Durante décadas, muitos combates de karaté paravam a milímetros do impacto. Um homem achou que isso não chegava: queria saber se as técnicas funcionavam mesmo quando acertavam. Chamou à sua escola Kyokushin, «a verdade última», e dela nasceu toda uma família de karaté de contacto total.
Origens: de Gimje a Tóquio
Mas Oyama nasceu Choi Yeong-eui a 27 de julho de 1923, em Gimje, na Coreia. Em criança foi enviado para a quinta de uma irmã na Manchúria e aí, aos nove anos, começou a aprender artes marciais chinesas com um trabalhador da quinta chamado Lee, a quem sempre chamou o seu primeiro mestre. Em março de 1938 partiu para o Japão, onde adotou o nome japonês Ōyama Masutatsu.
Depois da guerra treinou no dojo Shotokan dirigido por Gigō Funakoshi, filho de Gichin Funakoshi, e mais tarde dois anos com o próprio Gichin. Estudou depois Gōjū-ryū durante vários anos com So Nei-chu, um compatriota coreano e aluno sénior de Chōjun Miyagi. Treinou também com Kōtarō Yoshida, que mais tarde descreveu como o maior dos seus mestres. Quem os apresentou foi o seu amigo Richard Kim.
A lenda fez-se nas montanhas. Oyama propôs-se treinar três anos sozinho no monte Minobu, mas ficou apenas catorze meses, porque o seu patrocinador deixou de o apoiar. Depois de vencer a secção de karaté de um campeonato nacional de artes marciais, voltou ao isolamento, desta vez dezoito meses no monte Kiyosumi. A sua única leitura, contava, era o Livro dos Cinco Anéis de Miyamoto Musashi.
Ōyama Masutatsu a demonstrar karaté. Autor: 日本スポーツ出版社 · Licença: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
Do Oyama Dojo ao Kyokushinkaikan
Em 1953 Oyama abriu o seu primeiro dojo em Tóquio. Começou num terreno vazio e em 1956 mudou-se para uma escola de ballet. O treino era duro: contacto real no combate, lesões frequentes, e a quebra de tábuas, telhas e tijolos tornou-se a imagem de marca. Nas palavras de Oyama, karaté sem quebras era «uma árvore de fruto que não dá fruto». Em demonstrações públicas chegou a deixar touros inconscientes com as mãos nuas. Em 1957 o estilo recebeu o nome Kyokushin.
Em 1964 abriu a sede em Ikebukuro, Tóquio, e com ela a International Karate Organization Kyokushin kaikan (IKO). Oyama enviou instrutores para abrir escolas no estrangeiro. Kenji Kurosaki foi para os Países Baixos, Tadashi Nakamura e Miyuki Miura para os Estados Unidos, e Seiji Isobe para o Brasil. Estrangeiros como Steve Arneil, Jon Bluming e Howard Collins foram a Tóquio treinar com ele.
As regras de knockdown
O Kyokushin popularizou o combate «knockdown»: sem luvas, socos com toda a força ao corpo, pontapés às pernas, ao tronco e à cabeça, joelhadas permitidas. Golpes de mão e de cotovelo à cara ou ao pescoço não são permitidos. Vence quem derruba ou domina claramente o adversário. O primeiro Open de todo o Japão realizou-se em 1969, e o primeiro Open Mundial em Tóquio em 1975. Desde então há mundiais de quatro em quatro anos.
O treino assenta em três «K»: kihon (bases), kata (formas) e kumite (combate). Os kata «do norte» vêm do Shotokan que Oyama aprendeu com Funakoshi. Os «do sul» vêm sobretudo do Gōjū-ryū. Muitos kata fazem-se também «ura», em espelho, para desenvolver o equilíbrio e as técnicas circulares. A prova suprema é o kumite de 100 homens: cem combates seguidos, cada um contra um adversário fresco, durante duas horas e meia a quatro horas. Muito poucos o completaram. Entre eles estão o próprio Oyama, Steve Arneil, Shokei Matsui e Francisco Filho.
