A luta é talvez o desporto de combate mais antigo do mundo. Aparece em pinturas de túmulos egípcios e entrou nos Jogos de Olímpia em 708 a.C. Os Jogos modernos têm dois estilos diferentes, e a diferença está nas pernas.
Origens: de Olímpia às feiras
Na Grécia antiga a luta era parte central da vida atlética, e Platão usava a palavra orthopale para a sua parte em pé. A sua maior estrela foi Mílon de Crotona, que venceu a luta de rapazes nos Jogos de 540 a.C. e depois ganhou mais cinco vezes o título de adultos. Autores antigos, de Heródoto a Aristóteles, falam dele, embora muitas histórias sobre a sua força sejam lenda.
A luta moderna ganhou forma muito mais tarde, em dois lugares distintos. Na França do século XIX, lutadores de feira inspiravam-se numa imagem romântica da Antiguidade. Na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos crescia um estilo mais solto, em que se podia agarrar onde se conseguisse.
Greco-romana
Apesar do nome, a luta greco-romana foi codificada em França. Segundo a United World Wrestling, a federação mundial, foi desenvolvida primeiro por um soldado napoleónico chamado Jean Exbrayat. Atuava em feiras e chamava-lhe «luta de mão aberta», para a distinguir dos combates em que se podia bater. Em 1848 Exbrayat fixou a regra que ainda hoje define o estilo: nada de pegas abaixo da cintura, nem pegas dolorosas ou torções feitas para magoar o adversário.
Assim, as pernas não podem atacar nem ser atacadas. Tudo se passa da anca para cima: clinches, puxões de braço, cinturas e os grandes momentos do estilo, as projeções em arco em que um lutador levanta o adversário e o faz passar por cima do próprio ombro. Esteve nos primeiros Jogos modernos, em Atenas, em 1896.
Combate de greco-romana num festival universitário. Autor: Ricco Baroni · Licença: CC0 · Wikimedia Commons
Luta livre
A luta livre vem do catch-as-catch-can inglês e americano. Nos Estados Unidos a luta era tão popular que vários presidentes a praticaram, entre eles George Washington e Abraham Lincoln. A luta livre permite atacar as pernas, rasteiras, varrimentos e quedas baixas como a pega a uma perna e a duas pernas. Estreou-se nos Jogos de 1904, em St. Louis. A luta feminina, disputada só neste estilo, entrou nos Jogos em 2004.
Luta livre feminina no torneio europeu de qualificação olímpica de 2024. Autor: Azerbaijan Wrestling Federation · Licença: CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Regras e técnicas
Os combates fazem-se num tapete circular. Os lutadores usam um maillot inteiriço, vermelho ou azul, e levam um lenço, o «bloodrag», para o caso de sangrarem. O protetor de orelhas é opcional, e quem não o usa arrisca a famosa «orelha de couve-flor». A faixa vermelha à volta chama-se zona de passividade, porque ajuda os árbitros a ver quem está a fugir ao contacto.
Ganha-se de imediato por «encostamento», prendendo os dois ombros do adversário no tapete, ou por pontos. A pontuação mais alta, cinco pontos, vai para uma projeção de «grande amplitude», que tira o adversário do tapete de modo que os pés lhe passem diretamente por cima da cabeça. Na greco-romana, a luta no chão (par terre) acontece hoje sobretudo depois de uma queda ou como castigo por passividade. As regras modernas favorecem o ataque em pé.
Figuras principais
O sueco Carl Westergren foi o primeiro a ganhar três ouros olímpicos na greco-romana, em 1920, 1924 e 1932. Aleksandr Karelin fez o mesmo em 1988, 1992 e 1996, e os seus doze títulos olímpicos e mundiais tornaram-se a referência da modalidade. Em Paris 2024 veio um novo recorde. O cubano Mijaín López venceu os 130 kg e tornou-se o primeiro atleta da história olímpica moderna a ganhar cinco ouros seguidos na mesma prova individual. Na luta livre feminina, a japonesa Kaori Icho foi campeã em 2004, 2008, 2012 e 2016. Foi a primeira mulher, em qualquer desporto, a vencer uma prova individual em quatro Jogos seguidos.
