Baku 2026: sete dias, catorze campeões do mundo de judo
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Durante oito dias de outubro, a Arena Nacional de Ginástica de Baku foi o centro do mundo do judo. De 4 a 11 de outubro de 2026, 622 judocas de 93 países vieram ao Azerbaijão disputar o maior título da modalidade fora dos Jogos Olímpicos. Duas categorias por dia, uma mulher e um homem coroados a cada noite e, no fim, um dorsal vermelho para cada um dos catorze campeões individuais: a marca que vão usar até ao próximo Mundial, em Astana, em 2027.
Kumikata: a luta pela pega, onde quase todos os combates de judo começam. Ilustração WABUKAN
O anfitrião ataca primeiro
A semana começou com uma surpresa. No primeiro dia, em −60 kg, o público da casa viu Ahmad Yusifov vencer o cazaque Sherzod Davlatov na final e dar ao Azerbaijão o ouro logo na primeira noite. O país anfitrião terminou com sete medalhas, e a Federação Internacional de Judo notou que alguns dos melhores momentos vieram de atletas em quem ninguém apostava. Na mesma noite, o Japão abriu a conta com Wakana Koga, em −48 kg.
Japão: metade de tudo
O Japão ganhou sete dos catorze títulos individuais, exatamente metade, mais duas pratas e três bronzes. Os irmãos Hifumi Abe (−66 kg) e Uta Abe (−52 kg) voltaram a vencer no mesmo dia. Ryuga Tanaka (−73 kg) e Akari Omori (−57 kg) mostraram a profundidade do banco japonês, e Haruka Kaju (−63 kg) manteve-se invicta. Em −90 kg, Sanshiro Murao defendeu o título numa final só japonesa contra Goki Tajima: primeiro um waza-ari, depois um ko-soto-gari limpo para ippon aos 3 minutos e 7 segundos. É a pequena varridela de pé que qualquer principiante aprende, feita a nível mundial.
O trovão da Geórgia e uma palavra grande demais para o dicionário
A Geórgia ficou em segundo lugar entre as nações. Tato Grigalashvili chegou à sexta final mundial seguida em −81 kg e conquistou o quarto título mundial. Em −100 kg, Ilia Sulamanidze alcançou finalmente o título que perseguia há anos. Quando lhe pediram para descrever o dia, respondeu com uma só palavra: «Supercalifragilisticexpialidocious!»
Primeiras vezes
Algumas medalhas contaram mais do que uma história. A espanhola Ai Tsunoda Roustant, já campeã do mundo de cadetes e duas vezes de juniores, completou a coleção em −70 kg. Venceu a austríaca Michaela Polleres depois de mais de três minutos de golden score, decididos por um último castigo. Em −78 kg, Yelyzaveta Lytvynenko deu aos Emirados Árabes Unidos o primeiro título mundial de judo da sua história, em homens ou mulheres, ao bater a francesa Kaïla Issoufi. Na mesma categoria, a portuguesa Patrícia Sampaio terminou em quinto lugar.
Os pesados fecharam a competição individual. Inal Tasoev ganhou +100 kg pela terceira vez, frente ao azeri Ushangi Kokauri, com o veterano checo Lukáš Krpálek no pódio. Em +78 kg, a sul-coreana Lee Hyeonji, de 19 anos, bateu a francesa Romane Dicko e levou o último título individual da semana.
Linha do tempo
4 outAhmad Yusifov dá o ouro de −60 kg ao país anfitrião; Wakana Koga vence −48 kg.
5 outHifumi Abe (−66 kg) e Uta Abe (−52 kg) voltam a ser campeões.
7 outTato Grigalashvili: sexta final mundial seguida, quarto título.
8 outSanshiro Murao defende −90 kg; Ai Tsunoda Roustant ganha −70 kg para Espanha.
9 outPrimeiro título mundial dos Emirados Árabes Unidos, por Yelyzaveta Lytvynenko.
10 outInal Tasoev (+100 kg) e Lee Hyeonji (+78 kg) fecham os pesados.
A 11 de outubro disputou-se a prova de equipas mistas, o formato que entrou no programa olímpico em Tóquio. O Japão voltou a ganhar, a Rússia ficou com a prata e a Geórgia e o Usbequistão dividiram o bronze. No total, oito ouros para o Japão, o país onde Jigorō Kanō fundou o judo em 1882.
Porque importa
O Mundial dá o maior número de pontos do circuito mundial, e o caminho para Los Angeles 2028 já começou. Como escreveu a própria IJF no balanço final, todos os atletas saem de Baku com alguma coisa, mesmo os que não ganharam: uma lição, uma ideia mais clara do que mudar. Também isso faz parte do «caminho suave».