Mural em Szentes (Hungria) que recorda o torneio mundial de Kyokushin de 2009 (foto de 2019). Autor: Globetrotter19 · Licença: CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
A árvore do contacto total
Vários alunos de Oyama seguiram caminho próprio. Hideyuki Ashihara criou o Ashihara Kaikan em 1980. Assenta no «sabaki»: sair da linha de ataque e contra-atacar de lado. Dele saiu o Enshin Kaikan de Joko Ninomiya (1988), que acrescenta agarrar e projetar. Kazuyoshi Ishii fundou o Seidokaikan e em 1993 lançou o K-1, que levou o kickboxing às massas. Takashi Azuma criou o Daidō Juku, hoje Kūdō, com capacete, socos à cara, projeções e luta no chão.
Esquema simplificado: muitos estilos têm mais de uma raiz.
Hoje e as federações
Oyama morreu de cancro do pulmão em abril de 1994, aos 70 anos, sem nomear sucessor. O Kyokushin era já uma das maiores organizações de artes marciais do mundo. Nos anos 1990 tinha mais de mil dojos oficiais em mais de 120 países. Após a sua morte, a IKO dividiu-se por causa da sucessão. O grupo liderado por Shokei Matsui ficou com o nome IKO, e outros formaram a IKO-2, a IKO-3 e assim por diante. Algumas ruturas tinham vindo antes. Jon Bluming saiu em 1980 para fundar o Budo Kai Kan, e em 1991 Steve Arneil tirou o Kyokushin britânico da IKO para criar a IFK. Hoje várias organizações reclamam o nome, mas partilham as mesmas regras de knockdown e o mesmo espírito de pôr tudo à prova em combate real.
Curiosidades
A vida de Oyama inspirou o mangá Karate Baka Ichidai («Fanático do karaté»), escrito por Ikki Kajiwara a partir das histórias que Oyama lhe contou. O seu livro What is Karate, de 1958, foi um êxito de vendas e foi traduzido para inglês, francês e húngaro. Durante algum tempo o estilo foi alcunhado «kenka karate», «karaté de rixa». Oyama não gostava do nome.
Linha do tempo
1923Nasce Ōyama Masutatsu (Choi Yeong-eui), na Coreia.
1953Oyama abre o seu primeiro dojo em Tóquio.
1957O estilo recebe o nome Kyokushin.
1964Fundação do Kyokushinkaikan em Tóquio.
19691.º Open de todo o Japão.
19751.º Campeonato Mundial Open de Kyokushin.
1980Ashihara Kaikan e Seidokaikan são fundados.
1981Azuma Takashi cria o Daidō Juku (Kūdō).
1988Ninomiya Jōkō funda o Enshin Kaikan.
1993Seidokaikan lança o K-1.
1994Morre Ōyama; o Kyokushin divide-se em várias organizações.
For decades many karate bouts stopped just short of impact. One man decided that was not enough: he wanted to know whether the techniques really worked when they landed. He called his school Kyokushin, "the ultimate truth", and from it came a whole family of full-contact karate styles.
Origins: from Gimje to Tokyo
Mas Oyama was born Choi Yeong-eui on 27 July 1923 in Gimje, Korea. As a boy he was sent to his sister's farm in Manchuria, and there, at the age of nine, he began learning Chinese martial arts from a farm worker named Lee, whom he always called his first teacher. In March 1938 he left for Japan. At some point he took the Japanese name Ōyama Masutatsu.
After the war he trained at the Shotokan dojo run by Gigō Funakoshi, son of Gichin Funakoshi, and later for two years under Gichin himself. He then studied Gōjū-ryū for several years with So Nei-chu, a fellow Korean and senior student of Chōjun Miyagi. He also trained with Kōtarō Yoshida, whom he later called the greatest of his teachers. His friend Richard Kim had introduced them.
The legend grew in the mountains. Oyama set out to spend three years training alone on Mount Minobu, but stayed only fourteen months, after his sponsor stopped supporting him. After winning the karate section of a national martial arts championship, he went back into solitude, this time for eighteen months on Mount Kiyosumi. His only reading, he said, was Miyamoto Musashi's Book of Five Rings.
In 1953 Oyama opened his first dojo in Tokyo. At first it was in an empty lot, and in 1956 it moved into a ballet school. The training was hard: real contact in sparring, injuries were common, and breaking boards, tiles and bricks became a trademark. In Oyama's words, karate without breaking was "a fruit tree that bears no fruit". At public demonstrations he even knocked bulls unconscious with his bare hands. In 1957 the style received the name Kyokushin.
