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Judo · randori-no-kata · shodan

Nage-no-kata: história, as 15 projeções e significado 投の形

Duas pessoas, um tapete, quinze projeções, cada uma para os dois lados. A Nage-no-kata não é uma luta: é a demonstração de Kanō Jigorō de como funciona uma projeção — desequilibrar, entrar, concluir — para se poder usar na prática livre.

Judo
Nome“Formas de projeção”; uma das duas randori-no-kata
Projeções15 em 5 grupos de 3, direita e esquerda (30)
PapéisTori projeta, uke é projetado
NívelMuitas vezes exigida para shodan
1

Tóquio, anos 1870. Um aluno da escola de Fukuda cai, levanta-se, volta a cair. É esse o método: queda atrás de queda até o corpo perceber.

2

Kanō não consegue vencer um colega mais antigo. Experimenta sumo, depois uma pega que encontrou num livro de luta ocidental — o “fireman’s carry”. Resulta.

3

1882. Doze tatamis num canto de um templo budista. Começa o Kōdōkan.

Cena ilustrativa, não é um registo histórico.

História

  1. 1877–1882Ainda estudante na Universidade de Tóquio, Kanō Jigorō treina jūjutsu, primeiro com Fukuda Hachinosuke, cujo método era sobretudo cair vezes sem conta e depois praticar livremente (randori), mais tarde com Iso Masatomo, especialista em kata. Contra um colega mais forte adapta uma pega de um livro de luta ocidental — a origem do kata-guruma. [1]
  2. 1882Em maio ou junho, Kanō abre o Kōdōkan com doze tatamis num espaço do Eishō-ji, um templo budista de Tóquio, com apenas um punhado de alunos. [1][2]
  3. O kataKanō cria a Nage-no-kata para ilustrar os princípios da projeção e os alunos os aplicarem no randori. Começa com dez projeções; mais tarde juntam-se cinco, entre elas kata-guruma e uki-otoshi. [3]
  4. 1906 · 1911Em 1906 Kanō preside à comissão da Dai Nippon Butoku Kai para os kata de jūjutsu. Em 1911 o Kōdōkan, que começou com menos de uma dúzia de alunos, tem mais de mil membros com grau dan. [1]

Imagens históricas

Kanō Jigorō
Kanō Jigorō, fundador do judo Kōdōkan e do Nage-no-kata.

Portrait of late Mr. Kano.jpg — Domínio público, via Wikimedia Commons.

A sequência, passo a passo

Resumo por palavras nossas para ajudar a seguir e lembrar a forma. Não substitui um professor, e os pormenores mudam de associação para associação. [3]

Nage-no-kata: lugares no tapete (tori à esquerda do joseki)JOSEKI (frente do dōjō)TUToriUkevénia à frente, depois vénia de joelhos um ao outrocada projeção: lado direito, depois esquerdo
Nage-no-kata: lugares no tapete (tori à esquerda do joseki) — Esquema simplificado.
  1. Passo 1/7

    Abertura

    Tori e uke entram no tapete por lados opostos, tori à esquerda do joseki. Fazem a vénia ao entrar, vénia de pé para o joseki (ritsu-rei), ajoelham e cumprimentam-se (za-rei) e avançam, pé esquerdo primeiro, para a postura natural básica (shizen hontai).

  2. Passo 2/7

    Te-waza — projeções de mão

    Uki-otoshi: uke avança três vezes; à terceira, tori quebra o ritmo, desce ao joelho esquerdo e projeta com um puxão em volante. Seoi-nage: uke ataca de cima com o punho em martelo à cabeça de tori; tori roda para dentro e leva o golpe para a frente por cima das costas. Kata-guruma: a roda pelos ombros.

  3. Passo 3/7

    Koshi-waza — projeções de anca

    Uki-goshi (anca flutuante), harai-goshi (anca a varrer), tsurikomi-goshi (anca a levantar e puxar).

  4. Passo 4/7

    Ashi-waza — projeções de pé

    Okuriashi-harai, sasae-tsurikomi-ashi, uchi-mata.

  5. Passo 5/7

    Ma-sutemi-waza — sacrifício para trás

    Tomoe-nage, ura-nage, sumi-gaeshi: tori cai de costas para projetar.

  6. Passo 6/7

    Yoko-sutemi-waza — sacrifício de lado

    Yoko-gake, yoko-guruma, uki-waza: tori cai de lado.

