Antes de cada combate, os lutadores atiram sal para o ringue, batem os pés e agacham-se frente a frente. O combate em si dura muitas vezes poucos segundos: perde quem sair do círculo ou tocar no chão com outra parte do corpo que não a sola dos pés. É o sumō, a luta nacional do Japão.
Mitos e crónicas antigas
As crónicas mais antigas do Japão, o Kojiki (712) e o Nihon Shoki (720), já contam combates de força. O mais célebre é o de Nomi no Sukune contra Taima no Kehaya, que a tradição trata como o primeiro combate de sumō. São relatos lendários, não história verificada, mas mostram como a luta estava ligada ao poder e aos deuses desde cedo.
Durante séculos o sumō foi sobretudo um rito. Combatia-se em santuários xintoístas para pedir boas colheitas, e a corte imperial organizava exibições. Mais tarde, os samurais usaram-no como treino de combate corpo a corpo.
Ritual xintoísta
O ringue (dohyō) é um espaço sagrado de barro, com um círculo de cerca de 4,55 metros de diâmetro marcado por fardos de palha. Por cima fica um telhado ao estilo de santuário, e o árbitro (gyōji) veste-se como um sacerdote da corte antiga. O sal atirado antes do combate purifica o ringue, e o bater dos pés (shiko) serve, simbolicamente, para afastar os maus espíritos.
Lutadores de sumō, por Utagawa Kunisada (1854). Autor: Utagawa Kunisada · Licença: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
De Edo ao profissionalismo
No período Edo, no século XVIII, surgiram torneios profissionais regulares, organizados para angariar fundos para templos e santuários. Os grandes lutadores tornaram-se celebridades e foram retratados nas gravuras ukiyo-e. Em 1925 as associações de Tóquio e de Osaka juntaram-se na Associação Japonesa de Sumō, que ainda hoje dirige o desporto profissional.
Uma pirâmide rígida
O sumō profissional tem seis divisões. No topo está a makuuchi, com os postos de maegashira, komusubi, sekiwake, ōzeki e, acima de todos, yokozuna — um título que não se perde por maus resultados, mas que exige vitórias e dignidade. Só as duas divisões de cima, makuuchi e jūryō, recebem salário. Desde 1958 há seis torneios por ano (honbasho), de 15 dias cada: três em Tóquio e os outros em Osaka, Nagoya e Fukuoka.
Cerimónia de entrada no ringue (dohyō-iri), Tóquio, maio de 2014. Autor: Simon Q · Licença: CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
A vida no estábulo
Os lutadores (rikishi) vivem e treinam em «estábulos» (heya), dirigidos por antigos lutadores. Os mais novos limpam, cozinham e servem os mais velhos. O treino começa de madrugada e a refeição típica é o chankonabe, um guisado rico. Em público usam o cabelo preso num carrapito e roupa tradicional japonesa. Os de topo usam o penteado ōichō, em forma de folha de ginkgo.
Técnicas
A Associação reconhece oficialmente 82 técnicas de vitória (kimarite). As mais comuns são simples: yorikiri (empurrar o adversário para fora agarrado ao cinto) e oshidashi (empurrar para fora sem agarrar). Há também projeções pelo cinto (mawashi), rasteiras e puxões. O início, o tachiai, é decisivo: os dois lutadores arrancam ao mesmo tempo e o choque inicial decide muitos combates.
Grandes nomes
Nos anos 1930, Futabayama venceu 69 combates seguidos, um recorde que ainda se mantém. Nos anos 1980, Chiyonofuji somou 31 títulos de topo. Em 1993 o havaiano Akebono tornou-se o primeiro yokozuna nascido fora do Japão; depois disso, lutadores mongóis dominaram durante anos, e Hakuhō chegou ao recorde de 45 títulos de topo.
O sumō hoje
O sumō profissional continua reservado a homens e com regras muito tradicionais. Fora dele existe o sumō amador, com competições para homens e mulheres e categorias de peso, organizado internacionalmente pela Federação Internacional de Sumō, fundada em 1992.
