Todas as tradições marciais sérias têm um código. O nosso é curto de propósito: sete valores que qualquer pessoa pode praticar no tapete amanhã, seja qual for a arte. É a versão 1 — aberta a discussão e a melhorias.
1. Respeito礼
Trata cada pessoa — professor, parceiro, principiante, adversário — como alguém que merece dignidade.
No tapete: Cumprimenta e agradece aos parceiros, mantém o espaço de treino limpo, ouve quando alguém explica e nunca gozes com um erro.
2. Humildade謙
Uma faixa mede tempo de tapete, não o valor de uma pessoa. Há sempre mais para aprender — e alguém que o sabe.
No tapete: Faz perguntas, aceita correções sem desculpas, desiste cedo (bate) e aprende com gente de outras artes.
3. Autocontrolo忍
O primeiro adversário é a tua própria raiva, medo e ego. Técnica sem controlo é só perigo.
No tapete: Ajusta a intensidade à que o parceiro aceitou, para ao sinal, respira antes de reagir — no ginásio e fora dele.
4. Força só em defesa止
Treinamos para proteger, nunca para atacar, humilhar ou intimidar. Evitar a luta é uma vitória.
No tapete: Primeiro sair, falar, acalmar. Se tiveres de agir, usa só o necessário para ficares em segurança e para logo que estiveres. Conhece a lei do sítio onde vives.
5. Segurança do parceiro守
O teu parceiro empresta-te o corpo para aprenderes. Devolve-o inteiro.
No tapete: Larga à primeira batida, aplica chaves e estrangulamentos devagar, controla a queda nas projeções, usa proteções, avisa lesões e nunca treines sob efeito de álcool ou drogas.
6. Honestidade誠
Sê verdadeiro sobre a tua graduação, a tua história, a tua linhagem e os teus resultados — e sobre o que uma técnica pode e não pode fazer.
No tapete: Nada de faixas falsas, lendas inventadas ou técnicas "secretas e mortais". Cita as tuas fontes, como tentamos fazer neste site.
7. Aprendizagem contínua道
O caminho não tem fim. Treina o básico vezes sem conta, estuda a história e a ciência e passa a outros o que sabes.
No tapete: Mantém um caderno de treino, pergunta "porque é que isto funciona?" e ajuda a pessoa mais nova na sala.
O nosso código não nasceu do nada. Abaixo estão seis tradições reais, resumidas por palavras nossas, e uma tabela que mostra onde cada uma se cruza com os nossos sete valores.
Dojo kun
Karate (tradição Shotokan/JKA), século XX
Cinco frases curtas recitadas no fim da aula: procurar a perfeição do carácter, ser sincero, esforçar-se, respeitar os outros, evitar o comportamento violento.
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Os vinte preceitos de Funakoshi (Niju kun)
Gichin Funakoshi, karate, anos 1930
Em resumo (palavras nossas): o treino começa e acaba com respeito; o karate nunca faz o primeiro ataque; conhece-te antes de conheceres os outros; a mente conta mais do que a técnica; o treino nunca para e pertence ao dia a dia; passa das formas fixas à adaptação livre.
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Os cinco princípios do taekwondo
General Choi Hong-hi (ITF), anos 1950–60
Cortesia, integridade, perseverança, autocontrolo e espírito indomável — recitados em muitas escolas de taekwondo pelo mundo.
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Wude — a virtude marcial chinesa
Artes marciais chinesas; a ideia vem de textos clássicos
武德 wǔdé. No Zuo zhuan (Duque Xuan, ano 12), o rei Zhuang de Chu recusa erguer um monte de vitória com os mortos inimigos e explica o carácter 武 "marcial" como 止 "parar" + 戈 "lança"; enumera sete fins do verdadeiro poder marcial: travar a violência, guardar as armas, proteger o que é grande, consolidar o que se alcançou, dar paz ao povo, trazer harmonia e deixar crescer a riqueza. Os linguistas notam que 止 significava primeiro "pé / avançar", por isso é uma leitura moral e não a etimologia original — mas tornou-se a raiz da virtude marcial chinesa.
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A cavalaria europeia
Europa medieval, c. 1100–1500
Nunca houve um código único. Livros como a Ordem de Cavalaria de Ramon Llull (c. 1275) e o Livro de Cavalaria de Geoffroi de Charny (c. 1350) elogiavam a proeza, a lealdade, a generosidade e a proteção dos fracos — mas os historiadores mostram que muitos cavaleiros reais eram violentos. O ideal e a prática não eram iguais.
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A roda de capoeira
Tradição afro-brasileira, Brasil
O código vive-se como ritual: os jogadores entram ao pé do berimbau, a música define o tipo de jogo, os jogadores cumprimentam-se e a roda é um jogo de habilidade e malícia, não uma briga de rua.
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● = o valor aparece de forma explícita ou clara nessa tradição (leitura nossa). Em branco = não é tema central, não quer dizer "ausente".
Versão 1 — 30 de outubro de 2026. Este texto é um ponto de partida escrito pela equipa Wabukan. Vai ser afinado com o fundador e com a comunidade.