Uma forma é uma sequência fixa de movimentos que uma escola usa para guardar e ensinar a sua técnica. Aqui estão agrupadas por arte e estilo. As contagens de movimentos seguem a entidade oficial indicada em cada entrada; outras linhagens podem contar de outra maneira. A sequência é um resumo por palavras nossas e não substitui um professor.
1
Madrugada, um dojo vazio. Uma aluna, nenhum adversário. Ela cumprimenta — e começa o primeiro movimento.
2
Cada defesa, rotação e golpe é uma página de um livro escrito por mestres que já partiram. A forma é a maneira como o guardaram.
3
Em baixo: o que é cada forma, de onde vem, quantos movimentos tem — e como ler os combates escondidos (bunkai).
Heian quer dizer “paz e segurança”. É a leitura japonesa dos mesmos caracteres do nome okinawano Pinan.
Origem
Criadas em Okinawa por Ankō Itosu a partir de kata mais antigos como Kūsankū e Channan; entraram nas escolas de Okinawa em 1895. Funakoshi Gichin mudou-lhes o nome para Heian quando levou o karaté para o Japão.
Graus de iniciante (kyu), uma após outra por ordem de dificuldade; cada federação define qual é pedida em cada exame.
Forma
Movimentos
Kiai
Heian Shodan
21
9, 17
Heian Nidan
26
11, 26
Heian Sandan
20
10, 20
Heian Yondan
27
13, 25
Heian Godan
23
12, 19
A sequência (resumo)
As cinco seguem uma linha no chão em forma de I (embusen). Shodan: bloqueios baixos e socos a avançar nas linhas laterais, três bloqueios altos a subir pelo centro (kiai no 9), três socos a avançar a descer pelo centro (kiai no 17) e quatro bloqueios com a mão em faca em posição recuada para fechar. Nidan junta o pontapé lateral com murro de costas da mão, a mão em lança e o pontapé frontal. Sandan trabalha em posição de cavaleiro com cotoveladas e golpes de martelo a curta distância. Yondan junta a joelhada (kiai no 13). Godan junta bloqueios com os braços cruzados e um salto.
Princípios
Posições básicas (frontal, recuada, cavaleiro), rodar no lugar, rotação da anca, a mão que puxa (hikite) e um ritmo fixo com dois kiai.
Bunkai / aplicações
Itosu fez a série para ensinar crianças, com sequências tiradas do Kūsankū. Muitos professores leem os “bloqueios” como formas de soltar um pulso agarrado, afastar um braço ou bater a curta distância; a mão que puxa representa muitas vezes segurar o adversário.
Variações entre estilos
Shitō-ryū, Wadō-ryū, Shōrin-ryū e Kyokushin mantêm o nome Pinan. Em alguns estilos a Shodan e a Nidan estão trocadas: a que o Shotokan chama Heian Shodan, o Shitō-ryū chama Pinan Nidan. O Wadō-ryū e o Shūkōkai ensinam primeiro a Pinan Nidan. O Tang Soo Do pratica-as como Pyung Ahn.
Tekki quer dizer “cavaleiro de ferro”, por causa da posição de cavaleiro usada do princípio ao fim. O nome okinawano antigo, Naihanchi, não tem tradução assente.
Origem
Okinawano. Funakoshi escreveu-o como Naihanchi em 1922, chamou-lhe “Kibadachi” em 1936 e a edição de 1956 do seu Karate-dō Kyōhan usa Tekki. São três kata; uns investigadores acham que a Nidan e a Sandan foram juntadas por Itosu, outros que um só kata foi dividido em três.
Movimentos
JKA: Shodan 29, Nidan 24, Sandan 36.
Quando se aprende
Shotokan: primeiro kata intermédio depois das Heian. Shōrin-ryū (Matsubayashi): a Naihanchi Shodan é o primeiro kata de cinto castanho (2.º kyu).
