Os Sete Samurais (1954): a obra-prima de Kurosawa e a espada no cinema
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Uma aldeia pobre, um bando de quarenta bandidos e sete espadachins que aceitam defendê-la em troca de arroz. Com esta premissa simples, Akira Kurosawa fez Os Sete Samurais (Shichinin no samurai, 1954), um filme de quase três horas e meia que aparece regularmente entre os melhores de sempre e que definiu a forma como o cinema mostra a espada.
Toshiro Mifune como Kikuchiyo. Autor: Toho (1954) · Licença: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
A história
A ação decorre em 1586, no fim do período Sengoku, a «era dos estados em guerra», quando o Japão estava dividido por guerras entre senhores e muitos samurais tinham perdido os seus amos, tornando-se rōnin. Os camponeses de uma aldeia de montanha descobrem que os bandidos voltarão depois da colheita. Sem nada para oferecer além de comida, vão à cidade procurar samurais com fome suficiente para aceitar.
O primeiro a aceitar é Kambei (Takashi Shimura), um veterano que já perdeu muitas batalhas. Conhecemo-lo numa das cenas mais famosas do filme: rapa o carrapito, veste um hábito de monge e entra numa casa onde um ladrão mantém uma criança refém, para a salvar. Os outros juntam-se um a um, entre eles o jovem Katsushirō, o calmo mestre de espada Kyūzō e, sem convite, Kikuchiyo (Toshiro Mifune), um homem barulhento e impulsivo que diz ser samurai e afinal é filho de camponeses.
A espada sem enfeites
Antes de Kurosawa, os filmes de época japoneses (jidaigeki) mostravam muitas vezes a esgrima como uma dança teatral, herdada do kabuki. Os Sete Samurais seguiu outro caminho. Os combates são curtos, súbitos e decididos em poucos movimentos; os feridos caem e não se levantam. Kurosawa queria saber como deveria ser, de facto, um combate de espada, e o genérico atribui a esgrima a Yoshio Sugino, mestre da Tenshin Shōden Katori Shintō-ryū. Sugino ensinou aos atores principais os movimentos básicos, a postura e o manejo correto da arma, e Kurosawa pediu-lhes que copiassem até a forma como ele andava e se ajoelhava.
Seiji Miyaguchi, que interpreta Kyūzō, nunca tinha feito um filme de época e, segundo o próprio Sugino, nem sabia segurar uma espada. Foi ao dojo de Sugino treinar especialmente para as suas cenas. O resultado é uma das personagens mais admiradas do filme, prova de que uns dias de ensino correto da base se notam no ecrã.
O exemplo mais claro é o duelo de Kyūzō. Um samurai fanfarrão desafia-o primeiro com espadas de madeira, depois com katanas verdadeiras. Kyūzō espera, imóvel, e decide o combate com um único corte. A cena mostra ideias que atravessam a esgrima japonesa: controlo da distância, o momento certo e a calma que as escolas antigas valorizavam acima da força. Está próximo do ideal sobre o qual Miyamoto Musashi escreveu no Livro dos Cinco Anéis: nenhum movimento inútil.
Arcos, lanças e arcabuzes
O filme não é só de espadas. Kambei organiza a defesa como um general: inunda os arrozais, constrói paliçadas, treina os camponeses com lanças de bambu e decide que caminhos deixar abertos, para que os bandidos entrem um ou dois de cada vez. Ele próprio combate com o arco durante a batalha, lembrando que, durante a maior parte da história dos samurais, o tiro com arco (o kyūdō, na sua forma moderna) foi tão importante como a espada.
Os bandidos, por seu lado, têm arcabuzes de mecha (tanegashima), que chegaram ao Japão com os portugueses em 1543. No filme, as armas de fogo matam vários dos defensores, incluindo espadachins exímios. É uma mensagem discreta: em 1586, o mundo do espadachim individual já estava a acabar.
Cena da batalha na aldeia (revista Sekai Geinō Gahō, maio de 1954). Autor: Unknown author · Licença: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
A batalha à chuva
A batalha final, filmada na lama e debaixo de chuva forte, é uma das sequências mais imitadas do cinema. Kurosawa usou várias câmaras ao mesmo tempo e teleobjetivas, uma técnica que lhe permitia captar a ação de ângulos diferentes e montá-la com grande ritmo. A rodagem durou cerca de um ano e o orçamento cresceu muito além do previsto, fazendo dele um dos filmes japoneses mais caros do seu tempo.