Aleksandr Karelin em 2013. Autor: A.Savin · Licença: CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
Hoje e as federações
Desde 1921 é o organismo hoje chamado United World Wrestling (UWW, antiga FILA) que escreve as regras. Tem sede perto de Lausana, na Suíça, e rege também o grappling, a luta de praia, o pancrácio e a luta de cinto. O lugar da luta nos Jogos não está garantido. Em 2013 a comissão executiva do Comité Olímpico Internacional recomendou retirá-la dos Jogos de 2020. Depois de uma campanha do mundo da luta, o COI reverteu a decisão nesse mesmo ano.
Em Paris 2024 houve 18 categorias: seis na greco-romana masculina, seis na livre masculina e seis na livre feminina. Muitos campeões de artes marciais mistas começaram no tapete da luta, onde o controlo e as quedas se aprendem desde o primeiro dia.
Esquema simplificado: muitos estilos têm mais de uma raiz.
Curiosidades
Antes de haver limites de tempo, os combates podiam durar muitíssimo. Nos Jogos de 1912, em Estocolmo, um combate de greco-romana entre Martin Klein, que representava a Rússia, e o finlandês Alfred Asikainen durou onze horas e quarenta minutos, até Klein vencer.
Linha do tempo
708 a.C.A luta entra nos Jogos de Olímpia.
540 a.C.Mílon de Crotona vence a luta de rapazes em Olímpia.
séc. XIXEm França codifica-se a luta «greco-romana».
1848Exbrayat proíbe as pegas abaixo da cintura.
1896Greco-romana nos primeiros Jogos modernos.
1904Estreia da luta livre olímpica, em St. Louis.
1912Klein e Asikainen lutam 11 h 40 min em Estocolmo.
1921O futuro UWW passa a fixar as regras.
2004Luta feminina entra nos Jogos.
2013O COI retira e depois repõe a luta no programa olímpico.
2024Paris 2024: 18 categorias; quinto ouro seguido de Mijaín López.
Wrestling is perhaps the oldest combat sport in the world. It appears in Egyptian tomb paintings and entered the Olympia Games in 708 BC. The modern Games have two different styles, and the difference is in the legs.
Origins: from Olympia to the fairgrounds
In ancient Greece wrestling was a central part of athletic life, and Plato used the word orthopale for its standing part. Its greatest star was Milo of Croton, who won the boys' wrestling at the 540 BC Olympics and then won the men's title five more times. Ancient authors from Herodotus to Aristotle mention him, though many stories about his strength are legend.
Modern wrestling took shape much later, in two separate places. In 19th-century France fairground wrestlers drew on a romantic image of antiquity. In Britain and the United States a looser style was growing in which you could grab wherever you could.
Greco-Roman
Despite its name, Greco-Roman wrestling was codified in France. According to United World Wrestling, the world governing body, it was first developed by a Napoleonic soldier named Jean Exbrayat. He performed at fairs and called it "flat hand wrestling" to set it apart from fighting that allowed blows. In 1848 Exbrayat set the rule that defines the style to this day: no holds below the waist, and no painful holds or twists meant to hurt the opponent.
So the legs may neither attack nor be attacked. Everything happens from the hips up: clinches, arm drags, body locks and the style's great moments, the arching throws in which a wrestler lifts his opponent and carries him over his own shoulder. It was at the first modern Games in Athens in 1896.
A Greco-Roman bout at a university sports festival. Author: Ricco Baroni · Licence: CC0 · Wikimedia Commons
Freestyle
Freestyle comes from English and American catch-as-catch-can. In the United States wrestling was so popular that several presidents had wrestled, among them George Washington and Abraham Lincoln. Freestyle allows leg attacks, trips, sweeps and low takedowns such as the single-leg and double-leg. It made its Olympic debut at the 1904 Games in St. Louis. Women's wrestling, which is contested only in this style, joined the Games in 2004.