Curiosidades
Não há categorias de peso no sumō profissional: um lutador leve pode enfrentar outro com o dobro do seu peso. E o cinturão de corda branca do yokozuna, que dá nome ao título, é usado na cerimónia de entrada no ringue (dohyō-iri).
Before each bout the wrestlers throw salt into the ring, stamp their feet and crouch face to face. The bout itself often lasts only seconds: you lose if you step out of the circle or touch the ground with anything but the soles of your feet. This is sumo, Japan's national wrestling.
Myths and old chronicles
Japan's oldest chronicles, the Kojiki (712) and the Nihon Shoki (720), already tell of trials of strength. The best known is the fight between Nomi no Sukune and Taima no Kehaya, which tradition treats as the first sumo bout. These are legends, not verified history, but they show how early wrestling was tied to power and to the gods.
For centuries sumo was mainly a rite. Bouts were held at Shinto shrines to pray for good harvests, and the imperial court staged displays. Later, samurai used it as training for close combat.
Shinto ritual
The ring (dohyō) is a sacred clay space, with a circle about 4.55 metres across marked by straw bales. Above it hangs a shrine-style roof, and the referee (gyōji) dresses like an old court priest. The salt thrown before a bout purifies the ring, and the foot stamping (shiko) symbolically drives away evil spirits.
Sumo wrestlers, by Utagawa Kunisada (1854). Author: Utagawa Kunisada · Licence: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
From Edo to professionalism
In the Edo period, in the 18th century, regular professional tournaments appeared, staged to raise funds for temples and shrines. The great wrestlers became celebrities and were portrayed in ukiyo-e prints. In 1925 the Tokyo and Osaka associations merged into the Japan Sumo Association, which still runs the professional sport.
A rigid pyramid
Professional sumo has six divisions. At the top is makuuchi, with the ranks of maegashira, komusubi, sekiwake, ōzeki and, above all, yokozuna — a rank that cannot be lost through bad results, but that demands wins and dignity. Only the top two divisions, makuuchi and jūryō, are salaried. Since 1958 there have been six tournaments a year (honbasho) of 15 days each: three in Tokyo and the others in Osaka, Nagoya and Fukuoka.
Ring-entering ceremony (dohyō-iri), Tokyo, May 2014. Author: Simon Q · Licence: CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
Life in the stable
The wrestlers (rikishi) live and train in "stables" (heya) run by former wrestlers. The youngest clean, cook and serve their seniors. Training starts at dawn, and the typical meal is chankonabe, a rich stew. In public they wear their hair tied in a topknot and traditional Japanese clothing. Top-ranked men wear the ōichō style, shaped like a ginkgo leaf.
Techniques
The Association officially recognises 82 winning techniques (kimarite). The most common are simple: yorikiri (forcing the opponent out while holding the belt) and oshidashi (pushing out without a grip). There are also belt throws (mawashi), trips and pulls. The start, the tachiai, is crucial: both men charge at once and the first clash decides many bouts.
Great names
In the 1930s Futabayama won 69 bouts in a row, a record that still stands. In the 1980s Chiyonofuji took 31 top-division titles. In 1993 the Hawaiian Akebono became the first foreign-born yokozuna; after him, Mongolian wrestlers dominated for years, and Hakuhō reached a record 45 top-division titles.
Sumo today
Professional sumo remains men-only and deeply traditional. Outside it there is amateur sumo, with events for men and women and weight classes, run internationally by the International Sumo Federation, founded in 1992.
Curiosities
Professional sumo has no weight classes: a light wrestler can face one twice his weight. And the white rope belt of the yokozuna, which gives the rank its name, is worn in the ring-entering ceremony (dohyō-iri).
Antes de cada combate, los luchadores lanzan sal al ring, pisan fuerte y se agachan frente a frente. El combate suele durar unos segundos: pierde quien sale del círculo o toca el suelo con algo que no sea la planta de los pies. Es el sumo, la lucha nacional de Japón.
Mitos y crónicas antiguas
Las crónicas más antiguas de Japón, el Kojiki (712) y el Nihon Shoki (720), ya cuentan pruebas de fuerza. La más famosa es la lucha entre Nomi no Sukune y Taima no Kehaya, que la tradición considera el primer combate de sumo. Son leyendas, no historia comprobada, pero muestran lo pronto que la lucha se unió al poder y a los dioses.