No fim, sobrevivem três samurais. Olhando para os camponeses que cantam enquanto plantam o arroz, Kambei diz a última fala do filme: a vitória é dos camponeses, não deles. Aos samurais resta apenas a colina com as campas dos companheiros.
Influência
O filme ganhou o Leão de Prata no Festival de Veneza de 1954 e tornou-se modelo para inúmeras obras. Em 1960, John Sturges transformou-o num western, Os Sete Magníficos; a estrutura «reunir uma equipa para uma missão» aparece em filmes de guerra, ficção científica e animação. Muitos realizadores reconheceram a influência de Kurosawa na forma como filmam a ação.
Para quem pratica as artes da espada, Os Sete Samurais continua a ser uma referência: mostra as armas usadas com peso e consequência, sem exageros. Para perceber o que está por trás destas imagens, leia os nossos artigos sobre a katana, o iaidō e as escolas antigas de espada, veja o kenjutsu e procure o filme no Cinema WABUKAN.
Linha do tempo
1586Ano em que decorre a ação, no fim do período Sengoku.
1953–54Rodagem durante cerca de um ano, muito acima do orçamento previsto.
Seven Samurai (1954): Kurosawa's masterpiece and the sword on screen
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A poor village, a band of forty bandits and seven swordsmen who agree to defend it in exchange for rice. With this simple premise, Akira Kurosawa made Seven Samurai (Shichinin no samurai, 1954), a film of almost three and a half hours that is regularly named among the best ever made and that defined how cinema shows the sword.
Toshiro Mifune as Kikuchiyo. Author: Toho (1954) · Licence: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
The story
The action takes place in 1586, at the end of the Sengoku period, the "age of warring states", when Japan was torn by wars between lords and many samurai had lost their masters, becoming rōnin. The farmers of a mountain village learn that bandits will return after the harvest. With nothing to offer but food, they go to town to look for samurai hungry enough to accept.
The first to agree is Kambei (Takashi Shimura), a veteran who has lost many battles. We meet him in one of the most famous scenes of the film: he shaves his topknot, puts on a monk's robe and walks into a house where a thief is holding a child, to rescue him. Others join him one by one, including the young Katsushirō, the calm master swordsman Kyūzō and, uninvited, Kikuchiyo (Toshiro Mifune), a loud, impulsive man who claims to be a samurai and turns out to be the son of farmers.
The sword without decoration
Before Kurosawa, Japanese period films (jidaigeki) often showed swordsmanship as a theatrical dance, inherited from kabuki. Seven Samurai took a different path. The fights are short, sudden and decided in a few movements; the wounded fall and do not get up. Kurosawa wanted to know what a sword fight should really look like, and the credits name Yoshio Sugino, a master of the Tenshin Shōden Katori Shintō-ryū, for the fencing. Sugino taught the main actors basic movements, posture and the correct handling of the weapon, and Kurosawa asked them to copy even the way he walked and knelt.
Seiji Miyaguchi, who plays Kyūzō, had never made a period film and, by Sugino's own account, did not even know how to hold a sword. He went to Sugino's dojo to train specially for his scenes. The result is one of the most admired characters in the film, proof that a few days of correct instruction in the basics show on screen.
The clearest example is Kyūzō's duel. A boastful samurai challenges him first with wooden swords, then with real katana. Kyūzō waits, still, and decides the fight with a single cut. The scene shows ideas that run through Japanese swordsmanship: control of distance, timing and the calm that the old schools valued above force. It is close to the ideal that Miyamoto Musashi wrote about in the Book of Five Rings: no useless movement.
Bows, spears and muskets
The film is not only about swords. Kambei organises the defence like a general: he floods the rice fields, builds fences, trains the farmers with bamboo spears and decides which paths to leave open, so that the bandits enter one or two at a time. He himself fights with the bow during the battle, a reminder that, for most of samurai history, archery (kyūdō in its modern form) was as important as the sword.
The bandits, for their part, have matchlock muskets (tanegashima), which arrived in Japan with the Portuguese in 1543. In the film, firearms kill several of the defenders, including skilled swordsmen. It is a quiet message: by 1586 the world of the individual swordsman was already ending.