Baku 2026: seven days, fourteen judo world champions
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For eight days in October the National Gymnastics Arena in Baku was the centre of the judo world. From 4 to 11 October 2026, 622 judoka from 93 nations came to Azerbaijan for the sport’s biggest title outside the Olympics. Two categories a day, one woman and one man crowned each evening, and at the end a red back patch for each of the fourteen individual champions: the mark they will wear until the next Worlds, in Astana in 2027.
Kumikata: the grip fight, where almost every judo contest begins. WABUKAN illustration
The host strikes first
The week began with a surprise. On day one, in the −60 kg category, the home crowd saw Ahmad Yusifov beat Kazakhstan’s Sherzod Davlatov in the final and give Azerbaijan gold on the very first evening. The host nation ended with seven medals, and the International Judo Federation noted that some of its brightest moments came from athletes nobody had singled out beforehand. The same evening Japan opened its account with Wakana Koga at −48 kg.
Japan: half of everything
Japan won seven of the fourteen individual titles, exactly half, plus two silvers and three bronzes. Brother and sister Hifumi Abe (−66 kg) and Uta Abe (−52 kg) won again on the same day. Ryuga Tanaka (−73 kg) and Akari Omori (−57 kg) showed how deep the Japanese bench is, and Haruka Kaju (−63 kg) kept her unbeaten record. At −90 kg, Sanshiro Murao defended his title in an all-Japanese final against Goki Tajima: a waza-ari first, then a clean ko-soto-gari for ippon after 3 minutes and 7 seconds. It is the kind of small foot sweep that every beginner learns, done at world level.
Georgia’s thunder and a word too big for the dictionary
Georgia finished second among the nations. Tato Grigalashvili reached his sixth world final in a row at −81 kg and won his fourth world title. At −100 kg, Ilia Sulamanidze finally took the title he had chased for years. Asked to describe the day, he answered with one word: “Supercalifragilisticexpialidocious!”
Firsts
Some medals carried more than one story. Ai Tsunoda Roustant of Spain, already world champion as a cadet and twice as a junior, completed the set at −70 kg. She beat Austria’s Michaela Polleres after more than three minutes of golden score, decided by a final penalty. At −78 kg, Yelyzaveta Lytvynenko gave the United Arab Emirates its first world judo title, men or women, by beating France’s Kaïla Issoufi. In the same category Portugal’s Patrícia Sampaio finished fifth.
The heavyweights closed the individual events. Inal Tasoev won the +100 kg for the third time, beating Azerbaijan’s Ushangi Kokauri, with the Czech veteran Lukáš Krpálek on the podium. In the women’s +78 kg, 19-year-old Lee Hyeonji of South Korea beat France’s Romane Dicko for the last individual title of the week.
Timeline
4 outAhmad Yusifov wins −60 kg for the host nation; Wakana Koga wins −48 kg.
5 outHifumi Abe (−66 kg) and Uta Abe (−52 kg) are champions again.
7 outTato Grigalashvili: sixth straight world final, fourth title.
8 outSanshiro Murao defends −90 kg; Ai Tsunoda Roustant wins −70 kg for Spain.
9 outFirst ever world title for the United Arab Emirates, by Yelyzaveta Lytvynenko.
10 outInal Tasoev (+100 kg) and Lee Hyeonji (+78 kg) close the heavyweights.
11 outMixed teams: Japan champions, Russia silver.
The team day
On 11 October came the mixed team event, the format added to the Olympic programme in Tokyo. Japan won again, Russia took silver, and Georgia and Uzbekistan shared bronze. That made eight golds in all for Japan, the country where Jigorō Kanō founded judo in 1882.
Why it matters
The World Championships give the most ranking points on the World Judo Tour, and the road to Los Angeles 2028 has already begun. As the IJF’s own report put it, every athlete leaves Baku with something, even those who did not win: a lesson, a clearer idea of what to change. That, too, is part of the “gentle way”.
Bakú 2026: siete días, catorce campeones del mundo de judo
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Durante ocho días de octubre, la Arena Nacional de Gimnasia de Bakú fue el centro del mundo del judo. Del 4 al 11 de octubre de 2026, 622 judocas de 93 países llegaron a Azerbaiyán para disputar el mayor título del deporte fuera de los Juegos Olímpicos. Dos categorías al día, una mujer y un hombre coronados cada noche y, al final, un dorsal rojo para cada uno de los catorce campeones individuales: la marca que llevarán hasta el próximo Mundial, en Astaná, en 2027.
