bones. His style was freer, sparer and better suited to the duel than to large battles. In 1563, on his way to Kyoto, he met Yagyū Munetoshi (Sekishūsai) and stayed half a year in Yagyū village. In 1565 he handed him the school, which became Yagyū Shinkage-ryū.
Munetoshi's son, Yagyū Munenori, perfected mutō, the art of facing a sword with bare hands, and was instructor to the Tokugawa shōguns. When Munetoshi died in 1606, the school split into two branches: Owari, under his grandson Toshiyoshi, and Edo, under Munenori. Munenori's son, Jūbei Mitsuyoshi, became a legendary figure.
Ittō-ryū and Musashi
Ittō-ryū ("one-sword school") was created by Itō Ittōsai Kagehisa. According to oral tradition, Ittōsai made two students fight in earnest to choose his successor, and Ono Tadaaki (1565–1628) won. From this came Ono-ha Ittō-ryū, the oldest of its lines. Tadaaki taught the second and third shōguns alongside Munenori. He was said to be the better swordsman, but his harsh character made him less esteemed. Ono-ha, with the Hokushin branch, had a great influence on the kata and aesthetics of modern kendo.
More independent was Miyamoto Musashi (c. 1584–1645), who claimed never to have lost any of his more than 60 duels and founded the two-sword Niten Ichi-ryū. There is a story of a duel between the young Musashi and Bokuden during a meal, but it is a myth: Bokuden died 13 years before Musashi was born.
From sabre to kendo
The Meiji Restoration of 1868 ended the samurai class. In 1886 the Japanese police gathered kata from several schools into a standard training set, and in 1895 the Dai Nippon Butoku Kai was founded. In 1912 it issued ten common kata to unify teaching, the basis of the kendo kata. The koryū carried on, smaller, as family or dojo traditions.
Katori Shintō-ryū demonstration in Trieste. Author: antonio · Licence: CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
Simplified chart: many styles have more than one root.
Curiosities
For a short time Bokuden called his school Mutekatsu-ryū, "winning without hands". The story goes that on a boat on Lake Biwa a ruffian challenged him. Bokuden suggested they go and fight on an island, and when the man jumped ashore, he pushed the boat away and left him there. Bruce Lee liked the story so much that he retold it in "Enter the Dragon" (1973) as "the art of fighting without fighting".
Koryū (古流) significa «escuela antigua». Se aplica a las tradiciones marciales japonesas fundadas antes de la Restauración Meiji de 1868, y entre ellas las de espada, el kenjutsu, son las más famosas. No hay competiciones ni campeonatos. Se entrenan kata por parejas, transmitidas de maestro a discípulo desde hace quinientos años.
Un arte nacido de la guerra
La espada curva japonesa, la futura katana, apareció en el periodo Heian. Pero las escuelas más antiguas que aún existen nacieron en el periodo Muromachi (1336–1573), una época de guerras casi constantes entre señores feudales. El entrenamiento incluía técnicas de campo de batalla en solitario y kata por parejas, con espadas de madera maciza (bokutō) o incluso hojas reales. En el pacífico periodo Edo (1603–1868) las escuelas se multiplicaron, y hay registro de más de 500 estilos.
Katori y Kashima
La más antigua es la Tenshin Shōden Katori Shintō-ryū. La fundó Iizasa Ienao, un lancero y espadachín respetado que vivía junto al santuario de Katori, en la actual prefectura de Chiba. Según la tradición la fundación fue en 1447, aunque algunos estudiosos prefieren hacia 1480. El dios del santuario, Futsunushi, es venerado como espíritu de la espada. La escuela enseña espada, lanza, alabarda y muchas otras armas. Antiguamente, quien quería entrar firmaba con su propia sangre un juramento de lealtad, el keppan. El 6 de marzo de 1960 se convirtió en la primera arte marcial en recibir del gobierno japonés la designación de «bien cultural inmaterial», con Ōtake Risuke entre sus guardianes.
Tsukahara Bokuden (1489–1571) aprendió la Katori Shintō-ryū con su padre adoptivo y luego recorrió Japón en musha shugyō, la peregrinación ascética del guerrero. Según el escritor y practicante Tokitsu Kenji, libró su primer duelo a muerte a los 17 años y después otros 19 duelos y 37 batallas. Murió por causas naturales. Se le atribuye la Kashima Shintō-ryū, fundada hacia 1530 y ligada al santuario de Kashima, vecino del de Katori.
Puerta rōmon del santuario de Kashima. Autor: Kiku-zou · Licencia: CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
Kamiizumi y los Yagyū
Kamiizumi Nobutsuna (c. 1508 – muerte incierta, entre 1572 y 1582) creó la Shinkage-ryū. Era samurái y defendió castillos en la guerra contra Takeda Shingen. Se le atribuye la invención del fukuro shinai, una espada de tiras de bambú dentro de una funda de cuero, que permitía entrenar con más libertad sin romper huesos. Su estilo era más libre, más sobrio y más adaptado al duelo que a las grandes batallas. En 1563, camino de Kioto, conoció a Yagyū Munetoshi (Sekishūsai) y se quedó medio año en la aldea de Yagyū. En 1565 le entregó la escuela, que pasó a llamarse Yagyū Shinkage-ryū.