Forma
Movimentos
Kiai
Tekki Shodan
29
15, 29
Tekki Nidan
24
—
Tekki Sandan
36
—
A sequência (resumo)
O kata inteiro anda numa só linha reta de um lado para o outro. Cruza-se um pé à frente do outro para andar de lado, desce-se para a posição de cavaleiro e trabalha-se virado para a frente: cotovelada, bloqueios em gancho e duplos, socos para o lado e a “onda que volta” (levantar um pé até ao joelho do lado de dentro e voltar a pousá-lo com força). Depois repete-se para o outro lado.
Princípios
Posição baixa e enraizada, rodar a anca sem dar passos em frente, pernas fortes para deslocações rápidas e luta muito de perto.
Bunkai / aplicações
Embora a linha seja reta, as técnicas aplicam-se contra um atacante em qualquer ângulo. Alguns investigadores veem a Naihanchi como um exercício lento de agarre a dois: segurar, puxar e bater por dentro dos braços do adversário.
Variações entre estilos
O Shotokan usa uma posição de cavaleiro funda (kiba-dachi). O Shōrin-ryū usa naihanchi-dachi: largura dos ombros com as pontas dos pés para dentro. No Shōrin-ryū (Matsubayashi), Naihanchi Shodan é o primeiro kata do programa a abrir com uma técnica para a direita em vez da esquerda.
Costuma traduzir-se “tomar (ou romper) uma fortaleza”; dai = a versão maior.
Origem
Okinawano, origem desconhecida. Motobu Chōki contava o Passai entre os três kata mais praticados em Okinawa e dizia que veio da China. Uma teoria liga o nome à dança do leão de Fujian (“pa sai”). Funakoshi mudou o nome de Passai Dai para Bassai em 1935.
Movimentos
JKA: 42 (kiai no 19 e no 42).
Quando se aprende
Intermédio; normalmente o primeiro kata “maior” depois das Heian e da Tekki Shodan.
A sequência (resumo)
Abre a avançar para uma posição de pernas cruzadas com um bloqueio apoiado e depois muda de lado várias vezes com bloqueios por dentro e por fora. A parte do meio tem bloqueios com a mão em faca em posição recuada e um bloqueio em concha; perto do fim vem o soco duplo “montanha”.
Princípios
Transformar desvantagem em vantagem com uma resposta forte e decidida; trocar de bloqueios; equilíbrio entre velocidade e força.
Bunkai / aplicações
As mudanças de lado repetidas ensinam-se muitas vezes como afastar um braço e puxar o adversário para o desequilibrar antes de bater; o bloqueio em concha como apanhar um pontapé.
Variações entre estilos
Há muitas versões (Shōrin-ryū, Shitō-ryū, linhagens de Tomari). As artes coreanas praticam-no como Bassahee, Bal Sae ou Pal Che (Tang Soo Do, Soo Bahk Do).
Kankū quer dizer “contemplar o céu”, pela abertura em que as mãos enquadram o céu. Kūsankū é o nome antigo.
Origem
Linhagem Shuri-te. A tradição liga-o a Kōshōkun (Kūsankū), um enviado chinês no Ryūkyū do século XVIII, mas não há provas diretas. Funakoshi chamou-lhe Kankū em 1935; era um dos seus kata preferidos.
Movimentos
JKA: 65 (kiai no 15 e no 65); cerca de 90 segundos.
Quando se aprende
Avançado; kata habitual em exames de cinto negro no Shotokan.
A sequência (resumo)
Começa devagar, a subir as mãos abertas num triângulo para olhar o céu, e depois abre-se em todas as direções com técnicas de mão aberta. Itosu tirou daqui várias sequências para fazer as Heian, por isso os alunos reconhecem muitas passagens. Tem pontapés, um salto com rotação e uma descida ao chão antes de voltar a levantar.
Princípios
Técnicas de mão aberta fluidas que lembram o kung fu da Garça Branca, controlo do ritmo (lento e rápido) e deslocações em oito direções.