Women's freestyle at the 2024 European Olympic qualification tournament. Author: Azerbaijan Wrestling Federation · Licence: CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Rules and techniques
Bouts are held on a round mat. Wrestlers wear a one-piece singlet, red or blue, and carry a handkerchief, the "bloodrag", in case of bleeding. Headgear is optional, and wrestlers who leave it off risk the famous "cauliflower ear". The red band around the edge is called the passivity zone, because it helps referees spot a wrestler who is avoiding contact.
You win outright with a "fall", pinning both of the opponent's shoulders to the mat, or on points. The highest score, five points, goes to a "grand amplitude" throw, one that takes the opponent off the mat so that his feet pass directly above his head. In Greco-Roman, wrestling on the mat (par terre) now happens mainly after a takedown or as a penalty for passivity. The modern rules favour attacking on the feet.
Key people
Swede Carl Westergren was the first to win three Greco-Roman Olympic golds, in 1920, 1924 and 1932. Aleksandr Karelin did the same in 1988, 1992 and 1996, and his twelve Olympic and world titles became the benchmark of the sport. A new record came at Paris 2024. Cuba's Mijaín López won the 130 kg event and became the first athlete in modern Olympic history to win five consecutive golds in the same individual event. In women's freestyle, Japan's Kaori Icho won gold in 2004, 2008, 2012 and 2016. She was the first woman in any sport to win an individual event at four consecutive Olympics.
Aleksandr Karelin in 2013. Author: A.Savin · Licence: CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
Today and federations
Since 1921 the body now called United World Wrestling (UWW, formerly FILA) has written the rules. It is based near Lausanne, Switzerland, and also governs grappling, beach wrestling, pankration and belt wrestling. Wrestling's place in the Olympics is not guaranteed. In 2013 the executive board of the International Olympic Committee recommended dropping it from the 2020 Games. After a campaign by the wrestling world, the IOC reversed the decision later that same year.
At Paris 2024 there were 18 weight classes: six in men's Greco-Roman, six in men's freestyle and six in women's freestyle. Many mixed martial arts champions started on the wrestling mat, where control and takedowns are learned from the very first day.
Simplified chart: many styles have more than one root.
Curiosities
Before time limits, bouts could last a very long time. At the 1912 Olympics in Stockholm, a Greco-Roman match between Martin Klein, representing Russia, and Alfred Asikainen of Finland lasted eleven hours and forty minutes before Klein won.
Timeline
708 a.C.Wrestling enters the Olympia Games.
540 a.C.Milo of Croton wins the boys' wrestling at Olympia.
19th c.'Greco-Roman' wrestling is codified in France.
1848Exbrayat bans holds below the waist.
1896Greco-Roman at the first modern Games.
1904Freestyle's Olympic debut in St. Louis.
1912Klein and Asikainen wrestle for 11 h 40 min in Stockholm.
La lucha es quizá el deporte de combate más antiguo del mundo. Aparece en pinturas de tumbas egipcias y entró en los Juegos de Olimpia en el 708 a. C. Los Juegos modernos tienen dos estilos distintos, y la diferencia está en las piernas.
Orígenes: de Olimpia a las ferias
En la Grecia antigua la lucha era una parte central de la vida atlética, y Platón usaba la palabra orthopale para su parte de pie. Su mayor estrella fue Milón de Crotona, que ganó la lucha de muchachos en los Juegos del 540 a. C. y después ganó cinco veces más el título de adultos. Autores antiguos, de Heródoto a Aristóteles, hablan de él, aunque muchas historias sobre su fuerza son leyenda.
La lucha moderna tomó forma mucho más tarde, en dos lugares distintos. En la Francia del siglo XIX, los luchadores de feria se inspiraban en una imagen romántica de la Antigüedad. En Gran Bretaña y Estados Unidos crecía un estilo más libre, en el que se podía agarrar donde se pudiera.