Kumikata: la lucha por el agarre, donde empiezan casi todos los combates de judo. Ilustración WABUKAN
El anfitrión golpea primero
La semana empezó con una sorpresa. El primer día, en −60 kg, el público local vio a Ahmad Yusifov vencer al kazajo Sherzod Davlatov en la final y dar a Azerbaiyán el oro ya en la primera noche. El país anfitrión terminó con siete medallas, y la Federación Internacional de Judo destacó que algunos de sus mejores momentos llegaron de atletas por los que nadie apostaba. Esa misma noche Japón abrió su cuenta con Wakana Koga en −48 kg.
Japón: la mitad de todo
Japón ganó siete de los catorce títulos individuales, exactamente la mitad, además de dos platas y tres bronces. Los hermanos Hifumi Abe (−66 kg) y Uta Abe (−52 kg) volvieron a vencer el mismo día. Ryuga Tanaka (−73 kg) y Akari Omori (−57 kg) mostraron la profundidad del banquillo japonés, y Haruka Kaju (−63 kg) siguió invicta. En −90 kg, Sanshiro Murao defendió su título en una final totalmente japonesa ante Goki Tajima: primero un waza-ari y después un ko-soto-gari limpio para ippon a los 3 minutos y 7 segundos. Es el pequeño barrido de pie que aprende cualquier principiante, ejecutado a nivel mundial.
El trueno de Georgia y una palabra demasiado grande para el diccionario
Georgia acabó segunda entre las naciones. Tato Grigalashvili alcanzó su sexta final mundial seguida en −81 kg y ganó su cuarto título mundial. En −100 kg, Ilia Sulamanidze logró por fin el título que perseguía desde hacía años. Cuando le pidieron describir el día, respondió con una sola palabra: «Supercalifragilisticexpialidocious!», en inglés
Primeras veces
Algunas medallas contaron más de una historia. La española Ai Tsunoda Roustant, ya campeona del mundo cadete y dos veces júnior, completó la colección en −70 kg. Venció a la austriaca Michaela Polleres tras más de tres minutos de golden score, decididos por una última sanción. En −78 kg, Yelyzaveta Lytvynenko dio a Emiratos Árabes Unidos su primer título mundial de judo, en hombres o mujeres, al ganar a la francesa Kaïla Issoufi. En la misma categoría, la portuguesa Patrícia Sampaio terminó quinta.
Los pesados cerraron la competición individual. Inal Tasoev ganó +100 kg por tercera vez ante el azerí Ushangi Kokauri, con el veterano checo Lukáš Krpálek en el podio. En +78 kg, la surcoreana Lee Hyeonji, de 19 años, superó a la francesa Romane Dicko y se llevó el último título individual de la semana.
Cronología
4 outAhmad Yusifov da el oro de −60 kg al país anfitrión; Wakana Koga gana −48 kg.
5 outHifumi Abe (−66 kg) y Uta Abe (−52 kg) vuelven a ser campeones.
7 outTato Grigalashvili: sexta final mundial seguida, cuarto título.
8 outSanshiro Murao defiende −90 kg; Ai Tsunoda Roustant gana −70 kg para España.
9 outPrimer título mundial de Emiratos Árabes Unidos, de Yelyzaveta Lytvynenko.
10 outInal Tasoev (+100 kg) y Lee Hyeonji (+78 kg) cierran los pesados.
11 outEquipos mixtos: Japón campeón, Rusia plata.
El día de los equipos
El 11 de octubre se disputó la prueba por equipos mixtos, el formato que entró en el programa olímpico en Tokio. Japón volvió a ganar, Rusia se llevó la plata y Georgia y Uzbekistán compartieron el bronce. En total, ocho oros para Japón, el país donde Jigorō Kanō fundó el judo en 1882.
Por qué importa
El Mundial reparte la mayor cantidad de puntos del circuito mundial, y el camino hacia Los Ángeles 2028 ya ha comenzado. Como escribió la propia IJF en su balance, todos los atletas se van de Bakú con algo, incluso los que no ganaron: una lección, una idea más clara de qué cambiar. Eso también forma parte del «camino suave».
Bakou 2026 : sept jours, quatorze champions du monde de judo
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Pendant huit jours d’octobre, l’Arène nationale de gymnastique de Bakou a été le centre du monde du judo. Du 4 au 11 octobre 2026, 622 judokas de 93 pays sont venus en Azerbaïdjan disputer le plus grand titre du sport en dehors des Jeux olympiques. Deux catégories par jour, une femme et un homme sacrés chaque soir et, à la fin, un dossard rouge pour chacun des quatorze champions individuels : la marque qu’ils porteront jusqu’aux prochains Mondiaux, à Astana, en 2027.