Bunkai / aplicações
No Matsubayashi-ryū a posição baixa “escondida” perto do fim lê-se como escapar a um abraço por trás, rodando e deixando-se cair.
Variações entre estilos
O Shotokan tem também o Kankū Shō (48 na JKA). O Shōrin-ryū mantém Kūsankū Dai e Shō; existe ainda Chatan Yara Kūsankū. No Tang Soo Do chama-se Kong Sang Koon.
Taikyoku é a leitura japonesa de Taiji, o “supremo último” da filosofia chinesa.
Origem
Criadas por Yoshitaka (Gigō) Funakoshi e apresentadas pelo pai, Gichin Funakoshi, para simplificar ainda mais as Heian para principiantes.
Movimentos
Taikyoku Shodan: 20 (kiai no 8 e no 16).
Quando se aprende
O primeiríssimo kata nas escolas que as usam (vários grupos Shotokan e o Kyokushin).
A sequência (resumo)
Mesma linha em I da Heian Shodan. A Shodan usa só duas técnicas: bloqueio baixo em cada viragem e soco médio a avançar em cada passo, sempre em posição frontal. A Nidan troca os socos médios por socos à cabeça. A Sandan troca seis dos bloqueios baixos por bloqueios por dentro em posição recuada.
Princípios
Aprender a dar passos, rodar e manter a posição antes de juntar dificuldade.
Variações entre estilos
O Kyokushin chama-lhes Taikyoku Sono Ichi, Ni e San; a Sono Ichi é na prática igual à Shodan do Shotokan.
Gekisai: “atacar e destruir”. Fukyūgata: “kata de divulgação” — um kata comum para principiantes.
Origem
Em 1940 uma comissão especial do karaté de Okinawa, sob o governador Gen Hayakawa, pediu kata-padrão para principiantes. Nagamine Shōshin (Matsubayashi-ryū) fez o Fukyūgata Ichi e Miyagi Chōjun (Gōjū-ryū) o Fukyūgata Ni, conhecido no Gōjū como Gekisai Dai Ichi. Ambos foram apresentados em 1941.
Movimentos
Sem número fixo: cada escola conta os movimentos à sua maneira.
Quando se aprende
Principiante: no programa da IOGKF o Gekisai Dai Ichi e o Dai Ni são os dois primeiros kata de mão aberta.
A sequência (resumo)
Um percurso simples em cruz com bloqueios para cima, por dentro e para baixo, socos, um pontapé de frente e uma cotovelada, a avançar e recuar.
Princípios
Dar a todos os estilos de Okinawa um ponto de partida comum e simples.
Variações entre estilos
Só alguns estilos mantêm os dois. Desde 2005, no Dia do Karaté de Okinawa (25 de outubro), os Fukyūgata I, II e III são executados por todos no desfile em Naha.
Traduz-se como “rasgar e despedaçar”, “bater e pulverizar” ou “romper e abrir caminho”.
Origem
Origem e autor desconhecidos. Pode vir dos estilos chineses estudados por Higaonna Kanryō; como o Tōon-ryū (outra linhagem de Higaonna) não o tem, outros acham que foi Miyagi Chōjun que o criou.
Movimentos
Sem número fixo: cada escola conta os movimentos à sua maneira.
Quando se aprende
Ensinado em terceiro lugar na IOGKF e no Meibukan, depois do Gekisai Dai Ichi e do Dai Ni.
A sequência (resumo)
Combinações curtas e de perto: soltar a mão de uma pega, golpes com as costas do punho e com o punho em martelo, com deslocações em ângulo.
Princípios
Golpes de punho fechado (costas do punho, martelo) e técnicas simples de agarrar.
“Três batalhas/conflitos”, normalmente explicado como unir mente, corpo e espírito.
Origem
Ao que parece do Sul da China (Fujian). É o núcleo do Uechi-ryū e do Gōjū-ryū e existe também na Garça Branca de Fujian, nos Cinco Ancestrais e no Pangai-noon.
Movimentos
Sem número fixo: cada escola conta os movimentos à sua maneira.