Grecorromana
Pese a su nombre, la lucha grecorromana se codificó en Francia. Según United World Wrestling, la federación mundial, la desarrolló primero un soldado napoleónico llamado Jean Exbrayat. Actuaba en ferias y la llamaba «lucha de mano plana», para distinguirla de los combates en que se golpeaba. En 1848 Exbrayat fijó la regla que todavía define el estilo: nada de agarres por debajo de la cintura, ni llaves dolorosas o torsiones hechas para lastimar al rival.
Así, las piernas no pueden atacar ni ser atacadas. Todo ocurre de la cadera hacia arriba: clinches, arrastres de brazo, cinturas y los grandes momentos del estilo, las proyecciones en arco en que un luchador levanta al rival y lo hace pasar por encima de su propio hombro. Estuvo en los primeros Juegos modernos, en Atenas, en 1896.
Combate de grecorromana en un festival universitario. Autor: Ricco Baroni · Licencia: CC0 · Wikimedia Commons
Lucha libre
La lucha libre procede del catch-as-catch-can inglés y estadounidense. En Estados Unidos la lucha era tan popular que varios presidentes la practicaron, entre ellos George Washington y Abraham Lincoln. La lucha libre permite atacar las piernas, zancadillas, barridos y derribos bajos como el agarre a una pierna y a dos piernas. Debutó en los Juegos de 1904, en San Luis. La lucha femenina, que solo se disputa en este estilo, entró en los Juegos en 2004.
Lucha libre femenina en el torneo europeo de clasificación olímpica de 2024. Autor: Azerbaijan Wrestling Federation · Licencia: CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Reglas y técnicas
Los combates se disputan en un tapiz circular. Los luchadores llevan un maillot de una pieza, rojo o azul, y guardan un pañuelo, el «bloodrag», por si sangran. El protector de orejas es opcional, y quien no lo lleva se arriesga a la famosa «oreja de coliflor». La franja roja del borde se llama zona de pasividad, porque ayuda a los árbitros a detectar a quien evita el contacto.
Se gana de inmediato por «tocado», inmovilizando los dos hombros del rival contra el tapiz, o por puntos. La puntuación más alta, cinco puntos, es para una proyección de «gran amplitud», la que levanta al rival del tapiz de modo que sus pies pasen directamente por encima de su cabeza. En grecorromana, la lucha en el suelo (par terre) se da hoy sobre todo tras un derribo o como castigo por pasividad. Las reglas modernas favorecen el ataque de pie.
Figuras clave
El sueco Carl Westergren fue el primero en ganar tres oros olímpicos en grecorromana, en 1920, 1924 y 1932. Aleksandr Karelin hizo lo mismo en 1988, 1992 y 1996, y sus doce títulos olímpicos y mundiales se convirtieron en la referencia del deporte. En París 2024 llegó un nuevo récord. El cubano Mijaín López ganó los 130 kg y se convirtió en el primer atleta de la historia olímpica moderna en ganar cinco oros seguidos en la misma prueba individual. En lucha libre femenina, la japonesa Kaori Icho fue campeona en 2004, 2008, 2012 y 2016. Fue la primera mujer, en cualquier deporte, en ganar una prueba individual en cuatro Juegos seguidos.
Aleksandr Karelin en 2013. Autor: A.Savin · Licencia: CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
Hoy y las federaciones
Desde 1921 es el organismo hoy llamado United World Wrestling (UWW, antes FILA) quien redacta las reglas. Tiene su sede cerca de Lausana, en Suiza, y rige también el grappling, la lucha playa, el pancracio y la lucha de cinturón. El lugar de la lucha en los Juegos no está garantizado. En 2013 la comisión ejecutiva del Comité Olímpico Internacional recomendó retirarla de los Juegos de 2020. Tras una campaña del mundo de la lucha, el COI revocó la decisión ese mismo año.