In 1964 the headquarters dojo opened in Ikebukuro, Tokyo, together with the International Karate Organization Kyokushin kaikan (IKO). Oyama sent instructors abroad to open schools. Kenji Kurosaki went to the Netherlands, Tadashi Nakamura and Miyuki Miura to the United States, and Seiji Isobe to Brazil. Foreigners such as Steve Arneil, Jon Bluming and Howard Collins went to Tokyo to train with him.
Knockdown rules
Kyokushin popularised "knockdown" fighting: no gloves, full-power punches to the body, kicks to the legs, body and head, knees allowed. Hand and elbow strikes to the face or neck are not allowed. You win by knocking down or clearly dominating your opponent. The first All-Japan Open was held in 1969, and the first World Open in Tokyo in 1975. World championships have been held every four years since then.
Training rests on three "K"s: kihon (basics), kata (forms) and kumite (sparring). The northern kata come from the Shotokan Oyama learned with Funakoshi. The southern kata come mostly from Gōjū-ryū. Many kata are also performed "ura", mirrored, to develop balance and circular techniques. The ultimate test is the 100-man kumite: a hundred rounds in a row, each against a fresh opponent, lasting between two and a half and four hours. Very few have completed it. Among them are Oyama himself, Steve Arneil, Shokei Matsui and Francisco Filho.
Memorial wall in Szentes, Hungary, recalling the 2009 Kyokushin world tournament (photo from 2019). Author: Globetrotter19 · Licence: CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
The full-contact family tree
Several of Oyama's students went their own way. Hideyuki Ashihara created Ashihara Kaikan in 1980. It is built on "sabaki": stepping off the line of attack and countering from the side. From it came the Enshin Kaikan of Joko Ninomiya (1988), which adds grabbing and throwing. Kazuyoshi Ishii founded Seidokaikan and in 1993 launched K-1, which took kickboxing to a mass audience. Takashi Azuma created Daidō Juku, now Kūdō, with headgear, face punches, throws and groundwork.
Simplified chart: many styles have more than one root.
Today and federations
Oyama died of lung cancer in April 1994, aged 70, without naming a successor. Kyokushin was already one of the largest martial arts organisations in the world. In the 1990s it had more than a thousand official dojos in over 120 countries. After his death the IKO split over the succession. The group led by Shokei Matsui kept the name IKO, and other groups formed IKO-2, IKO-3 and so on. Some splits had come even earlier. Jon Bluming left in 1980 to found the Budo Kai Kan, and in 1991 Steve Arneil took British Kyokushin out of the IKO to create the IFK. Today several organisations claim the name, but they share the same knockdown rules and the same spirit of testing everything in real fighting.
Curiosities
Oyama's life inspired the manga Karate Baka Ichidai ("Karate Fanatic"), written by Ikki Kajiwara from stories Oyama told him. His 1958 book What is Karate became a best-seller and was translated into English, French and Hungarian. For a while the style was nicknamed "kenka karate", "brawling karate". Oyama disliked the name.
Timeline
1923Ōyama Masutatsu (Choi Yeong-eui) born in Korea.
1953Oyama opens his first dojo in Tokyo.
1957The style is named Kyokushin.
1964Kyokushinkaikan founded in Tokyo.
19691st All-Japan Open.
19751st Kyokushin World Open.
1980Ashihara Kaikan and Seidokaikan founded.
1981Azuma Takashi founds Daidō Juku (Kūdō).
1988Ninomiya Jōkō founds Enshin Kaikan.
1993Seidokaikan launches K-1.
1994Ōyama dies; Kyokushin splits into several organisations.
Durante décadas, muchos combates de kárate se detenían a milímetros del impacto. Un hombre decidió que eso no bastaba: quería saber si las técnicas funcionaban de verdad cuando golpeaban. Llamó a su escuela Kyokushin, «la verdad última», y de ella nació toda una familia de kárate de contacto pleno.
Orígenes: de Gimje a Tokio
Mas Oyama nació como Choi Yeong-eui el 27 de julio de 1923 en Gimje, Corea. De niño lo enviaron a la granja de una hermana en Manchuria y allí, a los nueve años, empezó a aprender artes marciales chinas con un trabajador de la granja llamado Lee, a quien siempre llamó su primer maestro. En marzo de 1938 se marchó a Japón, donde adoptó el nombre japonés Ōyama Masutatsu.