Quando se aprende
O primeiro kata no Uechi-ryū; o Gōjū-ryū (IOGKF) ensina-o depois do Saifa. Pratica-se em todos os níveis.
A sequência (resumo)
Passos lentos para a frente em posição sanchin, golpes a partir de uma guarda fixa com respiração controlada e viragens para voltar. O professor pode testar a posição e a tensão do aluno durante o kata (shime).
Princípios
Fortalecer músculos e ossos para aguentar golpes e treinar a mecânica de um golpe a partir de uma base estável.
Bunkai / aplicações
Visto mais como kata de condicionamento e estrutura do que como sequência de combate.
Variações entre estilos
O Uechi-ryū bate com a mão em lança aberta (nukite); o Gōjū-ryū e o Chitō-ryū usam o punho fechado. O Gōjū tem duas versões (a de Miyagi e a de Higaonna). No fim da vida Miyagi tirou as duas viragens de 180°; uns alunos mantiveram, outros (como Toguchi Seikichi) voltaram a pô-las.
Criado em 1921 por Miyagi Chōjun, fundador do Gōjū-ryū, como contraponto suave (jū) do Sanchin. Pode ser uma versão da forma chinesa do sul Rokkishu.
Movimentos
Sem número fixo: cada escola conta os movimentos à sua maneira.
Quando se aprende
Intermédio a avançado no Gōjū-ryū; pratica-se junto com o Sanchin.
A sequência (resumo)
Feito em posição sanchin: movimentos circulares contínuos das mãos abertas e dos pulsos, com respiração profunda e tensão dinâmica.
Princípios
O lado suave do Gōjū (“duro–suave”): mãos fluidas que desviam em vez de enfrentar a força de frente.
Variações entre estilos
Alguns estilos chamam-lhe Rokkishu. Alguns investigadores acham que é a interpretação de Miyagi do Kakuha, um kata do programa de Higaonna que o Gōjū-ryū já não mantém.
Taegeuk é o símbolo yin–yang da bandeira coreana, a “realidade última” de onde tudo nasce. Cada uma das oito formas representa um trigrama (gwae) do I Ching.
Origem
De 1967 a 1971 o taekwondo do estilo Kukkiwon usava as formas Palgwae, mais antigas, da Associação Coreana de Taekwondo. Com a entrada de mais kwans (escolas), criaram-se as Taegeuk para representar todas; em 1971 já tinham substituído as Palgwae, que algumas escolas ainda ensinam.
Movimentos
Il Jang e Ee Jang: 18 cada. As outras variam um pouco conforme a forma de contar (ver tabela).
Quando se aprende
Cintos de cor, uma por grau. Para cinto negro normalmente tem de se saber as oito e fazê-las seguidas sem pausa. As competições de poomsae da World Taekwondo usam-nas.
Forma
Movimentos
Trigrama
1 Il Jang
18
Céu, luz
2 Ee Jang
18
Alegria (lago)
3 Sam Jang
20
Fogo, sol
4 Sa Jang
20
Trovão
5 Oh Jang
20
Vento
6 Yuk Jang
19–23
Água
7 Chil Jang
24
Montanha
8 Pal Jang
24–27
Terra
A sequência (resumo)
As oito seguem um percurso no chão inspirado no I Ching (três linhas horizontais ligadas pela linha central). As primeiras usam posição de andar, posição frontal, bloqueios baixos e médios, socos e pontapés de frente; a posição recuada, as técnicas de mão em faca, os pontapés laterais e as cotoveladas vão aparecendo; as últimas juntam saltos e combinações mais complexas.
Princípios
Cada forma exprime o carácter do seu trigrama (por exemplo, Il Jang: o começo simples; Pal Jang: a terra, o fim do ciclo antes do cinto negro). Expirar em cada técnica; kihap nos movimentos-chave.