Kumikata : la bataille des saisies, là où commence presque chaque combat de judo. Illustration WABUKAN
Le pays hôte frappe le premier
La semaine a commencé par une surprise. Dès le premier jour, en −60 kg, le public local a vu Ahmad Yusifov battre le Kazakh Sherzod Davlatov en finale et offrir l’or à l’Azerbaïdjan dès le premier soir. Le pays hôte a terminé avec sept médailles, et la Fédération internationale de judo a souligné que certains de ses plus beaux moments étaient venus d’athlètes sur lesquels personne ne misait. Le même soir, le Japon a ouvert son compteur avec Wakana Koga en −48 kg.
Le Japon : la moitié de tout
Le Japon a remporté sept des quatorze titres individuels, exactement la moitié, plus deux médailles d’argent et trois de bronze. Le frère et la sœur Hifumi Abe (−66 kg) et Uta Abe (−52 kg) ont de nouveau gagné le même jour. Ryuga Tanaka (−73 kg) et Akari Omori (−57 kg) ont montré la profondeur du réservoir japonais, et Haruka Kaju (−63 kg) est restée invaincue. En −90 kg, Sanshiro Murao a conservé son titre lors d’une finale 100 % japonaise face à Goki Tajima : d’abord un waza-ari, puis un ko-soto-gari net pour ippon après 3 minutes et 7 secondes. C’est le petit balayage de pied qu’apprend tout débutant, exécuté au niveau mondial.
Le tonnerre géorgien et un mot trop grand pour le dictionnaire
La Géorgie a terminé deuxième au classement des nations. Tato Grigalashvili a disputé sa sixième finale mondiale d’affilée en −81 kg et remporté son quatrième titre mondial. En −100 kg, Ilia Sulamanidze a enfin décroché le titre qu’il poursuivait depuis des années. Invité à décrire sa journée, il a répondu d’un seul mot : « Supercalifragilisticexpialidocious ! »
Des premières
Certaines médailles racontaient plus d’une histoire. L’Espagnole Ai Tsunoda Roustant, déjà championne du monde cadette et deux fois junior, a complété la collection en −70 kg. Elle a battu l’Autrichienne Michaela Polleres après plus de trois minutes de golden score, tranchées par une dernière pénalité. En −78 kg, Yelyzaveta Lytvynenko a offert aux Émirats arabes unis leur premier titre mondial de judo, hommes et femmes confondus, en battant la Française Kaïla Issoufi. Dans la même catégorie, la Portugaise Patrícia Sampaio a pris la cinquième place.
Les lourds ont clôturé la compétition individuelle. Inal Tasoev a gagné les +100 kg pour la troisième fois face à l’Azerbaïdjanais Ushangi Kokauri, avec le vétéran tchèque Lukáš Krpálek sur le podium. En +78 kg, la Sud-Coréenne Lee Hyeonji, 19 ans, a battu la Française Romane Dicko et remporté le dernier titre individuel de la semaine.
Chronologie
4 outAhmad Yusifov offre l’or des −60 kg au pays hôte ; Wakana Koga gagne les −48 kg.
5 outHifumi Abe (−66 kg) et Uta Abe (−52 kg) sont de nouveau champions.
7 outTato Grigalashvili : sixième finale mondiale d’affilée, quatrième titre.
8 outSanshiro Murao conserve les −90 kg ; Ai Tsunoda Roustant gagne les −70 kg pour l’Espagne.
9 outPremier titre mondial des Émirats arabes unis, par Yelyzaveta Lytvynenko.
10 outInal Tasoev (+100 kg) et Lee Hyeonji (+78 kg) clôturent les lourds.
11 outÉquipes mixtes : le Japon champion, la Russie en argent.
Le jour des équipes
Le 11 octobre s’est tenue l’épreuve par équipes mixtes, le format entré au programme olympique à Tokyo. Le Japon a de nouveau gagné, la Russie a pris l’argent, la Géorgie et l’Ouzbékistan se partageant le bronze. Au total, huit titres pour le Japon, le pays où Jigorō Kanō a fondé le judo en 1882.
Pourquoi c’est important
Les Mondiaux distribuent le plus de points du circuit mondial, et la route vers Los Angeles 2028 est déjà ouverte. Comme l’a écrit l’IJF dans son bilan, chaque athlète repart de Bakou avec quelque chose, même ceux qui n’ont pas gagné : une leçon, une idée plus claire de ce qu’il faut changer. Cela aussi fait partie de la « voie de la souplesse ».