Después de la guerra entrenó en el dojo Shotokan dirigido por Gigō Funakoshi, hijo de Gichin Funakoshi, y más tarde dos años con el propio Gichin. Luego estudió Gōjū-ryū durante varios años con So Nei-chu, un compatriota coreano y alumno veterano de Chōjun Miyagi. También entrenó con Kōtarō Yoshida, a quien más tarde llamó el más grande de sus maestros. Se los presentó su amigo Richard Kim.
La leyenda nació en las montañas. Oyama se propuso entrenar tres años en soledad en el monte Minobu, pero solo se quedó catorce meses, porque su patrocinador dejó de apoyarlo. Tras ganar la sección de kárate de un campeonato nacional de artes marciales, volvió al aislamiento, esta vez dieciocho meses en el monte Kiyosumi. Su única lectura, decía, era el Libro de los cinco anillos de Miyamoto Musashi.
Ōyama Masutatsu en una demostración de kárate. Autor: 日本スポーツ出版社 · Licencia: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
Del Oyama Dojo al Kyokushinkaikan
En 1953 Oyama abrió su primer dojo en Tokio. Empezó en un solar vacío y en 1956 se trasladó a una escuela de ballet. El entrenamiento era duro: contacto real en el combate, lesiones frecuentes, y romper tablas, tejas y ladrillos se convirtió en su sello. En palabras de Oyama, un kárate sin rompimientos era «un árbol frutal que no da fruto». En exhibiciones públicas llegó a dejar inconscientes a toros con las manos desnudas. En 1957 el estilo recibió el nombre de Kyokushin.
En 1964 se inauguró la sede en Ikebukuro, Tokio, junto con la International Karate Organization Kyokushin kaikan (IKO). Oyama envió instructores a abrir escuelas en el extranjero. Kenji Kurosaki fue a los Países Bajos, Tadashi Nakamura y Miyuki Miura a Estados Unidos, y Seiji Isobe a Brasil. Extranjeros como Steve Arneil, Jon Bluming y Howard Collins viajaron a Tokio para entrenar con él.
Las reglas de knockdown
El Kyokushin popularizó el combate «knockdown»: sin guantes, puñetazos a plena potencia al cuerpo, patadas a las piernas, al tronco y a la cabeza, rodillazos permitidos. Los golpes de mano y de codo a la cara o al cuello no están permitidos. Gana quien derriba o domina claramente al rival. El primer Open de todo Japón se celebró en 1969, y el primer Open Mundial en Tokio en 1975. Desde entonces hay mundiales cada cuatro años.
El entrenamiento se basa en tres «K»: kihon (básicos), kata (formas) y kumite (combate). Los kata «del norte» proceden del Shotokan que Oyama aprendió con Funakoshi. Los «del sur» proceden sobre todo del Gōjū-ryū. Muchos kata se hacen también «ura», en espejo, para desarrollar el equilibrio y las técnicas circulares. La prueba suprema es el kumite de 100 hombres: cien asaltos seguidos, cada uno contra un rival fresco, durante entre dos horas y media y cuatro horas. Muy pocos lo han completado. Entre ellos están el propio Oyama, Steve Arneil, Shokei Matsui y Francisco Filho.
Mural en Szentes (Hungría) que recuerda el torneo mundial de Kyokushin de 2009 (foto de 2019). Autor: Globetrotter19 · Licencia: CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
El árbol del contacto pleno
Varios alumnos de Oyama siguieron su propio camino. Hideyuki Ashihara creó el Ashihara Kaikan en 1980. Se basa en el «sabaki»: salir de la línea de ataque y contraatacar desde el lado. De él surgió el Enshin Kaikan de Joko Ninomiya (1988), que añade agarres y proyecciones. Kazuyoshi Ishii fundó el Seidokaikan y en 1993 lanzó el K-1, que llevó el kickboxing al gran público. Takashi Azuma creó el Daidō Juku, hoy Kūdō, con casco, puñetazos a la cara, proyecciones y lucha en el suelo.
Esquema simplificado: muchos estilos tienen más de una raíz.
Hoy y las federaciones
Oyama murió de cáncer de pulmón en abril de 1994, a los 70 años, sin nombrar sucesor. El Kyokushin ya era una de las mayores organizaciones de artes marciales del mundo. En los años noventa tenía más de mil dojos oficiales en más de 120 países. Tras su muerte, la IKO se dividió por la sucesión. El grupo liderado por Shokei Matsui conservó el nombre IKO, y otros formaron la IKO-2, la IKO-3 y así sucesivamente. Algunas rupturas habían llegado antes. Jon Bluming se marchó en 1980 para fundar el Budo Kai Kan, y en 1991 Steve Arneil sacó el Kyokushin británico de la IKO para crear la IFK. Hoy varias organizaciones reclaman el nombre, pero comparten las mismas reglas de knockdown y el mismo espíritu de ponerlo todo a prueba en combate real.