Durante siglos el sumo fue sobre todo un rito. Se luchaba en santuarios sintoístas para pedir buenas cosechas, y la corte imperial organizaba exhibiciones. Más tarde, los samuráis lo usaron como entrenamiento cuerpo a cuerpo.
Ritual sintoísta
El ring (dohyō) es un espacio sagrado de arcilla, con un círculo de unos 4,55 metros de diámetro marcado con balas de paja. Encima cuelga un tejado de estilo santuario, y el árbitro (gyōji) viste como un sacerdote de la antigua corte. La sal purifica el ring, y el pisotón (shiko) aleja simbólicamente a los malos espíritus.
Luchadores de sumo, por Utagawa Kunisada (1854). Autor: Utagawa Kunisada · Licencia: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
De Edo al profesionalismo
En el periodo Edo, en el siglo XVIII, surgieron torneos profesionales regulares para recaudar fondos para templos y santuarios. Los grandes luchadores se volvieron famosos y aparecieron en grabados ukiyo-e. En 1925 las asociaciones de Tokio y Osaka se unieron en la Asociación Japonesa de Sumo, que aún dirige el deporte profesional.
Una pirámide rígida
El sumo profesional tiene seis divisiones. Arriba está la makuuchi, con los rangos maegashira, komusubi, sekiwake, ōzeki y, por encima de todos, yokozuna: un rango que no se pierde por malos resultados, pero que exige victorias y dignidad. Solo las dos divisiones superiores, makuuchi y jūryō, cobran sueldo. Desde 1958 hay seis torneos al año (honbasho) de 15 días: tres en Tokio y los demás en Osaka, Nagoya y Fukuoka.
Ceremonia de entrada al ring (dohyō-iri), Tokio, mayo de 2014. Autor: Simon Q · Licencia: CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
La vida en el establo
Los luchadores (rikishi) viven y entrenan en «establos» (heya) dirigidos por antiguos luchadores. Los más jóvenes limpian, cocinan y sirven a los mayores. El entrenamiento empieza al amanecer y la comida típica es el chankonabe, un guiso contundente. En público llevan el pelo recogido en un moño y ropa tradicional. Los de arriba lucen el peinado ōichō, en forma de hoja de ginkgo.
Técnicas
La Asociación reconoce oficialmente 82 técnicas de victoria (kimarite). Las más frecuentes son simples: yorikiri (sacar al rival agarrado al cinturón) y oshidashi (empujarlo fuera sin agarre). También hay proyecciones por el cinturón (mawashi), zancadillas y tirones. La salida, el tachiai, es clave: ambos arrancan a la vez y el primer choque decide muchos combates.
Grandes nombres
En los años 1930, Futabayama ganó 69 combates seguidos, un récord aún vigente. En los años 1980, Chiyonofuji sumó 31 títulos de primera. En 1993 el hawaiano Akebono fue el primer yokozuna nacido fuera de Japón; después, los luchadores mongoles dominaron durante años, y Hakuhō llegó al récord de 45 títulos de primera.
El sumo hoy
El sumo profesional sigue siendo solo masculino y muy tradicional. Fuera de él existe el sumo amateur, con pruebas para hombres y mujeres y categorías de peso, organizado por la Federación Internacional de Sumo, fundada en 1992.
Curiosidades
En el sumo profesional no hay categorías de peso: un luchador ligero puede enfrentarse a otro que pese el doble. Y la cuerda blanca del yokozuna, que da nombre al rango, se luce en la ceremonia de entrada al ring (dohyō-iri).
Avant chaque combat, les lutteurs jettent du sel sur l'aire, frappent le sol du pied et s'accroupissent face à face. Le combat dure souvent quelques secondes : perd celui qui sort du cercle ou touche le sol avec autre chose que la plante des pieds. C'est le sumo, la lutte nationale du Japon.