El hijo de Munetoshi, Yagyū Munenori, perfeccionó el mutō, el arte de enfrentarse a una espada con las manos desnudas, y fue instructor de los shōgun Tokugawa. Cuando Munetoshi murió, en 1606, la escuela se dividió en dos ramas: la de Owari, con su nieto Toshiyoshi, y la de Edo, con Munenori. El hijo de Munenori, Jūbei Mitsuyoshi, se convirtió en una figura legendaria.
Ittō-ryū y Musashi
La Ittō-ryū («escuela de una sola espada») fue creada por Itō Ittōsai Kagehisa. Según la tradición oral, Ittōsai hizo luchar en serio a dos alumnos para elegir sucesor, y ganó Ono Tadaaki (1565–1628). De ahí nació la Ono-ha Ittō-ryū, la más antigua de sus líneas. Tadaaki enseñó al segundo y al tercer shōgun, junto a Munenori. Se decía que era mejor espadachín que él, pero que su carácter duro lo hacía menos apreciado. La Ono-ha, con la rama Hokushin, influyó mucho en los kata y la estética del kendo moderno.
Más independiente fue Miyamoto Musashi (c. 1584–1645), que afirmaba no haber perdido ninguno de sus más de 60 duelos y fundó la Niten Ichi-ryū, de dos espadas. Hay una historia de un duelo entre el joven Musashi y Bokuden durante una comida, pero es un mito: Bokuden murió 13 años antes de que naciera Musashi.
Del sable al kendo
La Restauración Meiji, en 1868, acabó con la clase samurái. En 1886 la policía japonesa reunió kata de varias escuelas en un conjunto estándar de entrenamiento, y en 1895 nació la Dai Nippon Butoku Kai. En 1912 esta publicó diez kata comunes para unificar la enseñanza, la base de los kata del kendo. Las koryū siguieron, más pequeñas, como tradiciones de familia o de dojo.
Exhibición de Katori Shintō-ryū en Trieste. Autor: antonio · Licencia: CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
Esquema simplificado: muchos estilos tienen más de una raíz.
Curiosidades
Bokuden llamó durante un tiempo a su escuela Mutekatsu-ryū, «vencer sin manos». Se cuenta que, en un barco en el lago Biwa, un matón lo desafió. Bokuden propuso ir a pelear a una isla, y cuando el hombre saltó a tierra, empujó el barco lejos y lo dejó allí. A Bruce Lee le gustaba tanto la historia que la repitió en «Operación Dragón» (1973), como «el arte de luchar sin luchar».
Cronología
s. XVIizasa Ienao funda la Katori Shintō-ryū (tradición).
s. XVITsukahara Bokuden y la línea de Kashima; Kamiizumi crea la Shinkage-ryū.
1565Kamiizumi entrega la Shinkage-ryū a Yagyū Munetoshi.
s. XVIIYagyū e Ittō-ryū se vuelven escuelas oficiales de los sogunes Tokugawa.
1868Restauración Meiji: fin de la clase samurái.
1895Se funda la Dai Nippon Butoku Kai.
1912La Butoku Kai publica diez kata comunes, base del kendo.
1960Katori Shintō-ryū, primer arte marcial declarado bien cultural inmaterial (Chiba).
Koryū (古流) signifie « école ancienne ». Le terme désigne les traditions martiales japonaises fondées avant la Restauration Meiji de 1868, et parmi elles les écoles de sabre, le kenjutsu, sont les plus célèbres. Il n'y a ni compétitions ni championnats. On y travaille des kata à deux, transmis de maître à disciple depuis cinq cents ans.
Un art né de la guerre
Le sabre courbe japonais, le futur katana, apparut à l'époque de Heian. Mais les plus anciennes écoles encore vivantes sont nées à l'époque de Muromachi (1336–1573), un temps de guerres presque incessantes entre seigneurs féodaux. L'entraînement comprenait des techniques de champ de bataille en solo et des kata à deux, avec des sabres en bois massif (bokutō) ou même de vraies lames. Pendant la paix de l'époque d'Edo (1603–1868), les écoles se multiplièrent, et on recense plus de 500 styles.
Katori et Kashima
La plus ancienne est la Tenshin Shōden Katori Shintō-ryū. Elle fut fondée par Iizasa Ienao, lancier et sabreur respecté qui vivait près du sanctuaire de Katori, dans l'actuelle préfecture de Chiba. La tradition date la fondation de 1447, mais certains chercheurs préfèrent vers 1480. Le dieu du sanctuaire, Futsunushi, est vénéré comme esprit du sabre. L'école enseigne le sabre, la lance, la hallebarde et bien d'autres armes. Autrefois, qui voulait entrer signait de son propre sang un serment de loyauté, le keppan. Le 6 mars 1960, elle devint le premier art martial à recevoir du gouvernement japonais le statut de « bien culturel immatériel », avec Ōtake Risuke parmi ses gardiens.