Curiosidades
La vida de Oyama inspiró el manga Karate Baka Ichidai («Fanático del kárate»), escrito por Ikki Kajiwara a partir de las historias que Oyama le contó. Su libro What is Karate, de 1958, fue un éxito de ventas y se tradujo al inglés, al francés y al húngaro. Durante un tiempo el estilo recibió el apodo de «kenka karate», «kárate de pelea callejera». A Oyama no le gustaba ese nombre.
Cronología
1923Nace Ōyama Masutatsu (Choi Yeong-eui) en Corea.
1953Oyama abre su primer dojo en Tokio.
1957El estilo recibe el nombre de Kyokushin.
1964Fundación del Kyokushinkaikan en Tokio.
19691.er Open de todo Japón.
19751.er Mundial Open de Kyokushin.
1980Se fundan Ashihara Kaikan y Seidokaikan.
1981Azuma Takashi crea el Daidō Juku (Kūdō).
1988Ninomiya Jōkō funda el Enshin Kaikan.
1993Seidokaikan lanza el K-1.
1994Muere Ōyama; el Kyokushin se divide en varias organizaciones.
Pendant des décennies, beaucoup de combats de karaté s'arrêtaient à un souffle de l'impact. Un homme a jugé que cela ne suffisait pas : il voulait savoir si les techniques fonctionnaient vraiment quand elles touchaient. Il a appelé son école Kyokushin, « la vérité ultime », et elle a donné naissance à toute une famille de karaté au contact.
Origines : de Gimje à Tokyo
Mas Oyama est né Choi Yeong-eui le 27 juillet 1923 à Gimje, en Corée. Enfant, il est envoyé dans la ferme d'une sœur en Mandchourie et, à neuf ans, il y commence les arts martiaux chinois auprès d'un ouvrier agricole nommé Lee, qu'il a toujours appelé son premier maître. En mars 1938, il part pour le Japon, où il adopte le nom japonais Ōyama Masutatsu.
Après la guerre, il s'entraîne au dojo Shotokan dirigé par Gigō Funakoshi, fils de Gichin Funakoshi, puis pendant deux ans auprès de Gichin lui-même. Il étudie ensuite le Gōjū-ryū pendant plusieurs années avec So Nei-chu, un compatriote coréen et élève avancé de Chōjun Miyagi. Il s'entraîne aussi avec Kōtarō Yoshida, qu'il désignera plus tard comme le plus grand de ses maîtres. C'est son ami Richard Kim qui les a présentés.
La légende est née dans les montagnes. Oyama veut passer trois ans à s'entraîner seul sur le mont Minobu, mais il n'y reste que quatorze mois, son mécène ayant cessé de le soutenir. Après avoir remporté la section karaté d'un championnat national d'arts martiaux, il repart dans la solitude, cette fois dix-huit mois sur le mont Kiyosumi. Sa seule lecture, racontait-il, était le Traité des cinq roues de Miyamoto Musashi.
Ōyama Masutatsu en démonstration de karaté. Auteur: 日本スポーツ出版社 · Licence: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
De l'Oyama Dojo au Kyokushinkaikan
En 1953, Oyama ouvre son premier dojo à Tokyo. Il commence sur un terrain vague et, en 1956, s'installe dans une école de ballet. L'entraînement est rude : contact réel en combat, blessures fréquentes, et la casse de planches, de tuiles et de briques devient la marque de fabrique du style. Selon Oyama, un karaté sans casse était « un arbre fruitier qui ne donne pas de fruits ». Lors de démonstrations publiques, il assomme même des taureaux à mains nues. En 1957, le style reçoit le nom de Kyokushin.
En 1964, le dojo central ouvre à Ikebukuro, à Tokyo, en même temps que l'International Karate Organization Kyokushin kaikan (IKO). Oyama envoie des instructeurs ouvrir des écoles à l'étranger. Kenji Kurosaki part aux Pays-Bas, Tadashi Nakamura et Miyuki Miura aux États-Unis, et Seiji Isobe au Brésil. Des étrangers comme Steve Arneil, Jon Bluming et Howard Collins viennent à Tokyo s'entraîner avec lui.