Battle scene in the village (Sekai Geinō Gahō magazine, May 1954). Author: Unknown author · Licence: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
The rain battle
The final battle, filmed in mud and heavy rain, is one of the most imitated sequences in cinema. Kurosawa used several cameras at once and long lenses, a technique that let him capture the action from different angles and edit it with great rhythm. Shooting took about a year and the budget grew far beyond what was planned, which made it one of the most expensive Japanese films of its time.
At the end, three samurai survive. Looking at the farmers singing as they plant the rice, Kambei says the film's last line: the victory belongs to the farmers, not to them. For the samurai there remains only the hill with the graves of their companions.
Influence
The film won the Silver Lion at the Venice Film Festival in 1954 and became a model for countless works. In 1960 John Sturges turned it into a western, The Magnificent Seven; the structure "assembling a team for a mission" appears in war films, science fiction and animation. Many directors have acknowledged Kurosawa's influence on how they film action.
For practitioners of the sword arts, Seven Samurai remains a reference: it shows weapons used with weight and consequence, without exaggeration. If you want to understand what lies behind these images, read our articles on the katana, iaidō and the old sword schools, see kenjutsu, and look for the film in the WABUKAN Cinema.
Timeline
1586Year in which the story is set, at the end of the Sengoku period.
1953–54Shooting lasts about a year, far over the planned budget.
Los siete samuráis (1954): la obra maestra de Kurosawa y la espada en el cine
· 4 min de lectura
Una aldea pobre, una banda de cuarenta bandidos y siete espadachines que aceptan defenderla a cambio de arroz. Con esta premisa sencilla, Akira Kurosawa rodó Los siete samuráis (Shichinin no samurai, 1954), una película de casi tres horas y media que figura habitualmente entre las mejores de la historia y que definió cómo el cine muestra la espada.
Toshiro Mifune como Kikuchiyo. Autor: Toho (1954) · Licencia: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
La historia
La acción transcurre en 1586, al final del periodo Sengoku, la «era de los estados en guerra», cuando Japón estaba desgarrado por las guerras entre señores y muchos samuráis habían perdido a sus amos, convirtiéndose en rōnin. Los campesinos de una aldea de montaña se enteran de que los bandidos volverán tras la cosecha. Sin nada que ofrecer salvo comida, van a la ciudad a buscar samuráis con hambre suficiente para aceptar.
El primero en aceptar es Kambei (Takashi Shimura), un veterano que ha perdido muchas batallas. Lo conocemos en una de las escenas más famosas: se rapa el moño, se pone un hábito de monje y entra en una casa donde un ladrón retiene a un niño, para rescatarlo. Los demás se unen uno a uno, entre ellos el joven Katsushirō, el sereno maestro de espada Kyūzō y, sin invitación, Kikuchiyo (Toshiro Mifune), un hombre ruidoso e impulsivo que dice ser samurái y resulta ser hijo de campesinos.
La espada sin adornos
Antes de Kurosawa, las películas de época japonesas (jidaigeki) mostraban a menudo la esgrima como una danza teatral heredada del kabuki. Los siete samuráis tomó otro camino. Los combates son cortos, súbitos y se deciden en pocos movimientos; los heridos caen y no se levantan. Kurosawa quería saber cómo debía ser de verdad un combate de espada, y los créditos atribuyen la esgrima a Yoshio Sugino, maestro de la Tenshin Shōden Katori Shintō-ryū. Sugino enseñó a los actores principales los movimientos básicos, la postura y el manejo correcto del arma, y Kurosawa les pidió que imitaran incluso su forma de caminar y de arrodillarse.
Seiji Miyaguchi, que interpreta a Kyūzō, nunca había hecho una película de época y, según el propio Sugino, ni siquiera sabía sujetar una espada. Acudió a su dojo para entrenar especialmente sus escenas. El resultado es uno de los personajes más admirados de la película, prueba de que unos días de buena enseñanza de la base se notan en pantalla.
El ejemplo más claro es el duelo de Kyūzō. Un samurái fanfarrón lo desafía primero con espadas de madera y después con katanas de verdad. Kyūzō espera, inmóvil, y decide el combate con un único corte. La escena muestra ideas presentes en toda la esgrima japonesa: control de la distancia, el momento justo y la calma que las escuelas antiguas valoraban por encima de la fuerza. Está cerca del ideal sobre el que escribió Miyamoto Musashi en el Libro de los cinco anillos: ningún movimiento inútil.
