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Capoeira e religiões afro-brasileiras: o sagrado na roda

Como o Candomblé, a Umbanda e o catolicismo popular vivem nos cânticos, amuletos e rituais da capoeira, sem fazer da capoeira uma religião.

Capoeira jogada na rua no Brasil, litografia segundo Rugendas
Jogar capoëra ou danse de la guerre — Johann Moritz Rugendas, 1835. Wikimedia Commons, domínio público.

A história

A capoeira nasceu no Brasil entre africanos escravizados e os seus descendentes, um jogo de luta, música e malícia. As mesmas comunidades mantiveram vivas tradições religiosas africanas, que na Bahia ganharam forma como Candomblé, dedicado aos orixás de origem iorubá e a divindades das tradições banto e fon, muitas vezes associadas a santos católicos. No século XX surgiu a Umbanda, que mistura elementos africanos, indígenas, católicos e espíritas.
Estes mundos encontram-se na roda. Os cânticos saúdam santos católicos e por vezes orixás; a ladainha abre o jogo como uma oração; os jogadores benzem-se ou tocam o chão ao pé do berimbau. Os capoeiristas antigos usavam um patuá, um pequeno amuleto, e falavam do corpo fechado, protegido pelo ritual contra facas e balas. A palavra mandinga significa ao mesmo tempo malícia no jogo e uma espécie de magia.
A capoeira foi proibida pelo Código Penal brasileiro de 1890, e as religiões afro-brasileiras também foram perseguidas pela polícia durante décadas. Em 1932, Mestre Bimba abriu em Salvador a sua academia de Capoeira Regional, e em 1941 Mestre Pastinha fundou o seu centro de Capoeira Angola. Em 2014, a UNESCO inscreveu a roda de capoeira como Património Cultural Imaterial da Humanidade. Hoje há capoeiristas do Candomblé, católicos, evangélicos e ateus.

O que a tradição defende

O que a história e a ciência mostram

Mito e facto

Mito
A capoeira era uma luta disfarçada de dança para os senhores de escravos não perceberem.

É uma história popular, mas não há provas da época. Os registos policiais do século XIX mostram que as autoridades sabiam bem o que era a capoeira e prendiam quem a jogava.

Uma nota de respeito

O Candomblé e a Umbanda são religiões vivas que ainda enfrentam preconceito. Descrevemos o seu lugar na capoeira como os seus fiéis o descrevem, sem julgar a fé.

Relacionado

Imagens: obras de domínio público ou CC0 creditadas por baixo de cada imagem, ou ilustrações originais a tinta do WABUKAN. Painéis: a história contada em caixas numeradas de banda desenhada.

Fontes

  1. Capoeira — Wikipedia — en.wikipedia.org
  2. Candomblé — Wikipedia — en.wikipedia.org
  3. Umbanda — Wikipedia — en.wikipedia.org
  4. Mestre Bimba — Wikipedia — en.wikipedia.org
  5. Mestre Pastinha — Wikipedia — en.wikipedia.org
  6. Besouro Mangangá — Wikipedia — en.wikipedia.org
  7. UNESCO — Capoeira circle — ich.unesco.org
  8. Jogar capoëra ou danse de la guerre — Wikimedia Commons — commons.wikimedia.org
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WABUKAN 和武館, «Capoeira e religiões afro-brasileiras: o sagrado na roda», https://wabukan.com/pt/crenca-capoeira-religioes (consultado em 2026-10-30).

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