  7. Passo 7/7

    Os dois lados e fecho

    Cada projeção faz-se à direita e repete-se à esquerda: 30 projeções ao todo. O kata acaba com as vénias pela ordem inversa.

Significado

Cada projeção do kata mostra as mesmas três fases: kuzushi (desequilibrar uke), tsukuri (encaixar na posição) e kake (execução). Os ataques de uke são reais quanto baste — um empurrão, um golpe à cabeça — para o tempo ser honesto.

Ensina também a outra metade do judo: uke cai trinta vezes. O primeiro mestre de Kanō punha os alunos a cair vezes sem conta; o kata mantém essa lição dentro do programa.

Variações entre estilos

Estilo / entidadeO que muda
Nage-no-kataProjeções em pé; com a Katame-no-kata forma as randori-no-kata.
Katame-no-kataA outra randori-no-kata: técnicas de solo (imobilizações, estrangulamentos, chaves).
Original e hojePrimeiro dez projeções; cinco acrescentadas depois, incluindo kata-guruma e uki-otoshi.

[3]

Princípios e aplicações

Aprende as quedas antes do kata. A página de ukemi do Manual mostra como; as projeções, sobretudo as de sacrifício, devem ser acompanhadas por um professor de judo qualificado.

Como uke, o teu papel é atacar a sério e cair em segurança; como tori, projetar com controlo para uke cair bem.

Erros comuns

  • Uke cair antes de ser projetado.
  • Saltar o kuzushi e forçar a projeção com os braços.
  • Apressar as vénias e as deslocações entre projeções.
  • Fazer só o lado direito.

[3]

1905: o “jiu-jitsu Kano” visto do Ocidente

Em 1905 a editora nova-iorquina G. P. Putnam’s Sons publicou The Complete Kano Jiu-Jitsu (Jiudo), do escritor americano H. Irving Hancock e de Katsukuma Higashi, com fotografias das técnicas. Foi um dos primeiros livros em inglês a apresentar o judo do Kōdōkan como sistema próprio.

Prancha 11 — 1905
Prancha 11 (truque 4): rolamento para trás caindo na omoplata, “de modo que nem a cabeça nem a ponta do ombro toquem no chão”.
Prancha 15 — 1905
Prancha 15 (truque 6): quando te agarram por baixo dos braços, trocas e agarras o adversário por baixo dos braços dele.
Prancha 113 — 1905
Prancha 113 (truque 49): cabeça debaixo do braço, mão na coxa, elevação por cima dos ombros — próximo do kata-guruma atual.

O que o livro diz — para ler como fonte de época, não como ensino atual: que o sistema Kano, quando foi adotado pelo governo japonês, tinha 47 “truques” de combate e 15 “sérios”, que chegaram a 160 “tal como o ensinamos”; que um relatório do coronel Oliver E. Wood, adido militar dos EUA em Tóquio, afirmava que, de quatro mil alunos da escola Kano, nenhum ficou com lesão permanente; e que os alunos deviam dominar as quedas antes de tudo. O livro tem também um capítulo sobre kuatsu (métodos de reanimação) cujas afirmações os primeiros socorros atuais não apoiam — numa emergência, liga para o número de emergência. [4]

Imagens: H. Irving Hancock & Katsukuma Higashi, The Complete Kano Jiu-Jitsu (Jiudo), G. P. Putnam’s Sons, Nova Iorque, 1905. Domínio público. Digitalização: Internet Archive, exemplar da U.S. National Library of Medicine.

Folhear o livro inteiro na Biblioteca → · Como se ensinam as quedas hoje: Ukemi →

Fontes

Conteúdo escrito pela Wabukan a partir das fontes abaixo (verificadas em 2026-10-30). Os links externos são só referência.

  1. Wikipedia — Kanō Jigorō — en.wikipedia.org
  2. Wikipedia — Kodokan Judo Institute — en.wikipedia.org
  3. Wikipedia — Nage-no-kata — en.wikipedia.org
  4. H. Irving Hancock & Katsukuma Higashi, The Complete Kano Jiu-Jitsu (Jiudo), G. P. Putnam’s Sons, 1905 — Internet Archive (copy from the U.S. National Library of Medicine), public domain — archive.org

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Atualizado: 2026-10-30