Variações entre estilos
O taekwondo ITF usa outro conjunto, as tul (Chon-Ji, Dan-Gun, Do-San…). Algumas escolas de Tang Soo Do e Song Moo Kwan também têm formas “Taegeuk”, mas são as Taikyoku do karaté e diferentes das do Kukkiwon.
Tem o nome da dinastia Koryo (c. 918–1392), que deu o nome à Coreia.
Origem
Poomsae de cinto negro do Kukkiwon / World Taekwondo.
Movimentos
30 movimentos (50 técnicas).
Quando se aprende
O primeiro poomsae de cinto negro (1.º Dan); muitas escolas pedem-no no exame de 2.º Dan.
A sequência (resumo)
Começa numa posição de preparação especial com as mãos à frente da cara (tongmilgi junbi). Bloqueio duplo com mão em faca em posição recuada, pontapé lateral baixo seguido logo de pontapé lateral alto, golpe com mão em faca e soco, repetidos para cada lado. Depois bloqueios baixos com mão em faca e golpes em arco à garganta com pontapés de frente, quebras de joelho, bloqueios em cunha, partes em posição de cavaleiro com socos laterais e cotoveladas, e acaba com golpes de mão em faca e em arco.
Princípios
Força contida e elegância; o pontapé lateral duplo treina equilíbrio e controlo.
Variações entre estilos
Não confundir com padrões de outras federações (ITF) nem com versões antigas.
“Pequena ideia para começar”. Também se escreve Siu Lim Tau.
Origem
Wing Chun (sul da China). Em 1972, semanas antes de morrer, Ip Man foi filmado a executá-la.
Movimentos
Não fixo: as formas diferem entre ramos do Wing Chun.
Quando se aprende
Primeira forma; pratica-se a vida toda.
A sequência (resumo)
Feita sem mexer os pés, na posição simétrica (pontas dos pés para dentro). Os braços trabalham um de cada vez pela linha central: socos, golpes de palma e as formas básicas das mãos (tan, bong, fook e outras). Uma secção faz-se muito devagar.
Princípios
A “semente” da arte: equilíbrio, estrutura do corpo e linha central. Uns ramos tratam a posição simétrica como posição de combate, outros só como posição de treino.
Variações entre estilos
Varia muito entre ramos. Na linhagem de Ip Man a primeira secção treina a força contraindo e relaxando os braços; na de Moy Yat faz-se devagar sem tensão muscular, quase como meditação.
“Procurar a ponte” — a ponte é o contacto entre os nossos braços e os do adversário.
Origem
Segunda forma do Wing Chun.
Movimentos
Não fixo: as formas diferem entre ramos do Wing Chun.
Quando se aprende
Intermédio, depois da Siu Nim Tau.
A sequência (resumo)
Junta o que a primeira forma não tem: rodar a posição (pivô), dar passos, pontapés e movimento coordenado do corpo todo, além de cotovelos e joelhos a curta distância.
Princípios
“Fechar a distância”: entrar, desfazer a estrutura e o equilíbrio do adversário e recuperar a posição e a linha central quando se perdem. O peso do corpo no golpe vem do pivô ou do passo.
Variações entre estilos
Os ramos que leem o nome como “ponte que afunda” dão mais ênfase a desenraizar e a espiralar.
Terceira e última forma de mãos vazias do Wing Chun.
Movimentos
Não fixo: as formas diferem entre ramos do Wing Chun.
Quando se aprende
Avançado.
A sequência (resumo)
Técnicas de muito curta e muito longa distância, pontapés baixos e varrimentos, cotoveladas e estocadas com os dedos, com mais movimento do tronco e alongamento do que as formas anteriores.
Princípios
Técnicas de “emergência” para recuperar quando a estrutura e a linha central estão muito comprometidas. Um ditado do Wing Chun diz “Biu Jee não sai pela porta” — uns leem “manter em segredo”, outros “evitar usar”.
Os bonecos antigos eram enterrados no chão. O boneco de Hong Kong, preso à parede, foi desenhado por Ip Man para caber num apartamento. Uma lenda (não história) diz que a monja Ng Mui juntou 108 bonecos de Shaolin num só.