En París 2024 hubo 18 categorías: seis en grecorromana masculina, seis en libre masculina y seis en libre femenina. Muchos campeones de artes marciales mixtas empezaron en el tapiz de lucha, donde el control y los derribos se aprenden desde el primer día.
Esquema simplificado: muchos estilos tienen más de una raíz.
Curiosidades
Antes de que hubiera límites de tiempo, los combates podían durar muchísimo. En los Juegos de 1912, en Estocolmo, un combate de grecorromana entre Martin Klein, que representaba a Rusia, y el finlandés Alfred Asikainen duró once horas y cuarenta minutos, hasta que ganó Klein.
Cronología
708 a.C.La lucha entra en los Juegos de Olimpia.
540 a.C.Milón de Crotona gana la lucha de muchachos en Olimpia.
s. XIXEn Francia se codifica la lucha «grecorromana».
1848Exbrayat prohíbe los agarres bajo la cintura.
1896Grecorromana en los primeros Juegos modernos.
1904Debut olímpico de la lucha libre en San Luis.
1912Klein y Asikainen luchan 11 h 40 min en Estocolmo.
1921El futuro UWW empieza a fijar las reglas.
2004La lucha femenina entra en los Juegos.
2013El COI retira y luego repone la lucha.
2024París 2024: 18 categorías; quinto oro seguido de Mijaín López.
La lutte est peut-être le plus ancien sport de combat du monde. On la voit sur des peintures de tombes égyptiennes, et elle entre aux Jeux d'Olympie en 708 av. J.-C. Les Jeux modernes en comptent deux styles différents, et la différence se joue dans les jambes.
Origines : d'Olympie aux foires
Dans la Grèce antique, la lutte occupait une place centrale dans la vie athlétique, et Platon employait le mot orthopale pour sa partie debout. Sa plus grande vedette fut Milon de Crotone, vainqueur de la lutte des garçons aux Jeux de 540 av. J.-C., puis cinq fois du titre adulte. Des auteurs anciens, d'Hérodote à Aristote, parlent de lui, même si beaucoup d'histoires sur sa force relèvent de la légende.
La lutte moderne a pris forme bien plus tard, en deux lieux distincts. Dans la France du XIXe siècle, les lutteurs de foire s'inspiraient d'une image romantique de l'Antiquité. En Grande-Bretagne et aux États-Unis se développait un style plus libre, où l'on pouvait saisir n'importe où.
Gréco-romaine
Malgré son nom, la lutte gréco-romaine a été codifiée en France. Selon United World Wrestling, la fédération mondiale, elle a d'abord été mise au point par un soldat de l'armée napoléonienne, Jean Exbrayat. Il se produisait dans les foires et l'appelait « lutte à main plate », pour la distinguer des combats où l'on frappait. En 1848, Exbrayat fixe la règle qui définit encore le style : aucune prise sous la ceinture, ni prise douloureuse ou torsion destinée à blesser l'adversaire.
Les jambes ne peuvent donc ni attaquer ni être attaquées. Tout se passe des hanches vers le haut : corps-à-corps, tirages de bras, ceinturages et les grands moments du style, les projections en arc où le lutteur soulève l'adversaire et le fait passer par-dessus sa propre épaule. Elle figurait aux premiers Jeux modernes, à Athènes, en 1896.
Combat de gréco-romaine lors d'un festival universitaire. Auteur: Ricco Baroni · Licence: CC0 · Wikimedia Commons
Lutte libre
La lutte libre vient du catch-as-catch-can anglais et américain. Aux États-Unis, la lutte était si populaire que plusieurs présidents l'ont pratiquée, dont George Washington et Abraham Lincoln. La lutte libre autorise les attaques aux jambes, les crocs-en-jambe, les balayages et les amenées au sol basses comme la saisie d'une jambe ou des deux jambes. Elle fait ses débuts olympiques aux Jeux de 1904, à Saint-Louis. La lutte féminine, disputée uniquement dans ce style, entre aux Jeux en 2004.