Tsukahara Bokuden (1489–1571) apprit la Katori Shintō-ryū auprès de son père adoptif, puis parcourut le Japon en musha shugyō, le pèlerinage ascétique du guerrier. Selon l'écrivain et pratiquant Tokitsu Kenji, il livra son premier duel à mort à 17 ans, puis 19 autres duels et 37 batailles. Il mourut de mort naturelle. On lui attribue la Kashima Shintō-ryū, fondée vers 1530 et liée au sanctuaire de Kashima, voisin de celui de Katori.
Porte rōmon du sanctuaire de Kashima. Auteur: Kiku-zou · Licence: CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
Kamiizumi et les Yagyū
Kamiizumi Nobutsuna (v. 1508 – mort incertaine, entre 1572 et 1582) créa la Shinkage-ryū. Samouraï, il défendit des châteaux dans la guerre contre Takeda Shingen. On lui attribue l'invention du fukuro shinai, un sabre de lamelles de bambou glissées dans un fourreau de cuir, qui permettait de s'entraîner plus librement sans se briser les os. Son style était plus libre, plus sobre et mieux adapté au duel qu'aux grandes batailles. En 1563, en route vers Kyoto, il rencontra Yagyū Munetoshi (Sekishūsai) et resta six mois au village de Yagyū. En 1565, il lui transmit l'école, qui prit le nom de Yagyū Shinkage-ryū.
Le fils de Munetoshi, Yagyū Munenori, perfectionna le mutō, l'art d'affronter un sabre à mains nues, et fut instructeur des shōguns Tokugawa. À la mort de Munetoshi, en 1606, l'école se divisa en deux branches : celle d'Owari, avec son petit-fils Toshiyoshi, et celle d'Edo, avec Munenori. Le fils de Munenori, Jūbei Mitsuyoshi, devint une figure légendaire.
Ittō-ryū et Musashi
L'Ittō-ryū (« école d'un seul sabre ») fut créée par Itō Ittōsai Kagehisa. Selon la tradition orale, Ittōsai fit combattre sérieusement deux élèves pour choisir son successeur, et Ono Tadaaki (1565–1628) l'emporta. De là naquit l'Ono-ha Ittō-ryū, la plus ancienne de ses lignées. Tadaaki enseigna aux deuxième et troisième shōguns, aux côtés de Munenori. On le disait meilleur sabreur, mais son caractère dur le rendait moins estimé. L'Ono-ha, avec la branche Hokushin, a fortement influencé les kata et l'esthétique du kendo moderne.
Plus indépendant fut Miyamoto Musashi (v. 1584–1645), qui affirmait n'avoir perdu aucun de ses plus de 60 duels et fonda la Niten Ichi-ryū, à deux sabres. On raconte un duel entre le jeune Musashi et Bokuden pendant un repas, mais c'est un mythe : Bokuden mourut 13 ans avant la naissance de Musashi.
Du sabre au kendo
La Restauration Meiji, en 1868, mit fin à la classe des samouraïs. En 1886, la police japonaise rassembla des kata de plusieurs écoles en une série d'entraînement standard, et en 1895 naquit la Dai Nippon Butoku Kai. En 1912, celle-ci publia dix kata communs pour unifier l'enseignement, base des kata du kendo. Les koryū continuèrent, plus modestes, comme traditions familiales ou de dojo.
Démonstration de Katori Shintō-ryū à Trieste. Auteur: antonio · Licence: CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
Schéma simplifié : beaucoup de styles ont plusieurs racines.
Curiosités
Bokuden appela un temps son école Mutekatsu-ryū, « vaincre sans les mains ». On raconte que, sur un bateau du lac Biwa, un voyou le défia. Bokuden proposa d'aller se battre sur une île, et quand l'homme sauta à terre, il repoussa le bateau et l'abandonna là. Bruce Lee aimait tant cette histoire qu'il la reprit dans « Opération Dragon » (1973), comme « l'art de combattre sans combattre ».
Chronologie
XVe s.Iizasa Ienao fonde la Katori Shintō-ryū (tradition).
XVIe s.Tsukahara Bokuden et la lignée de Kashima ; Kamiizumi crée la Shinkage-ryū.
1565Kamiizumi transmet la Shinkage-ryū à Yagyū Munetoshi.
XVIIe s.Yagyū et Ittō-ryū deviennent écoles officielles des shoguns Tokugawa.
1868Restauration Meiji : fin de la classe des samouraïs.
1895Fondation de la Dai Nippon Butoku Kai.
1912La Butoku Kai publie dix kata communs, base du kendo.
1960La Katori Shintō-ryū, premier art martial classé bien culturel immatériel (Chiba).