Movimentos
Muitas vezes ensinada como 108 movimentos, mas as versões diferem entre linhagens.
Quando se aprende
Avançado, depois das três formas de mãos vazias.
A sequência (resumo)
Feita contra um boneco com três braços e uma perna, que representam o corpo do adversário em várias posições. As ripas de montagem com mola permitem treinar absorver a força para a posição.
Princípios
Aplicar as técnicas de mãos vazias aos ângulos e linhas de força de um adversário “vivo”.
Variações entre estilos
Bruce Lee modificou um boneco para o Jeet Kune Do (pescoço modificado, perna de metal). O Choy Li Fut usa outro boneco (Ching Jong).
Baat Jaam Dou: “facas que cortam em oito direções” (um par de facas-borboleta). Luk Dim Bun Gwan: “vara dos seis pontos e meio”.
Origem
As duas formas de armas tradicionais do Wing Chun. As facas também se chamavam “facas que tiram a vida”. A vara, às vezes chamada “vara do dragão”, é cónica e mede 8 a 13 pés (cerca de 2,4–4 m).
Movimentos
Não fixo: as formas diferem entre ramos do Wing Chun.
Quando se aprende
A última etapa do sistema na maioria dos ramos.
A sequência (resumo)
A forma das facas ensina deslocações avançadas e dá força à posição e à técnica. A forma da vara assenta em sete princípios: desenraizar, expandir, choque, desviar, cortar para baixo, círculo e fluir — fluir conta como o “meio ponto”.
Princípios
Alguns ramos aplicam os princípios da vara também à luta sem armas.
Variações entre estilos
As facas também se chamam Yee Jee Seung Dou (“facas duplas em paralelo”). O ramo Yuen Kay Shan / Sum Nung treinava também o lançamento de dardos.
“Tai chi simplificado de 24 posturas”; chama-se forma de Pequim por causa do local de origem.
Origem
Em 1956 a Comissão Chinesa de Desporto juntou mestres de tai chi em Pequim, liderados por Li Tianji (treinador da seleção de wushu), para criar uma forma simples para a saúde pública. Baseia-se no estilo Yang e é hoje uma das formas de tai chi mais praticadas no mundo.
Movimentos
24 movimentos; cerca de seis minutos.
Quando se aprende
Principiante; uma primeira forma comum e base para a forma de competição 42 e para as formas longas tradicionais.
A sequência (resumo)
Mantém posturas Yang conhecidas — abertura, separar a crina do cavalo selvagem, a garça branca abre as asas, roçar o joelho, agarrar a cauda do pardal, chicote simples, mãos nas nuvens — e acaba com o fecho. Tiraram-se os movimentos mais difíceis, nada se repete e os lados esquerdo e direito trabalham por igual.
Princípios
Movimento lento, contínuo e relaxado, com o peso a passar suavemente de uma perna para a outra.
Variações entre estilos
Os professores da família Yang não a reconhecem como tai chi da família Yang. Formas-padrão posteriores incluem a 48 e a forma de competição 42 (que mistura quatro estilos).
A forma de mãos tradicional da família Yang, padronizada por Yang Chengfu.
Origem
Yang Luchan estudou com Chen Changxing desde 1820 e a partir de 1850 ensinou a Guarda Imperial. O neto, Yang Chengfu, tirou à forma de mãos os saltos, as batidas de pé e as explosões de força (fa jin) e criou a “estrutura grande”, lenta e ampla, que é hoje a forma longa mais praticada.
Movimentos
Cerca de 150 movimentos, contados normalmente como 85, 88, 103 ou 108 posturas conforme o professor.
Quando se aprende
Intermédio; normalmente aprende-se depois de uma forma curta.
A sequência (resumo)
Três secções que repetem posturas-chave (agarrar a cauda do pardal, chicote simples, mãos nas nuvens) a uma velocidade constante e regular.