Les règles knockdown
Le kyokushin a popularisé le combat « knockdown » : sans gants, coups de poing à pleine puissance au corps, coups de pied aux jambes, au tronc et à la tête, coups de genou autorisés. Les coups de poing et de coude au visage ou au cou sont interdits. On gagne en mettant l'adversaire au sol ou en le dominant nettement. Le premier Open de tout le Japon a lieu en 1969, et le premier Open mondial à Tokyo en 1975. Depuis, les championnats du monde se tiennent tous les quatre ans.
L'entraînement repose sur trois « K » : kihon (bases), kata (formes) et kumite (combat). Les kata « du Nord » viennent du Shotokan qu'Oyama a appris avec Funakoshi. Ceux « du Sud » viennent surtout du Gōjū-ryū. Beaucoup de kata se pratiquent aussi en « ura », en miroir, pour développer l'équilibre et les techniques circulaires. L'épreuve suprême est le kumite des 100 hommes : cent combats d'affilée, chacun contre un adversaire frais, pendant deux heures et demie à quatre heures. Très peu l'ont réussi. Parmi eux figurent Oyama lui-même, Steve Arneil, Shokei Matsui et Francisco Filho.
Mur commémoratif à Szentes (Hongrie) rappelant le tournoi mondial de kyokushin de 2009 (photo de 2019). Auteur: Globetrotter19 · Licence: CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
L'arbre du plein contact
Plusieurs élèves d'Oyama ont suivi leur propre voie. Hideyuki Ashihara fonde l'Ashihara Kaikan en 1980. Il repose sur le « sabaki » : sortir de la ligne d'attaque et contre-attaquer de côté. Il donne naissance à l'Enshin Kaikan de Joko Ninomiya (1988), qui ajoute saisies et projections. Kazuyoshi Ishii fonde le Seidokaikan et lance en 1993 le K-1, qui fait connaître le kickboxing au grand public. Takashi Azuma crée le Daidō Juku, aujourd'hui Kūdō, avec casque, coups de poing au visage, projections et combat au sol.
Schéma simplifié : beaucoup de styles ont plusieurs racines.
Aujourd'hui et les fédérations
Oyama meurt d'un cancer du poumon en avril 1994, à 70 ans, sans avoir désigné de successeur. Le kyokushin est alors l'une des plus grandes organisations d'arts martiaux au monde. Dans les années 1990, il compte plus de mille dojos officiels dans plus de 120 pays. Après sa mort, l'IKO se divise sur la question de la succession. Le groupe mené par Shokei Matsui garde le nom IKO, et d'autres forment l'IKO-2, l'IKO-3 et ainsi de suite. Certaines ruptures étaient plus anciennes. Jon Bluming était parti dès 1980 pour fonder le Budo Kai Kan, et en 1991 Steve Arneil avait sorti le kyokushin britannique de l'IKO pour créer l'IFK. Aujourd'hui, plusieurs organisations revendiquent le nom, mais toutes partagent les mêmes règles knockdown et le même esprit : tout mettre à l'épreuve en combat réel.
Curiosités
La vie d'Oyama a inspiré le manga Karate Baka Ichidai (« Le fou du karaté »), écrit par Ikki Kajiwara d'après les histoires qu'Oyama lui racontait. Son livre What is Karate, paru en 1958, est devenu un succès de librairie et a été traduit en anglais, en français et en hongrois. Pendant un temps, le style a été surnommé « kenka karate », le « karaté de bagarre ». Oyama n'aimait pas ce nom.
Chronologie
1923Naissance d'Ōyama Masutatsu (Choi Yeong-eui) en Corée.
1953Oyama ouvre son premier dojo à Tokyo.
1957Le style reçoit le nom de Kyokushin.
1964Fondation du Kyokushinkaikan à Tokyo.
19691er Open de tout le Japon.
19751er championnat du monde open de kyokushin.
1980Fondation de l'Ashihara Kaikan et du Seidokaikan.
1981Azuma Takashi fonde le Daidō Juku (Kūdō).
1988Ninomiya Jōkō fonde l'Enshin Kaikan.
1993Le Seidokaikan lance le K-1.
1994Mort d'Ōyama ; le kyokushin se divise en plusieurs organisations.