Arcos, lanzas y arcabuces
La película no trata solo de espadas. Kambei organiza la defensa como un general: inunda los arrozales, levanta empalizadas, entrena a los campesinos con lanzas de bambú y decide qué caminos dejar abiertos para que los bandidos entren de uno en uno o de dos en dos. Él mismo combate con el arco durante la batalla, recordando que, durante la mayor parte de la historia samurái, el tiro con arco (el kyūdō, en su forma moderna) fue tan importante como la espada.
Los bandidos, por su parte, tienen arcabuces de mecha (tanegashima), que llegaron a Japón con los portugueses en 1543. En la película, las armas de fuego matan a varios defensores, incluidos espadachines excelentes. Es un mensaje discreto: en 1586, el mundo del espadachín individual ya se estaba acabando.
Escena de la batalla en la aldea (revista Sekai Geinō Gahō, mayo de 1954). Autor: Unknown author · Licencia: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
La batalla bajo la lluvia
La batalla final, rodada en el barro y bajo una lluvia intensa, es una de las secuencias más imitadas del cine. Kurosawa usó varias cámaras a la vez y teleobjetivos, una técnica que le permitía captar la acción desde distintos ángulos y montarla con gran ritmo. El rodaje duró cerca de un año y el presupuesto creció muy por encima de lo previsto, lo que la convirtió en una de las películas japonesas más caras de su época.
Al final sobreviven tres samuráis. Mirando a los campesinos que cantan mientras plantan el arroz, Kambei pronuncia la última frase: la victoria es de los campesinos, no de ellos. A los samuráis solo les queda la colina con las tumbas de sus compañeros.
Influencia
La película ganó el León de Plata en el Festival de Venecia de 1954 y se convirtió en modelo de innumerables obras. En 1960, John Sturges la transformó en un western, Los siete magníficos; la estructura «reunir un equipo para una misión» aparece en películas bélicas, ciencia ficción y animación. Muchos directores han reconocido la influencia de Kurosawa en su forma de filmar la acción.
Para quienes practican las artes de la espada, Los siete samuráis sigue siendo una referencia: muestra las armas usadas con peso y consecuencias, sin exageraciones. Para entender lo que hay detrás de estas imágenes, lea nuestros artículos sobre la katana, el iaidō y las escuelas antiguas de espada, vea el kenjutsu y busque la película en el Cine WABUKAN.
Cronología
1586Año en que transcurre la acción, al final del periodo Sengoku.
1953–54Rodaje de cerca de un año, muy por encima del presupuesto previsto.
Les Sept Samouraïs (1954) : le chef-d’œuvre de Kurosawa et le sabre à l’écran
· 4 min de lecture
Un village pauvre, une bande de quarante brigands et sept sabreurs qui acceptent de le défendre contre du riz. Avec ce point de départ simple, Akira Kurosawa a réalisé Les Sept Samouraïs (Shichinin no samurai, 1954), un film de près de trois heures et demie régulièrement cité parmi les plus grands de l’histoire, qui a défini la manière dont le cinéma montre le sabre.
Toshiro Mifune dans le rôle de Kikuchiyo. Auteur: Toho (1954) · Licence: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
L’histoire
L’action se déroule en 1586, à la fin de l’époque Sengoku, « l’ère des provinces en guerre », quand le Japon était déchiré par les guerres entre seigneurs et que beaucoup de samouraïs, ayant perdu leur maître, étaient devenus des rōnin. Les paysans d’un village de montagne apprennent que les brigands reviendront après la récolte. N’ayant rien d’autre à offrir que de la nourriture, ils partent en ville chercher des samouraïs assez affamés pour accepter.
Le premier à accepter est Kambei (Takashi Shimura), un vétéran qui a perdu bien des batailles. On le découvre dans l’une des scènes les plus célèbres du film : il rase son chignon, revêt une robe de moine et entre dans une maison où un voleur retient un enfant, pour le sauver. Les autres le rejoignent un à un, dont le jeune Katsushirō, le calme maître sabreur Kyūzō et, sans invitation, Kikuchiyo (Toshiro Mifune), un homme bruyant et impulsif qui se dit samouraï et se révèle fils de paysans.