Princípios
Movimentos lentos, regulares, amplos e suaves, adequados a todos. Os elementos vigorosos ficaram nas formas de armas (espada, sabre, bastão, lança).
Variações entre estilos
A forma de “estrutura média” de Yang Jianhou está mais perto do estilo Chen e é mais marcial. A forma curta de Cheng Man-ch’ing deriva das formas Yang mas não é reconhecida pela família Yang.
Laojia = “estrutura antiga”. Yilu = primeira forma; Erlu = segunda forma, mais conhecida como Punho de Canhão (Pao Chui).
Origem
O estilo Chen é o estilo de tai chi mais antigo que se conhece (Aldeia Chen, Henan). Chen Changxing (14.ª geração) condensou o treino da família em duas rotinas, a Estrutura Antiga, e ensinou Yang Luchan, o primeiro de fora registado. Chen Zhaopei publicou a sua Primeira Forma com fotos em 1930 e manteve viva a Estrutura Antiga na aldeia a partir de 1958.
Movimentos
Laojia: Yilu 74, Erlu 44. (Xinjia, a Estrutura Nova: 83 e 71.)
Quando se aprende
Na Aldeia Chen a Laojia Yilu é a forma de base e ensina-se sempre primeiro; a Erlu é avançada.
A sequência (resumo)
A Yilu é sobretudo lenta e contínua com algumas explosões de força, batidas de pé e um salto; a Erlu (Punho de Canhão) é mais rápida e explosiva, com mais saltos e golpes.
Princípios
Enrolar a seda (movimento em espiral pelo corpo todo), alternar lento e rápido, e explosões de força (fa jin). A Yilu ensina deslocações, posições e coordenação entre mente, corpo e energia.
Variações entre estilos
A Xinjia (Estrutura Nova, de Chen Fake via Chen Zhaokui) usa círculos mais pequenos e rotação de pulsos mais visível. Outros ramos: Estrutura Pequena (Xiaojia) e o Método Prático de Hong Junsheng (81 e 64 movimentos).
“Formas de projeção”: uma das duas randori-no-kata (formas para a prática livre) do judo Kōdōkan.
Origem
Criada por Kanō Jigorō para mostrar os princípios da projeção e poderem ser aplicados no randori. Começou com dez projeções; mais tarde juntaram-se cinco, entre elas kata-guruma e uki-otoshi.
Movimentos
15 projeções em 5 grupos de 3, cada uma feita à direita e à esquerda (30 projeções).
Quando se aprende
Muitas vezes exigida em exames de cinto negro (shodan).
Forma
Movimentos
Projeções
Te-waza
3
uki-otoshi, seoi-nage, kata-guruma
Koshi-waza
3
uki-goshi, harai-goshi, tsurikomi-goshi
Ashi-waza
3
okuriashi-harai, sasae-tsurikomi-ashi, uchi-mata
Ma-sutemi-waza
3
tomoe-nage, ura-nage, sumi-gaeshi
Yoko-sutemi-waza
3
yoko-gake, yoko-guruma, uki-waza
A sequência (resumo)
Tori (quem projeta) e uke (quem é projetado) cumprimentam a frente e um ao outro, tomam a postura natural e fazem os grupos por ordem: mão, anca, pé, sacrifício para trás e sacrifício de lado. Em uki-otoshi, por exemplo, uke avança três vezes; ao terceiro passo tori quebra o ritmo, desce ao joelho esquerdo e projeta uke para a frente com um puxão em volante.
Princípios
Desequilíbrio (kuzushi), colocação (tsukuri) e execução (kake), com etiqueta rigorosa.
Variações entre estilos
A outra randori-no-kata é a Katame-no-kata (técnicas de solo).
Fixadas em 1933 a partir das Dai Nippon Teikoku Kendō Kata de 1912, compostas por comissões de mestres de várias escolas de espada.
Movimentos
10 kata: 1–7 com a espada longa (tachi), 8–10 com a espada curta (kodachi) contra a longa.
Quando se aprende
Fazem parte dos exames de dan de kendo, com a prova prática e o exame escrito.