Mythes et chroniques anciennes
Les plus anciennes chroniques du Japon, le Kojiki (712) et le Nihon Shoki (720), racontent déjà des épreuves de force. La plus connue oppose Nomi no Sukune à Taima no Kehaya, que la tradition tient pour le premier combat de sumo. Ce sont des légendes, pas de l'histoire vérifiée, mais elles montrent combien la lutte fut tôt liée au pouvoir et aux dieux.
Pendant des siècles le sumo fut surtout un rite. On luttait dans les sanctuaires shintō pour obtenir de bonnes récoltes, et la cour impériale organisait des démonstrations. Plus tard, les samouraïs s'en servirent comme entraînement au corps à corps.
Rituel shintō
L'aire (dohyō) est un espace sacré en argile, avec un cercle d'environ 4,55 mètres de diamètre délimité par des ballots de paille. Au-dessus pend un toit de sanctuaire, et l'arbitre (gyōji) est vêtu comme un prêtre de l'ancienne cour. Le sel purifie l'aire, et le battement de pieds (shiko) chasse symboliquement les mauvais esprits.
Lutteurs de sumo, par Utagawa Kunisada (1854). Auteur: Utagawa Kunisada · Licence: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
D'Edo au professionnalisme
À l'époque d'Edo, au XVIIIe siècle, apparaissent des tournois professionnels réguliers, destinés à financer temples et sanctuaires. Les grands lutteurs deviennent des célébrités, représentées dans les estampes ukiyo-e. En 1925, les associations de Tokyo et d'Osaka fusionnent dans l'Association japonaise de sumo, qui dirige toujours le sport professionnel.
Une pyramide rigide
Le sumo professionnel compte six divisions. Au sommet se trouve le makuuchi, avec les rangs de maegashira, komusubi, sekiwake, ōzeki et, au-dessus de tous, yokozuna — un rang qu'on ne perd pas sur de mauvais résultats, mais qui exige victoires et dignité. Seules les deux divisions supérieures, makuuchi et jūryō, sont salariées. Depuis 1958, il y a six tournois par an (honbasho) de 15 jours : trois à Tokyo, les autres à Osaka, Nagoya et Fukuoka.
Cérémonie d'entrée sur l'aire (dohyō-iri), Tokyo, mai 2014. Auteur: Simon Q · Licence: CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
La vie à l'écurie
Les lutteurs (rikishi) vivent et s'entraînent dans des « écuries » (heya) dirigées par d'anciens lutteurs. Les plus jeunes nettoient, cuisinent et servent leurs aînés. L'entraînement commence à l'aube et le repas typique est le chankonabe, un ragoût copieux. En public, ils portent un chignon et des vêtements traditionnels. Les mieux classés arborent la coiffure ōichō, en forme de feuille de ginkgo.
Techniques
L'Association reconnaît officiellement 82 techniques de victoire (kimarite). Les plus fréquentes sont simples : yorikiri (sortir l'adversaire en le tenant par la ceinture) et oshidashi (le pousser dehors sans saisie). Il existe aussi des projections par la ceinture (mawashi), des crocs-en-jambe et des tractions. Le départ, le tachiai, est décisif : les deux lutteurs s'élancent ensemble et le premier choc tranche bien des combats.
Grands noms
Dans les années 1930, Futabayama gagna 69 combats d'affilée, un record toujours en vigueur. Dans les années 1980, Chiyonofuji remporta 31 titres de première division. En 1993, l'Hawaïen Akebono devint le premier yokozuna né hors du Japon ; ensuite, les lutteurs mongols dominèrent pendant des années, et Hakuhō atteignit le record de 45 titres de première division.
Le sumo aujourd'hui
Le sumo professionnel reste réservé aux hommes et très traditionnel. À côté existe le sumo amateur, avec des épreuves masculines et féminines et des catégories de poids, organisé par la Fédération internationale de sumo, fondée en 1992.
Curiosités
Il n'y a pas de catégories de poids en sumo professionnel : un lutteur léger peut affronter un adversaire deux fois plus lourd. Et la corde blanche du yokozuna, qui donne son nom au rang, se porte lors de la cérémonie d'entrée sur l'aire (dohyō-iri).