Le sabre sans ornement
Avant Kurosawa, les films d’époque japonais (jidaigeki) montraient souvent l’escrime comme une danse théâtrale héritée du kabuki. Les Sept Samouraïs prend une autre voie. Les combats sont courts, soudains et se jouent en quelques mouvements ; les blessés tombent et ne se relèvent pas. Kurosawa voulait savoir à quoi devait vraiment ressembler un combat au sabre, et le générique attribue l’escrime à Yoshio Sugino, maître de la Tenshin Shōden Katori Shintō-ryū. Sugino a enseigné aux acteurs principaux les mouvements de base, la posture et le maniement correct de l’arme, et Kurosawa leur a demandé d’imiter jusqu’à sa façon de marcher et de s’agenouiller.
Seiji Miyaguchi, qui joue Kyūzō, n’avait jamais tourné de film d’époque et, selon Sugino lui-même, ne savait même pas tenir un sabre. Il est allé s’entraîner spécialement au dojo de Sugino pour ses scènes. Le résultat est l’un des personnages les plus admirés du film, preuve que quelques jours d’un bon enseignement des bases se voient à l’écran.
L’exemple le plus clair est le duel de Kyūzō. Un samouraï fanfaron le défie d’abord avec des sabres de bois, puis avec de vrais katanas. Kyūzō attend, immobile, et tranche le combat d’une seule coupe. La scène illustre des idées présentes dans toute l’escrime japonaise : maîtrise de la distance, sens du moment et calme, que les anciennes écoles plaçaient au-dessus de la force. On est proche de l’idéal dont parle Miyamoto Musashi dans le Traité des cinq roues : aucun mouvement inutile.
Arcs, lances et arquebuses
Le film ne parle pas que de sabres. Kambei organise la défense comme un général : il inonde les rizières, construit des palissades, entraîne les paysans avec des lances de bambou et choisit les passages à laisser ouverts pour que les brigands entrent un ou deux à la fois. Lui-même combat à l’arc pendant la bataille, rappelant que, pendant l’essentiel de l’histoire des samouraïs, le tir à l’arc (le kyūdō dans sa forme moderne) comptait autant que le sabre.
Les brigands, eux, possèdent des arquebuses à mèche (tanegashima), arrivées au Japon avec les Portugais en 1543. Dans le film, les armes à feu tuent plusieurs défenseurs, y compris d’excellents sabreurs. C’est un message discret : en 1586, le monde du sabreur individuel touchait déjà à sa fin.
Scène de bataille dans le village (magazine Sekai Geinō Gahō, mai 1954). Auteur: Unknown author · Licence: Domínio público / Public domain · Wikimedia Commons
La bataille sous la pluie
La bataille finale, tournée dans la boue et sous une pluie battante, est l’une des séquences les plus imitées du cinéma. Kurosawa a utilisé plusieurs caméras à la fois et des téléobjectifs, une technique qui lui permettait de saisir l’action sous différents angles et de la monter avec beaucoup de rythme. Le tournage a duré environ un an et le budget a largement dépassé les prévisions, faisant du film l’un des plus chers du cinéma japonais de l’époque.
À la fin, trois samouraïs survivent. En regardant les paysans qui chantent en repiquant le riz, Kambei prononce la dernière réplique : la victoire appartient aux paysans, pas à eux. Aux samouraïs ne reste que la colline où reposent leurs compagnons.
Influence
Le film a reçu le Lion d’argent à la Mostra de Venise en 1954 et est devenu le modèle d’innombrables œuvres. En 1960, John Sturges en a fait un western, Les Sept Mercenaires ; la structure « réunir une équipe pour une mission » se retrouve dans le film de guerre, la science-fiction et l’animation. De nombreux réalisateurs ont reconnu l’influence de Kurosawa sur leur façon de filmer l’action.
Pour les pratiquants des arts du sabre, Les Sept Samouraïs reste une référence : il montre des armes maniées avec poids et conséquences, sans exagération. Pour comprendre ce qui se cache derrière ces images, lisez nos articles sur le katana, l’iaidō et les anciennes écoles de sabre, découvrez le kenjutsu et cherchez le film dans le Cinéma WABUKAN.
Chronologie
1586Année où se déroule l’action, à la fin de l’époque Sengoku.
1953–54Tournage d’environ un an, bien au-delà du budget prévu.