A sequência (resumo)
Feitas a pares com espadas de madeira (bokutō): uchidachi, o papel de professor, ataca; shidachi, o papel de aluno, responde e vence. Cada kata é uma troca curta de um a poucos cortes ou estocadas, a uma distância real e com atenção total.
Princípios
Distância correta (maai), tempo, postura e o espírito que continua depois do corte (zanshin). Mantêm a ligação entre o kendo com shinai e a espada verdadeira.
Criadas em 1969 por uma comissão da Federação Japonesa de Kendo para que todos os clubes de iaidō das federações de kendo ensinassem e avaliassem o mesmo conjunto.
Movimentos
12 kata.
Quando se aprende
Todos os níveis: a base dos exames de iaidō nas federações de kendo.
Forma
Movimentos
Significado
1 Mae
1
Frente
2 Ushiro
1
Trás
3 Ukenagashi
1
Receber, desviar e cortar
4 Tsuka-ate
1
Golpe com o punho da espada
5 Kesagiri
1
Corte diagonal
6 Morotezuki
1
Estocada a duas mãos
7 Sanpōgiri
1
Cortar em três direções
8 Ganmen-ate
1
Golpe à cara
9 Soetezuki
1
Estocada com a mão junta
10 Shihōgiri
1
Cortar em quatro direções
11 Sōgiri
1
Cortes completos
12 Nukiuchi
1
Saque súbito
A sequência (resumo)
Kata a solo contra um ou mais adversários imaginários. Cada um começa e acaba com a espada na bainha: saque e primeiro corte, corte final, sacudir o sangue (chiburi) e embainhar (nōtō). Os primeiros kata começam de joelhos, os seguintes de pé.
Princípios
Imaginação e concentração para manter a sensação de uma situação real; corte calmo e preciso.
Variações entre estilos
Escolas antigas (koryū) como o Musō Jikiden Eishin-ryū mantêm os seus programas, mais longos. Existe ainda um conjunto de cinco formas koryū (Tōhō) de cinco escolas.
Desenvolvido por Shimizu Takaji nos anos 1960 a partir do Shintō Musō-ryū para ser ensinado nos dōjō de kendo. Dez formas vêm do Shintō Musō-ryū com pequenas mudanças; duas baseiam-se no Uchida-ryū tanjō-jutsu.
Movimentos
12 técnicas básicas (kihon) e 12 kata.
Quando se aprende
Todos os níveis no jōdō das federações de kendo.
A sequência (resumo)
A pares: o jō (bastão de madeira redondo, hoje com 128 cm) contra a espada de madeira. As kihon treinam-se sozinho e a pares antes dos kata.
Princípios
Controlar o espadachim com golpes, estocadas e varrimentos às mãos, braços e corpo, mais do que esmagá-lo.
Variações entre estilos
Muitos dōjō de Shintō Musō-ryū começam os principiantes por algumas formas seitei por serem mais simples.
Sequências de ensino: combinações fixas de ataque, esquiva e contra-ataque treinadas a pares.
Origem
No fim dos anos 1920 e início dos 1930, Mestre Bimba, com o aluno José Cisnando Lima, reorganizou a capoeira para lhe devolver o lado de luta. Criou as sequências de ensino — o primeiro método de ensino da capoeira — e abriu uma escola formal em 1932.
Movimentos
Não é uma forma a solo: são combinações curtas a pares.
Quando se aprende
Principiantes na Capoeira Regional; a base antes de jogar na roda.
A sequência (resumo)
Dois alunos repetem trocas fixas: um ataca com um golpe (por exemplo o martelo, que Bimba acrescentou), o outro esquiva-se e responde, e depois trocam. O que se aprende é depois experimentado livremente na roda com música.
Princípios
Ataque, esquiva e contra-ataque, com precisão e disciplina.
Variações entre estilos
A Capoeira Angola, fundada cerca de uma década depois, mantém uma prática mais tradicional sem estas sequências fixas.