Lutte libre féminine au tournoi européen de qualification olympique de 2024. Auteur: Azerbaijan Wrestling Federation · Licence: CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Règles et techniques
Les combats se déroulent sur un tapis circulaire. Les lutteurs portent un maillot une pièce, rouge ou bleu, et gardent sur eux un mouchoir, le « bloodrag », en cas de saignement. Le protège-oreilles est facultatif, et ceux qui s'en passent risquent la fameuse « oreille en chou-fleur ». La bande rouge en bordure s'appelle la zone de passivité, car elle aide les arbitres à repérer celui qui fuit le contact.
On gagne immédiatement par « tombé », en plaquant les deux épaules de l'adversaire au tapis, ou aux points. La note la plus élevée, cinq points, récompense une projection de « grande amplitude », qui décolle l'adversaire du tapis de sorte que ses pieds passent directement au-dessus de sa tête. En gréco-romaine, la lutte au sol (par terre) n'intervient plus guère qu'après une amenée au sol ou comme sanction de la passivité. Les règles modernes favorisent l'attaque debout.
Figures marquantes
Le Suédois Carl Westergren a été le premier à remporter trois titres olympiques en gréco-romaine, en 1920, 1924 et 1932. Aleksandr Karelin a fait de même en 1988, 1992 et 1996, et ses douze titres olympiques et mondiaux sont devenus la référence du sport. Paris 2024 a apporté un nouveau record. Le Cubain Mijaín López a remporté les 130 kg et est devenu le premier athlète de l'histoire olympique moderne à gagner cinq médailles d'or consécutives dans la même épreuve individuelle. En lutte libre féminine, la Japonaise Kaori Icho a été championne olympique en 2004, 2008, 2012 et 2016. Elle a été la première femme, tous sports confondus, à gagner une épreuve individuelle lors de quatre Jeux consécutifs.
Aleksandr Karelin en 2013. Auteur: A.Savin · Licence: CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
Aujourd'hui et les fédérations
Depuis 1921, c'est l'organisme appelé aujourd'hui United World Wrestling (UWW, ex-FILA) qui fixe les règles. Il siège près de Lausanne, en Suisse, et régit aussi le grappling, la lutte de plage, le pancrace et la lutte à la ceinture. La place de la lutte aux Jeux n'est pas acquise. En 2013, la commission exécutive du Comité international olympique a recommandé de la retirer des Jeux de 2020. Après une campagne du monde de la lutte, le CIO est revenu sur sa décision la même année.
À Paris 2024, il y avait 18 catégories : six en gréco-romaine masculine, six en libre masculine et six en libre féminine. Beaucoup de champions d'arts martiaux mixtes ont commencé sur le tapis de lutte, où le contrôle et les amenées au sol s'apprennent dès le premier jour.
Schéma simplifié : beaucoup de styles ont plusieurs racines.
Curiosités
Avant l'apparition des limites de temps, les combats pouvaient durer très longtemps. Aux Jeux de 1912, à Stockholm, un combat de gréco-romaine entre Martin Klein, qui représentait la Russie, et le Finlandais Alfred Asikainen a duré onze heures et quarante minutes, avant que Klein ne l'emporte.
Chronologie
708 a.C.La lutte entre aux Jeux d'Olympie.
540 a.C.Milon de Crotone remporte la lutte des garçons à Olympie.
XIXe s.La lutte « gréco-romaine » est codifiée en France.
1848Exbrayat interdit les prises sous la ceinture.
1896Gréco-romaine aux premiers Jeux modernes.
1904Débuts olympiques de la lutte libre à Saint-Louis.
1912Klein et Asikainen luttent 11 h 40 à Stockholm.
1921La future UWW commence à fixer les règles.
2004Entrée de la lutte féminine aux Jeux.
2013Le CIO retire puis réintègre la lutte.
2024Paris 2024 : 18 catégories ; cinquième titre de suite pour Mijaín López.